Por: Sistema Por Acaso | 3 anos atrás

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Em dois anos será possível estabelecer um efetivo controle do inseto maruim presente nos municípios do Vale do Itapocu, principalmente em Corupá onde a espécie se manifesta com maior intensidade devido às extensas áreas cultivadas com bananeiras.

Quem garante é o pesquisador Luiz Américo Souza, da Fundação 25 de Julho, de Joinville, que há anos pesquisa a incidência do mosquito na região Norte catarinense. Para prefeitos reunidos na Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), Américo citou uma técnica já utilizada com sucesso em regiões da Alemanha para combater insetos semelhantes ao maruim que, segundo disse, teve sucesso e que pode ser aplicada na região.

A experiência alemã consiste na utilização da clorofila de folhas de espinafre (pigmento verde das plantas) que, pelo processo de fotossíntese, transforma a energia solar em alimento nocivo aos insetos. A mesma técnica é utilizada atualmente, segundo o pesquisador, na produção de inseticidas biológicos inofensivos à saúde humana para controlar a incidência do borrachudo, que só em Santa Catarina tem 35 espécies catalogadas.

A folha da bananeira, segundo Souza, tem uma concentração de clorofila por centímetro quadrado muito maior que qualquer outra planta. “Teríamos uma fartura de matéria prima”, disse, referindo-se aos bananais da região. “Ou, até mesmo, uma nova fonte de renda para o agricultor com o cultivo de outras plantas em dois ou três hectares para a indústria que vai produzir o inseticida biológico”, acrescentou o pesquisador, que já obteve resultados positivos em duas outras experiências.

Uma delas com talos de bananeiras ensacados em embalagens plásticas, reduzindo em até 50% os insetos na área pesquisada. Outra experiência foi feita em área menor que um hectare, onde a contagem foi de 1.500 picadas por hora, com galinhas caipiras, patos e galinhas D’Angola. “Essas aves, ao ciscarem o terreno, acabam estressando a larva do maruim, que acaba morrendo. A redução do inseto foi de 100%, mas a técnica não se presta para grandes áreas pelo número de aves necessárias”, explica.

Mais alimento, mais mosquitos

A presença desse inseto em toda a região do Vale do Itapocu se deve ao avanço da bananicultura em áreas da Mata Atlântica, ampliando o campo de alimentação do inseto cuja fêmea consome sangue (humano e de animais) para poder desenvolver o aparelho reprodutor e os ovos. Mas também suga a seiva das folhas da bananeira. Além disso, segundo Souza, nos últimos 30 anos toneladas de fungicidas foram usadas nos bananais da região para combater principalmente a sigatoka amarela, doença endêmica no Brasil que ataca as folhas da bananeira provocando drástica redução na produção de cachos. “Essa carga de veneno mata fungos de chão que são os responsáveis diretos pelo equilíbrio”, explica. Na região, existem quatro espécies de maruim com predominância do “colicóide paraense” (95%).

Parceria positiva com a Fujama

Citando a troca de prefeitos como “uma troca de prioridades”, o pesquisador elogiou a parceria com a Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente no governo atual. “Prontamente o (Leocádio Neves) presidente da Fujama determinou a instalação de armadilhas, de um laboratório, a compra de equipamentos e a disponibilidade de estagiários para auxiliarem nesse meu trabalho”, ressaltou Américo Souza, lamentando que em Joinville isso não aconteça. “Aqui não faltam recursos e nem vontade política na busca de soluções”, enfatizou o pesquisador.

Via OCP Online.