Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

Graças que ainda acha-se algumas das revistas Trip antigas pelos sebos da vida. Ontem reencontrei numa edição à toa (72, ano 12) uma de minhas matérias favoritas, aquela mesclagem de ensaio de moda com experiência de vida junto a seis peões boiadeiros no Mato-Grosso. Matéria bruta, tinha entre uma das conclusões esse trecho paulada:

No final do milênio, e à espera de alguma grande mudança vinda do além, o homem moderno mostra-se cada vez mais frágil e distante do mundo externo. Mora em condomínios, dirige carros blindados e usa a Internet como desculpa para não ter que sair do quarto para conhecer o mundo. Sabe ler, mas não procura nada de útil nos livros. Fala muito, mas diz pouco. E encontra, na rotina calculista, o esconderijo perfeito para evitar surpresas que possam atrapalhar a simetria de sua vida planejada. Enquanto isso, cabe a homens analfabetos e selvagens, como os peões boiadeiros do Pantanal, viver intensamente cada amanhecer, cada banho de rio, cada trago de pinga, cada suspiro feminino. Eles exercem, diariamente, algo que o mundo inteiro almeja mas poucos conquistam: a verdadeira liberdade.

Pei!