Por: Ricardo Daniel Treis | 3 anos atrás

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O professor Rafael Santiago Gregório, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), participou da sessão ordinária dessa quinta-feira (07) para fazer uso da Tribuna Popular. Ele prestou informações sobre a situação da greve dos professores estaduais que dura mais de 45 dias. Segundo Gregório, a paralisação na rede estadual se arrasta por conta da insensibilidade do governo que não trata com seriedade e importância a educação em Santa Catarina.

Para Rafael, o clamor por melhorias na educação perdura ano após ano, governo após governo e mesmo assim pouco se tem feito por esta categoria. “Precisamos que todos se sensibilizem com aquilo que acontece na educação catarinense e do Brasil”, pede. “Uma grande nação não se faz sem educação”, declara. O professor garante que a greve não possui intenção de prejudicar alunos, professores ou pais, mas sim de chamar atenção para as condições de trabalho deste profissional.

 

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Posted by Quebrando o Tabu on Sexta, 8 de maio de 2015

Santa Catarina aparece com frequência nas listas dos melhores estados em educação, mas Rafael Gregório acredita que estes feitos muitas vezes ficam somente no papel. “Precisam parar de usar a educação apenas como discurso eleitoral”, dispara. Ele também considera importante que os gerentes educacionais como diretores escolares apoiem o movimento. “Infelizmente o que vemos são diretores pressionando e assediando moralmente os professores em greve”, lamenta.

Rafael Santiago Gregório diagnostica que a saúde do profissional da educação é defasada por conta da jornada exaustiva de trabalho e da falta de um plano de carreira. “Hoje o professor tem que trabalhar em três turnos para conseguir equilibrar suas contas”, lastima.

O vereador Jair Pedri crê que na legitimidade do pleito dos professores. Ele considera justo e necessário, mas questiona se não há a possibilidade de que as partes pudessem ceder um pouco para chegar a um consenso. O professor Rafael explicou que com todo o processo da perda do plano de carreira em 2011, ano em que também foi realizado greve, os professores estão cedendo para o governo. “Em vários momentos nos dispusemos a conversar, mas o governo não discute e não tem interesse na nossa proposta”, afirma.

Para Jeferson de Oliveira, o governador quer vencer o professorado pelo cansaço. “Ter que trabalhar três períodos e com esse tempo de greve descontando no salário, muitos não aguentam”, comenta. “Ou voltam a trabalhar ou vai faltar comida em casa”, emenda. Ele acredita que este é o momento de unir forças e fortalecer o movimento.

O vereador Amarildo Sarti certifica de que a sociedade sabe a importância do professor, mas que as pessoas investidas de poder através do voto, não. “A cada dia que passa com dificuldades na atividade do professor, a sociedade perde”, declara. “Eu sou professor e tenho orgulho da minha profissão. Às vezes não conseguimos passar para todo mundo nosso sentimento e o quanto lutamos”, reconhece.

Maristela Menel lembrou dos anos em que atuou nas greves de professores para prestar apoio a causa. Ela conta que em 1985, iniciou no estado através de concurso e logo após enfrentou as primeiras manifestações na reinvindicação de direitos. “Aposentei-me no ano passado e infelizmente nada mudou”, observa.

Eugenio Juraszek julga que o momento é muito importante para a educação. Ele vê o professor como um pai ou uma mãe que carregam a missão de educar as crianças. “Não podemos ceder. Temos que abraçar a causa para que se tenha qualidade dentro das escolas”, afirma. Ele sugeriu que uma comissão de apoio seja montada para que os vereadores participem das reinvindicações. “O que pudermos fazer de contatos para auxiliar, iremos fazer”, declarou o vereador Pedro Garcia também em apoio ao movimento.

A presidente da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Natália Lúcia Petry, resgatou as longas paralizações que participou. Ela acredita que algumas vitórias foram alcançadas, mas que estão sendo progressivamente subtraídas. Para Natália, a questão da educação é suprapartidária. “Não tem a ver com partido a, b ou c, tem a ver com todos nós”, enfatiza. A presidente se demonstra empática com o movimento e teme pelos jovens que não se interessam mais pela arte de ensinar, porque sabem que não serão valorizados. “A tecnologia pode substituir muita coisa, mas um professor, nenhum material, metodologia ou situação pode substituir”, constata. Ela também demonstrou interesse em participar de uma comissão ao lado dos professores. “Eu sou professora e estou vereadora”, encerrou enfatizando sua história de luta por melhorias na educação.

Fonte: Câmara