Por: Gabriela Bubniak | 1 ano atrás

Uma das belezas de Jaraguá do Sul é poder observar fragmentos de sua história sendo contada por todos os lados, do Centro ao interior. Isso através de estruturas antigas, costumes do seu povo e também dos monumentos. Eles estão espalhados pela cidade e são os grandes responsáveis por perpetuarem e tornarem essa memória visível a todos.

Pode ser que muitos deles você nunca tenha notado ou imaginado que existiam, mas o fato é que cada um deles têm alguma razão para estar ali. Por isso resolvemos ir atrás do significado pra todo mundo conhecer um pouquinho mais. Talvez algum deles faça parte da sua história e você não sabe! 😀

Pra entender melhor, de acordo com o dicionário Michaelis, monumentos são obra artísticas, de importância arquitetônica e escultural, erigida para homenagear alguém ilustre, algum fato histórico ou acontecimento notável.

Eles são muitos, mas vamos aos poucos… Para este primeiro post escolhemos cinco monumentos, e contamos um pouquinho sobre a importância de cada um. Confira:

1. Casa do Colonizador

Onde fica? Na Rua Waldemar Grubba, dentro da Praça do Imigrante.

A Casa do Colonizador é, na verdade, uma extensão do Museu Histórico Emílio da Silva, e tem o objetivo difundir a memória e história de Jaraguá do Sul. Ela foi montada a partir de uma projeção da época da imigração e colonização da cidade.

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Foto: Rafael Verch

Dentro da Casa estão objetos que retratam os hábitos e costumes dos colonizadores a partir do final do século 19, incluindo as montagens externas dos engenhos, ferramentas agrícolas e apresentação de alguns meios de transporte, como a carroça.

O monumento foi inaugurado em 20 de janeiro de 1986, mas só foi oficializado pela Lei de criação nº 3.778/98, em 19 de julho de 1991, como Anexo I, do Museu Municipal “Emílio da Silva”.

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Foto: Rafael Verch

A Praça dos Imigrantes foi inaugurada em 18 de dezembro de 1985 e nela estão o monumento dos 100 anos de Colonização do Município (de autoria de Georg Paul Junker e que falaremos no próximo post), a Casa do Colonizador, a “lança Kobjafa” dos húngaros, e a casa enxaimel, onde funciona o Centro de Informações Turísticas.

Clique no mapa e passeie pela Praça dos Imigrantes:

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2. Lança Kobjafa

Ainda dentro da Praça dos Imigrantes está localizado um monumento muito importante para os descendentes de húngaros: a “Lança Kobjafa”, que era utilizada como arma pelos antigos guerreiros (magyares). Quando um guerreiro morria em combate, o seu túmulo era marcado com a própria lança.

Como símbolo, ela vive ainda hoje na lembrança do povo húngaro, que a reverencia, lembrando dos bravos e corajosos antepassados que conquistaram a sua pátria.

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Foto: Rafael Verch

A lança foi uma doação da família Isztzan Zolcsak da comunidade húngara de São Paulo, por ocasião dos mil anos da Hungria. Na lápide da estrutura ficou registrada a homenagem: “Dedicada aos laboriosos de descendência húngara em Jaraguá do Sul”. A estrutura foi instalada em 1996, quando na época o prefeito era Durval Vasel

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Foto: Rafael Verch

3. Homenagem às vítimas da explosão na Fábrica de Pólvora

Onde fica? No Cemitério Central, Rua Coronel Procópio Gomes, no Centro

É uma cruz de sete metros de altura e marca os 60 anos de uma das maiores tragédias vividas em Jaraguá do Sul. No dia 6 de novembro de 1953, dez trabalhadores morreram na explosão da Fábrica de Pólvora Pernambuco Powder Factory.

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Foto: Rafael Verch

O monumento representa uma mão abençoando as dez cruzes que simbolizam as vítimas, assim como quem estiver ali orando. Na cruz mais alta, estão as almas se elevando a Jesus Cristo, no Céu. Sobre uma cripta, a estrutura abriga os restos mortais dos dez operários (sete deles com menos de 30 anos).

Além de simbolizar o ato de uma bênção, também conta com a presença da árvore Embaúba, usada como matéria-prima na fabricação de pólvora, depois de transformada em carvão vegetal.

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Foto: Rafael Verch

O projeto do monumento, patrocinado pelo empresário Werner Voigt, falecido em 1º de junho de 2016, foi doado pelos arquitetos Raphael Cavalcanti da Silva e Keidy Cavalcanti da Silva. O monumento foi inaugurado no dia 6 de novembro de 2013.

Assista ao vídeo da entrega do monumento, filmado pelo historiador Ademir Pfiffer:

A história
A instalação da fábrica de pólvora em Jaraguá foi iniciativa dos imigrantes alemães Fritz e Henrique Rappe, em 1912, em local conhecido como Tifa Rappe. Durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), a fábrica foi ocupada pelo 13º Batalhão de Caçadores. Nesta época, ocorreu a primeira explosão, que não deixou feridos, mas destruiu parte da estrutura. No dia 8 de setembro de 1941, outro incidente também ocorreu, mas sem feridos.

Com o fim da guerra, em 1918, os primeiros donos venderam a fábrica para Augusto Mielke, que transferiu a fábrica para a rua João Doubrawa.  Em 1926, a empresa foi vendida para Reinoldo Rau, que em 1939 a vendeu para um grande fabricante de pólvora com sede em Pernambuco. A S/A Pernambuco Powder Factory fabricava pólvora, explosivos de segurança e estopins da marca “Elephante”. A fábrica jaraguaense tornou-se uma filial e produzia diariamente cerca de cem quilos de pólvora.

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O resgate desta trágica história foi feito por uma comissão especial unindo iniciativa privada e poder público. (Foto: divulgação)

Na explosão morreram Arlindo Cunha, Severino da Luz, Leopoldo e Raul Bruch (pai e filho), Leopoldo Tescher, Reinoldo Jung, Alfredo Franke, Ernani Francisco da Costa, Arnaldo Pereira e Hercílio Sabino.

Localizada na Rua João Doubrawa, no bairro Czerniewicz, na localidade conhecida hoje como Tifa da Pólvora, a fábrica era a terceira maior produtora de pólvora do Brasil. No espaço da fábrica, hoje há o loteamento Tifa da Pólvora.

4. Homenagem à população negra

Onde fica? Na Praça 7 de setembro, Avenida Getúlio Vargas, no Centro.

O singelo monumento em homenagem à população negra é representado por uma bela placa trabalhada, instalada no Centro da cidade. A estrutura solidifica o reconhecimento pelo trabalho e contribuição da população negra no desenvolvimento de Jaraguá do Sul. Além do mais, considera a atuação e presença negra desde a chegada dos primeiros canoeiros, junto com Emílio Carlos Jourdan, em 1876. 

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Foto: Rafael Verch

Inaugurada no dia 20 de novembro de 2016, bem recente, a placa leva uma frase do líder do movimento dos direitos dos negros nos Estados Unidos e no mundo, Martin Luther King: “Não importa a cor quando duas mãos estão juntas projetando a mesma sombra.”

5. Canal de Suez

Onde fica? Na Avenida Getúlio Vargas, no Centro, próximo ao Mercado Público

Já reparou aquela estrutura em vermelho, que mais parece um gancho, ali do ladinho do Mercado Público? Este é um monumento e é de grande importância para a história não só de Jaraguá. 

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Foto: Rafael Verch

Inaugurada em julho de 2005, a obra é uma forma de reconhecimento, composta por vários elementos simbólicos, tendo como tema os brasileiros que lutaram no Canal de Suez. A cor vermelha resume a intensidade da luta, da guerra e do conflito. O formato, que ao mesmo tempo lembra um “S” remete ao nome do canal, Suez.

Além disso, a obra parece um ponto de interrogação que questiona o porquê da guerra que levou tantas vidas. A imagem do rasgo expressa a fronteira entre os países e as suas divergências que levaram ao conflito, enquanto a figura da onda representa a desembocadura do canal no Mar Mediterrâneo.

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Foto: Rafael Verch

O Brasil participou da 1ª Força de Paz da ONU com 20 contingentes de soldados voluntários de 1957 a 1967, que formaram o chamado “Batalhão de Suez”. Estes soldados tornaram-se conhecidos como “boinas azuis”, onde vários jaraguaenses também participaram. O grupo, constituído por aproximadamente 600 homens, era enviado anualmente ao Egito, de janeiro de 1957 a julho de 1967, com a missão de manter a paz entre os exércitos egípcios e israelenses.

Mas que era o Canal de Suez?
Nada menos que uma faixa de terra – localizado em território egípcio – que ligava a África e a Ásia, separando o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho. Os navios que se dirigiam do Mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico Setentrional ao Oriente eram obrigados a contornar a África. Para encurtar caminho, diminuir custos e tempo de viagem, abriu-se o Canal de Suez, com 170 km de comprimento – a construção iniciou em 1859, sendo inaugurado em 1869.

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Em 1956, o Egito nacionalizou a Companhia do Canal de Suez, responsável pela administração e utilização do Canal, que era administrada pelo consórcio entre Inglaterra e França, e ainda proibia a passagem de navios israelenses. A partir disso, o conflito estava formado.

Para o fim da briga, foi assinado um armistício e estabelecido uma faixa neutra, a Faixa de Gaza, uma área de aproximadamente 100 km de comprimento por 13 km de largura, que passou a ser guardada por Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

E aí, qual é o seu monumento favorito em Jaraguá do Sul? Participe da caixa de comentários e manda pra gente, queremos saber a sua opinião, dúvida ou sugestão.  

Fontes: Arquivo Histórico Eugênio Victor Schmöckel e Prefeitura de Jaraguá do Sul | Livros: “Nós Somos Húngaros” de Sidnei Marcelo Lopes e “A explosão da fábrica de pólvora” de Ademir Pfiffer/Giuliano Sávio Berti.