Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Carlos Schroeder destaca que o Centro Cultural será tomado por uma rotina intensa de apresentações Foto: Lúcio Sassi

Carlos Schroeder destaca que o Centro Cultural será tomado por uma rotina intensa de apresentações
Foto: Lúcio Sassi

Dentro de três semanas, começa o maior evento literário de Jaraguá do Sul. A oitava edição da Feira do Livro está toda esquematizada. A programação foi anunciada e as atrações especiais estão definidas. Com o tema “O descobrimento da leitura”, o evento se volta ao público juvenil. Mais do que vender livros, o estimulo às ideias é a proposta central.

Pelo segundo ano, o Centro Cultural da Scar vai receber a estrutura. Os teatros acolhem apresentações cênicas, exibição de filmes, contação de histórias e palestras com grandes nomes. A área externa recebe uma estrutura com 32 estandes, divididos entre 17 editoras. As tendas formarão uma espécie de galpão, com um largo corredor central. Os visitantes serão rodeados pelos livros enquanto atravessam a feira. Para o organizador do evento, Carlos Henrique Schroeder, a ampliação não é o foco. Anualmente, as atrações são planejadas com objetivo de acolher o público. A dinâmica da programação dá a chance de escolher entre opções diversas. “Claro que queremos bater a marca das 80 mil pessoas do ano passado, mas o principal é que as famílias venham, fiquem aqui para o teatro, depois para ouvir uma leitura, que ocupem o espaço”, determina.

Um evento de tanta magnitude acontece com a parceria entre poder público e privado. Este ano, o investimento é de R$ 250 mil. A maior parte, em torno de 67%, é captada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e apoio direto de empresas como o jornal O Correio do Povo. O restante vem do município. A programação é extensa e pode ser conferida no site www.feiradolivro.org.

O Correio do Povo: Como foi pensada a proposta central dessa edição?

Carlos Schroeder: Neste ano nós definimos como público-alvo os jovens e os jovens adultos, com o tema “O descobrimento da leitura”. Pois é nessa fase, depois do encantamento pelos livros quando se é criança, que eles se descobrem leitores e começam a descobrir o mundo de verdade, seja pela vida ou pelas páginas dos livros. Queremos prestigiar essa geração que cresceu com a Feira do Livro, que desde que entrou na escola visita a feira, que já teve atrações para suas idades nas edições anteriores. Então programamos quatro atrações especiais para este público: Drica Pinotti, Carlos Fialho, Patrícia Barboza e Leila Rego. Mas é claro que os jovens vão aproveitar também as outras atrações.

OCP: Desde o primeiro ano quais pontos foram chaves para a evolução da feira, considerada uma das melhores do Estado?

Schroeder: Ser uma feira de livros focada na formação de leitores, e não um simples comércio de livros. E assim construímos o evento como um palco de ideias, dialogando com todas as artes e trazendo autores de extrema importância. Já passaram pela nossa feira nomes como Mauricio de Sousa, Rubens Figueiredo, Ziraldo, Lourenço Mutarelli, Arnaldo Antunes, Ana Maria Machado, Lobão, Luis Fernando Veríssimo, Cristóvão Tezza, Adriana Calcanhoto, Roseana Murray, Márcia Tiburi, Zeca Baleiro, Ângela Lago, e muitos outros.

OCP: A feira se propõe a criar novos leitores, é isso?

Schroeder: Sim, não só queremos criar novos leitores, mas leitores de qualidade, que saibam escolher seus livros, que tenham opiniões, que saibam debater e defender suas ideias. É por isso que temos tantos debates na nossa feira, é para que todos percebam a importância da circulação das ideias.

OCP: Como a feira contribuiu ao longo desses anos para fomentar a cultura na cidade?

Schroeder: A feira é hoje o maior evento cultural da cidade, não apenas pelas dezenas de atrações diárias, mas também pelas milhares de pessoas que passam diariamente pelos estandes e palestras. Muitas crianças tiveram contato pela primeira vez com uma contação de história, um filme ou com um autor na Feira do Livro, então nós temos consciência de que estamos fazendo um belo trabalho a médio e longo prazo, ajudando a construir uma cidade com mais livros e mais histórias. Cidades maiores que Jaraguá do Sul, e de grande poderio econômico, como Blumenau, Chapecó, Itajaí e São José, não têm uma feira do livro, e estão fadadas ao empobrecimento da cena literária e a falta de estímulo ao livro e à leitura.

Via OCP