Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

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Este sonho não se passou num passado estranho ou num futuro distante. Ele foi num ontem, se hoje fosse dia 25 de dezembro. Naquele ontem fizera três meses que o trem não cortava mais a cidade… Não que ele deixara de existir, mas é porque agora passava por uma outra rota, longe de agredir os moradores. O espaço de seus trilhos já não carrega mais a pesada carga industrial, e sim cidadãos para o trabalho, escolas e faculdades. Naquele ontem nenhuma loja abrira também… Todos haviam feito suas compras com antecedência, e o varejo pode dispensar seus funcionários para passarem o dia descansando junto a suas famílias. As ruas estavam tomadas pelo verão e sua brisa. Não havia ansiedade, e a histeria abandonara as avenidas dando espaço para o canto das cigarras e crianças brincando inquietas com a noite que estava por vir.

Situe-se passeando com seu cachorro na Reinoldo Rau pelas 16h. Dentro de duas horas os ônibus começarão a trazer as pessoas dos bairros para o Centro, onde no parque inaugurado pela prefeitura algumas semanas atrás a orquestra da Scar estará no aguardo para uma sinfonia inequescível. As luzes de Natal estarão por todas as árvores, haverá leitura de contos, coral, peças, dança, exposições e artistas.

Nesta noite presentes serão entregues publicamente em igualdade para crianças e um enorme banquete será oferecido para a população, que ajudara durantes os meses anteriores na compra dos alimentos agora trazidos por produtores locais. Nesta noite, sob as árvores e pelas mesas, vizinhos e parentes se encontrarão, celebrando o enorme feito coletivo e a fraternidade que conseguiram tornar praticamente tangível no ar. Nesta noite ninguém pediu perdão por suas faltas, porém todos prometeram para si mesmos nunca mais repetí-las.

Este sonho não se passou num passado distante ou num futuro qualquer, na verdade não sei quando foi, mas nada impede ele ter sido num ontem quando estivermos em 25 de dezembro de 2014.