Por: Cláudio Costa | 3 anos atrás

Em todo o mundo, há diversas frentes contra a homofobia e em Jaraguá do Sul não poderia ser diferente. Mas nesta quinta-feira (8), a maior parte dos vereadores de Jaraguá do Sul votou contra o projeto de lei número 74/2015, de autoria da vereadora Natália Lucia Petry (PMDB), que trata da criação do Dia Municipal de Combate a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia, no dia 17 de maio.

Votaram contra, os vereadores:

  • João Fiamoncini – PT
  • Zé da Farmácia – Solidariedade
  • Jeferson de Oliveira – PSD
  • Eugênio Juraszek – PP
  • Jocimar de Lima- PSDC

Vereadores favoráveis:

  • Pedro Garcia – PMDB
  • Amarildo Sarti – PV
  • Ademar Winter – PSDB

Ausente:

  • Arlindo Rincos – PP

Absteve-se de votar:

  • Jair Pedri – PSDB

Munícipes procuraram a peemedebista para propor a criação do projeto. “Eles trouxeram muitos argumentos. Adolescentes são expulsos de suas casas, sofrem bullying na escola e da própria sociedade. A intolerância é algo fora do contexto e essa data serviria para a reflexão, para que a sociedade veja que é preciso tolerar, conviver e ter respeito por pessoas fora do padrão”, comenta a vereadora.

Membros do Coletivo LGBT de Jaraguá do Sul e da União da Juventude Socialista – UJS, foram recebidos pela Presidente da Câmara Municipal, Natália Lúcia Petry (PMDB) em maio

Membros do Coletivo LGBT de Jaraguá do Sul e da União da Juventude Socialista – UJS, foram recebidos pela Presidente da Câmara Municipal, Natália Lúcia Petry (PMDB) em maio

O vereador Pedro Garcia (PMDB) foi um dos três vereadores que votou a favor do projeto. Para ele, a pauta “não deixa de ser polêmica”. “Eu acho que não pode haver discriminação e as pessoas têm direito de ser da maneira que querem. Não vejo problema em haver um dia no calendário do município para discutir essa questão”, revela.

Vereador João Fiamoncini. Foto: CMJS

Vereador João Fiamoncini. Foto: CMJS

De acordo com João Fiamoncini (PT), um dos cinco vereadores que votou contra o projeto, a pauta é muito polêmica e precisa ser discutida com a sociedade. “Gostaria que fosse realizada uma audiência pública para apresentar as leis federais e discutir mais claramente o assunto”, explica após comentar que a homossexualidade é algo delicado para as famílias e instituições cristãs.

José Osório de Ávila (PP), o popular Zé da Farmácia, foi um dos vereadores que votou contra a proposta. Segundo ele, houve pressão de entidades religiosas para que o projeto não fosse aprovado. “Fomos pressionados por adventistas, católicos e evangélicos. Mas eu não tenho nada contra essas pessoas, tenho muito respeito”, pondera Ávila.

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Ativista LGBT comenta votação
O membro do Coletivo LGBT de Jaraguá do Sul, Luiz Modesto, comenta que os vereadores que votaram contra o projeto negaram que há violência contra os homossexuais na cidade. “Pagamos impostos, votamos, mas por nossos representantes não temos o reconhecimento da violência que nos aflige”, dispara Modesto. “Foi uma negação à violência contra os jaraguaenses LGBT”, completa.

“Já aconteceram casos de assassinato de travestis. Todos os anos, dezenas de adolescentes são expulsos de suas casas por se assumirem LGBT. Temos também relatos de adolescentes que tentam suicídio por não suportarem a pressão. Isso mostra que, diferente do que afirmam os vereadores, em nossa cidade existem LGBT sim. Os adolescentes são os que mais sofrem”, salienta Modesto.

Radialista fala em retrocesso
O radialista Sérgio Peron também repercutiu a votação do projeto. Segundo ele, o resultado da votação mostrou que a Câmara de Vereadores é retrógada. Depois de ressaltar que já foram criados o Dia da Dona de Casa, o Dia da Bíblia, o Dia do Pastor e o Dia do Jipeiro, os vereadores que votaram contra “são pessoas que não sabem respeitar as individualidades”.