Por: Sistema Por Acaso | 09/02/2015

A declaração do Papa Francisco, que, durante uma audiência na última quarta-feira, disse não ver problemas em pais que punem seus filhos com palmadas, gerou um debate acalorado nas redes sociais.

Na ocasião, o líder católico ressaltou as características de um “bom pai”: aquele que perdoa mas é capaz de “corrigir com firmeza”.

No Facebook, a declaração rendeu muitos “likes” e comentários apoiando o pontífice, como:

– “O Papa é pop!”

– “Esse Papa é o cara!”

– “Antes a bolacha da mãe do que a borracha da polícia”

– “Uma coisa é bater e outra é espancar. Levei minhas chineladas e estou viva para contar história”

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Mas teve gente que repreendeu o comentário:

– “Agressão nenhuma é válida pra educar. Gente, pelo amor de deus, deveríamos evoluir e não retroceder!”

– “Você estava indo bem, papa Francisco, mas nessa você errou feio. Errou rude. Não existe maneira de alguém bater nos próprios filhos com dignidade”

Especialistas, no entanto, criticam o uso do castigo físico na educação de crianças e dizem que a declaração pode ser usada por pessoas que queiram se valer da violência.

— Uma vez, ouvi um pai que disse: “às vezes tenho que bater nos meus filhos, mas nunca no rosto para não humilhá-los”. Que lindo! Ele conhece o senso de dignidade. Tem que puni-los, mas o faz de modo justo e dá o assunto por encerrado — afirmou Francisco, segundo a agência Associated Press.

A autora do livro “Eduque sem bater”, Beatriz Acampora diz que a declaração do Papa é “preocupante”.

– Entendo que a intenção não tenha sido negativa, mas, enquanto líder religioso, ele tem de escolher bem as palavras porque elas têm um grande impacto. É como se ele estivesse dando permissão para os pais educarem os filhos com físico, desde que não seja no rosto – afirma.

A visão do psiquiatra da infância Jairo Werner, professor da Faculdade de Educação da Uerj e da Faculdade de Medicina da UFF, é parecida:

– Sem dúvida esse tipo de declaração é polêmica. Fora de contexto, ela acaba ganhando uma dimensão generalista e incentivando ideias que não são adequadas. As pessoas podem pinçar a declaração dizer que Papa autorizou elas a baterem nos filhos, desde que não seja no rosto. Essas pessoas não entendem que educar é um processo.