Por: Raphael Rocha Lopes | 6 anos atrás

O ser humano tem um dom, ou melhor, um defeito que acredito ser exclusividade sua, possivelmente não existindo em qualquer outro animal. O homem tem uma enorme facilidade de reclamar. Algumas vezes parece até se regozijar com suas reclamações. Parece tornar-se um prazer.

Para alguns nada está bom, nada é suficiente, nada satisfaz. E justamente para estes não há tempo para nada. Não há tempo para ajudar, não há tempo para opinar ou colaborar, não há tempo para buscar soluções ou participar de grupos que as procurem. São pessoas que só reclamam e nunca têm tempo para nada. E se outras pessoas resolvem o suposto problema, os contumazes reclamões continuam reclamando, dizendo que fariam melhor, ou mais rápido, ou de forma mais econômica.

Nesta mesma linha, outro esporte preferido de muitas pessoas é fazer comparações de suas vidas com as alheias. E estes esportistas podem ser classificados em duas categorias.

A primeira categoria é a daqueles jogadores que acreditam que tudo o que é dos outros é melhor. Que ficam mais preocupados em ficar prestando atenção no carro, na casa, no telefone celular, nas viagens ou na mulher do outro do que em cuidar de suas próprias coisas e pessoas, e investir nos seus relacionamentos e trabalhar para crescer patrimonialmente.

É aquela turma que vive dizendo que o gramado do vizinho é sempre mais verde. Não importa se o vizinho acorda cedo para regar a grama todos os dias, se todos os finais de tarde tira as ervas daninhas e se todo domingo passa a máquina de cortar. Essa parte aquele que só repara o verde não comenta.

Alguns até dizem que é a tal “inveja branca” seja lá o que isso queira dizer. Como já ouvi por aí, inveja é inveja e pronto. Mas, vá lá, talvez existam algumas sem maldade, sendo o pecado da inveja apenas fruto da incompetência pessoal.
A segunda categoria é aquela que joga no time dos que desprezam tudo o que é dos outros. O bem pode até ser melhor, mais caro ou mais sofisticado. Se o jogador deste time não se contenta em desqualificar o bem do outro, seja automóvel, casa ou roupa, ele recorre a desmerecer o próprio dono ou possuidor.

O tal caro bem foi adquirido, segundo estas pessoas, por meios espúrios, de maneira indevida ou porque alguém levou alguma vantagem.

Ou, ainda, o pessoal deste time, quando não consegue desaqualificar o bem ou o seu proprietário, passa a desmerecer as justificativas ou razões do proprietário. Chegam ao cúmulo de aventar que o fulano comprou a coisa apenas para aparecer, para se exibir, ou que não tinha nehuma razão para tal aquisição. Se a outra inveja é a branca, esta deve ser a colorida.

Entretanto, assim caminha a humanidade, com muitos desejando o que não podem ter, ou desejando o que a mídia, em especial a televisão, diz que deve ter. E, com isso – além de uma forte colaboração dos livros de auto-ajuda – os consultórios dos psicólogos vão ficando cada vez mais cheios, pois as pessoas se frustram por desejos muitas vezes não reais.