Por: Sistema Por Acaso | 5 anos atrás

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A Indonésia é um arquipélago e é a maior nação muçulmana do mundo (70% da população segue essa religião). Os outros 30% basicamente sãocatólicos. O cristianismo predomina nas ilhas localizadas a leste do país – próximas da Austrália. Mesmo “catequizados”, termo usado pela igreja cristã, os povos dessas ilhas continuam com muitos de seus rituais únicos. Aqui se fala funerais. Se entrar numa residência e no meio da sala, encontrar sentado numa poltrona, coberto com tecidos tingidos em índigo, um morto, não se assuste. O corpo é deixado sentado numa cadeira como as de balança numa posição de “altar” (sentado de frente) para as famílias e visitantes que trazem comida e dinheiro, cantam, choram e falam com o corpo como se estivesse vivo. Estranhos resolvem chorar mais alto do que os donos do cadáver. Dentro de casa o cadáver é mantido por cerca de uma semana, às vezes muito mais. Com o clima quente e úmido se imagina facilmente o que acontece. No ar, para amenizar, um cheiro similar ao de vinagre. Contudo, não faltam espanta moscas feitos da crina de cavalos, encarregados de manter afastados os incômodos insetos. Quando o cadáver permanece por dias dentro de casa, as mulheres da família espalham sobre a sua pele os líquens e secreções expelidos pelo cadáver. O objetivo é fazer com que permaneça uma lembrança do cadáver falecido.

Acreditam que o espírito do falecido deve ficar ali, em lugar privilegiado – na sala da casa, até o dia do seu segundo velório, quando o corpo é transferido para uma tumba no quintal da casa. Quando se mudam, desenterram o falecido e levam o caixão junto com a bagagem para enterrarem no novo quintal. Quando o morto é uma pessoa do alto escalão daquela sociedade eles não o enterram logo. O envolvem numa esteira e o põem sobre uma grande árvore. Deixam-no ali para apodrecer e ninguém vai àquele lugar. Não vão caçar nem coletar alimento ali. Só quando a decomposição está completa colocam os ossos numa tumba.

Depois vem o “velório final”, que pode levar meses ou anos para acontecer. O “velório final” é uma cerimônia com festejos que pode se estender de três dias a uma semana. Depende do grau de importância daquela família na sociedade. O tempo do corpo dentro da casa, normalmente depende do financeiro da família em adquirir os animais que serão sacrificados durante os festejos do “velório final”. Búfalos, vacas, cavalos, cabras, porcos, galinhas são sacrificados. O búfalo é o animal de status e não pode faltar. Quanto maior o número de búfalos, mais rico é o cidadão falecido. Acreditam que a alma desses animais purifica a alma dos familiares que ficaram. Num velório que participei, entre cabras, porcos, 14 búfalos foram sacrificados. A garganta do búfalo é cortada e este fica a pular entre os convidados – que eram centenas, até cairo morto. Quem é atingido por respingos desse sangue, tem sua vida presente purificada, acreditam.

Crônica por Charles Zimmermann no jornal O Correio do Povo.