Por: Ricardo Daniel Treis | 18/08/2010

– Então, como ia te dizendo, era mais ou menos umas 14h15, ontem lá no Centro.
– Hm.
– Eu saí do banco naquela tarde ensolarada, dia lindo, inundado de luz.
– Hm.
– Não sei se ela estava me esperando ou se me viu na hora, mas quando me dei conta lá vinha a mulher mais maravilhosa que já encontrei andando em minha direção. Juro, a brisa trazia o perfume dela em meio à multidão.
– Hm.
– Ela chegava cada vez mais perto, sempre me olhando nos olhos. Percebí alí que aquele deveria ser o grande momento da minha vida. Nunca aconteceu nada demais comigo, e naquela hora percebí que toda grandiosidade, toda gota de grandiosidade que me fora negada até hoje estava concentrada naquele momento, com aquela garota espetacular se aproximando de mim e o futuro que poderíamos ter.
– Hm.
– Era dum conjunto grego a silhueta suave e bem distribuída. Uma cintura assim ó, lindos cabelos morenos, brilhantes, levemente cacheados nas pontas. Seus ombros estavam à mostra no vestido branco de alcinha. Eram redondos, perfeitos para se beijar pela manhã dizendo “bom dia”. Deveria ter não mais que 1,70m. Soava leve como um anjo naquele seu modo andar.
– Hm.
– Comecei a me aproximar dela já cego pela felicidade. A mulher da minha vida, alí, naquele momento inesperado. Larguei os papéis no chão, e olhando fixo para aquelos olhos verdes dela também comecei a provocar o encontro. Ambos passaram a andar mais rápido eu já não…
– Tá, tá! O que eu escrevo aqui no B.O?
– Assalto à mão armada. Ela levou minha carteira com todo salário que eu tinha sacado. Pegou a descrição?


Publicado originalmente na Coluna Por Acaso, página 10 do Jornal FolhaSC de 12 de agosto de 2010.