Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

A sexta-feira amanheceu coberta de angústia na cidade que não pode parar. Era celebração da Paixão de Cristo, data sagrada para os cristãos. Os mais fervorosos fizeram penitências, jejuns e abstinências. Também aproveitaram para confessar suas falhas humanas e se redimir, quem sabe até de si mesmos…
Mas não foi só por isso que a cidade acordou com dor. Uma voz tão conhecida e admirada estava prestes a se silenciar. Como um pássaro ferido, cansado de se debater, aquela locutora de voz e carisma inigualáveis estava finalmente depondo suas armas, depois de cinco anos de luta contra uma doença feroz e traiçoeira. “Ela cansou”, confidenciou um colega de emissora e amigo de longa data, incorformado.
À tarde, a notícia de que a estrela de voz sexy e afetuosa não estava mais entre nós se espalhou como pólvora. Ninguém queria acreditar! “Uma mulher tão jovem! Como isso foi acontecer?!”, questionavam, perplexos. Logo vinha à mente a alegria contagiante que ela emanava pelas ondas do rádio, que conquistou tantos fãs!
Mas não somente no trabalho ela era assim. Nos eventos sociais, como apresentadora ou mestre de cerimônias, ou mesmo nos encontros da imprensa, ela sempre “chegava chegando”, simpática e elegante, elevando o astral do ambiente e se tornando o centro das atenções. Sempre com um sorriso de otimismo, ela exalava vitalidade. Verdadeira, era do tipo que se jogava de corpo e alma em tudo o que fazia, com genuína paixão.
Lembro dela em diversos momentos nos últimos anos, com as alterações físicas provocadas pelo tratamento, as perucas que costumava usar, e até tirar, com total despojamento e naturalidade, quando se sentia incomodada pelo calor provocado no couro cabeludo…
Na última vez que a vi, há cerca de um mês (nunca vou esquecer!), ela estava assistindo uma solenidade empresarial, sorridente, os olhos brilhantes, olhando para todos com ar de felicidade, como se dissesse: “Olhem, estou aqui novamente, feliz e repleta de esperança!”. E hoje agradeço a iniciativa de ter ido cumprimentá-la pelo que, naquele momento, acreditava ter sido a sua vitória contra doença…
Mas pouco tempo depois, seu corpo frágil não resistiria a mais um revés. Como toda guerreira que se preze, mais uma vez ela lutou e lutou, até que o Universo a chamou e a tirou de nós…
Sim! A sexta-feira amanheceu coberta de angústia na cidade que não pode parar! A partida dela está doendo em todos nós, que a conhecemos e a admiramos no período em que esteve aqui. Como o Cometa Halley, você passou pela Vida e deixou um rastro luminoso. Você, Fabiana Machado, ficará para sempre na nossa lembrança e nos nossos corações!


Texto de nossa colega Sônia Pillon, em tributo à radialista e locutora Fabiana Machado, que morreu aos 37 anos em 6 de abril de 2012, vítima de câncer, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, Brasil.

O estranho vazio da ausência de uma voz…