Por: Deivis Chiodini | 5 anos atrás

UFC-166-Banner

Um grande card, para fechar uma grande trilogia. É isso que veremos no UFC 166 em Houston, quando Cain Velasquez e Junior Cigano farão sua terceira luta valendo o cinturão dos pesados e encerrando a maior trilogia dos pesados na história do UFC. Além disso, o card principal esta repleto de grandes lutas. Nas preliminares, vale uma boa olhada na luta entre Nate Marquardt e Hector Lombard, pelos meio médios. Vamos a análise do card principal:

John Dodson x Darrell Montague (categoria dos moscas): Aposto ter sua chance, mas não conseguir vencer o campeão Demetrious Johnson, o vencedor do TUF 14, John Dodson recomeça sua luta nos penas contra o estreante e aclamado prospecto Darrell Montague, que com apenas 25 anos  já tem 15 lutas e 13 vitórias no cartel. O estreante no evento tem uma base muito forte de wrestling e bom poder de nocaute para categoria, trabalhando bem os golpes no corpo e os chutes frontais. Já o canhoto
Dodson, prima pela velocidade e prefere a luta sempre de pé, onde tem um boxe afiado e um kickboxing de bom nível, com chutes nas pernas potentes. Dodson também é dono de um preparo físico invejável e costuma lutar os 3 rounds com a mesma intensidade.
Palpite: Luta que tende a ser muita intensa e franca, com Montague tentando colocar pra baixo e Dodson se movimentando. Vou apostar na experiência de Dodson por pontos.

Gabriel Napão x Shawn Jordan (categoria dos pesados): O ex jogador de futebol americano Shawn Jordan vem empolgado após duas boas vitórias por nocaute e terá pela frente o em também boa fase brasileiro Gabriel Napão, que venceu 3 das suas últimas 4 lutas, sendo a última um nocaute em 17 segundos contra Dave Herman. Jordan até tem uma base de wrestling, mas seu jogo é basicamente aquele estilo brucutu, com alguns chutes baixos, jabs preparando para a entrada de um overhand ou algo do tipo, pois com a mão pesada que ele tem basta um golpe. Napão também tem a mão pesada e é um bom trocador, tendo já nocauteado inclusive Mirko Cro Cop, mas o jogo mais seguro para ele é encurtar, colocar a luta e usar seu gigantesco background no jiu jitsu. Caso consiga cair por cima, prevejo grandes chances de vitória do brasileiro.
Palpite: Napão vem se mostrando bem inteligente nas últimas lutas e aposto numa vitória do brasileiro por finalização no 2° round.

Gilbert Melendez x Diego Sanchez (categoria dos leves): Dessa luta, não se pode esperar nada menos que uma guerra! De um lado, o número 2 do ranking do UFC e ex campeão do Strikeforce, voltando de derrota contestada na disputa de cinturão com o então campeão Benson Henderson. Do outro, o vencedor da 1° temporada do TUF e dono de 5 lutas da noite, Diego Sanchez, que vem de vitória controversa contra Takanori Gomi. São dois lutadores muito completos, que tem bom domínio em pé e no solo. Na trocação dou uma pequena vantagem para Melendez, que consegue encaixar bem os jabs, se mover melhor e contragolpear, enquanto Diego, apesar dos chutes e mão potente, joga mais plantado e é mais suscetível a golpes. No chão, Melendez tem bom jogo, com destaque para o wrestling, derrubando e trabalhando bem o ground and
pound, mas Diego é um exímio grappler, com excelentes raspagens e passagens de guarda e nesse quesito leva vantagem, pois Melendez tem dificuldades por baixo. Diego também demonstra mais garra em momentos difíceis e isso pode pesar a seu favor.
Palpite: Vou contrariar a lógica e arriscar: Numa decisão polêmica, vitória de Diego Sanchez.

Daniel Cormier x Roy Nelson (categoria dos pesados): Esses dois caras se detestam e pediram para se enfrentar. Isso já apimenta o caldo meus amigos! Roy Nelson é o gordinho mais amado e também o mais falastrão do UFC. Vencedor da edição de número 10 do TUF, vem alternando boas vitórias contra adversários medianos com suas bombas e derrotas em que demonstra queixo de pedra contra adversários mais gabaritados. Já Daniel Cormier foi o vencedor do último GP do Strikeforce e está invicto na sua carreira no MMA. Caso Cain Velasquez vença Cigano e se mantenha como campeão dos pesados, Cormier deve descer para os meio pesados, já que os dois são companheiros de treino na AKA. Cormier é um wrestler de nível olímpico e suas especialidades são encurtar, derrubar e controlar no ground and pound. Quando cai por cima, é preciso um guincho para lhe retirar e ele ataca com contundência. Já Nelson, apesar de faixa preta de Renzo Gracie, nunca mostrou suas habilidades no jiu jitsu e com certeza nessa luta será testado no chão. Em pé, todos sabem de sua potência, mas seu famigerado “fake double leg com mata cobra de direita” não deve funcionar contra um lutador de alto nível como DC (assim como não funcionou contra Cigano, Werdum, Mir) e ele terá que achar alguma brecha para soltar seu jogo. Daniel também mostra muito gás sempre e isso pode pesar ainda mais contra Nelson, mesmo de pé.
Palpite: Cormier, encurtando e amassando Nelson no chão, por pontos.

Cain Velasquez x Júnior “Cigano” dos Santos (cinturão da categoria dos pesados): Os 2 maiores peso pesados do planeta se encontram para um tira teima valendo o cinturão. Uma luta épica, fechando essa trilogia, não menos que isso eu espero. Trilogia que começou com Cigano nocauteando o até então invicto Velasquez e tomando-lhe o cinturão dos pesados. Velasquez não deixou barato, deu a volta por cima e surrou Cigano por 5 rounds, retomando o título. Agora, o que prever? Todos
sabem que Cain tem em seu forte o wrestling, mas na última luta, em um vacilo do brasileiro, ele conectou golpes na trocação que derrubaram Cigano no 1° round e que foram decisivos para o resto da luta. Isso quer dizer que Velasquez é um striker do nível de Cigano? Não, o brasileiro é melhor em pé, tem melhor jogo de pernas, boxe superior, mas não pode ser displicente, pois o “chicano” já mostrou que tem poder de nas mãos. O jogo de Cain será o mesmo. Muito abafa, chutes nas pernas, encurtar a distância e sempre que possível, colocar o brasileiro pra baixo, para trabalhar o ground and pound. Já a Cigano cabe manter-se sempre em movimento, contra golpear usando seu boxe, ora castigando em cima, ora na linha de cintura, e sem afobação, esperar o momento certo para desferir seus diretos mais contundentes. Cigano precisa defender as quedas, frustrar Velasquez e ter muita paciência na trocação para não ser surpreendido novamente. Além disso, o gás tem que estar em dia, pois CV é um tanque, não para nunca! Mas Velasquez apresenta um ponto que poucos falam. Ele não tem uma absorção tão boa de golpes. Contra Ben Rothwell ele conseguiu escapar,
mas contra Cigano isso seria fatal.
Palpite: Uma luta em que tudo pode acontecer, e que o americano leva favoritismo. Mas não tenho como negar a sensação de ver novamente Cigano na ponta dos cascos e amadurecido para esse combate. Vou arriscar que nesse jogo de xadrez, o brasileiro vai achar um nocaute no 4° round e trará o cinturão para o Brasil novamente.