Por: Raphael Rocha Lopes | 6 anos atrás

Diz o adágio popular que prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém. Jorge Benjor (ainda sou do tempo do Jorge Ben) acrescenta dinheiro: “Olha aí meu bem, prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém”. Se me permitirem vou acrescentar mais uma coisinha: educação. Prudência, dinheiro no bolso, canja de galinha e um pouco de educação não fazem mal a ninguém.

Segunda-feira estava, eu, voltando do almoço a pé quando, em um cruzamento, uma cidadã, minto, um “ser” jogou pela janela do seu belo carro um pedaço de papel. Acelerei o passo para devolver o que, talvez, tenha caído sem querer do carro, mas não deu tempo. O motorista, aproveitando uma brecha no trânsito, engatou a primeira e foram os dois embora para seu destino. O fluxo fluiu.

Divaguei, então, com meus botões, o que faz uma pessoa simplesmente jogar lixo pela janela do carro, como se não pudesse esperar até chegar em casa ou onde quer que fosse para colocar no lugar certo. O que faz pessoas jogarem bituca de cigarro pelas janelas dos prédios ou mesmo caminhando, no meio da rua, como se aquele pedaço babado de papel contaminado com milhares de produtos tóxicos fosse desaparecer num passe de mágica.

Quanto aos cigarros, meus amigos fumantes, alguns se dizendo perseguidos pelo politicamente correto (e olha que não gosto desta história de politicamente correto), questionam-me o que vão fazer com a tal bituca. Colocar no bolso?, perguntam-me eles sarcasticamente. Por mim poderia ser, já que eu coloco no bolso o papel das balas que compro, por exemplo.

As pessoas – algumas – parecem ter perdido a ideia dos bons modos. Empurram nas filas, não pedem desculpas e às vezes sequer olham para o lado. Falam alto em qualquer lugar como se todos fossem obrigados a ouvir suas aventuras da noite anterior. Comportam-se sem modos à mesa; falam palavrões na frente de crianças sem qualquer pudor; não dão lugar às pessoas mais velhas e muitas vezes nem as tratam com o mínimo respeito que a idade determina. Reclamam de tudo e não fazem nada para colaborar; acham que sempre têm razão; consideram-se superiores a todos.

Joga-se a culpa na família, na escola, nas amizades, por tamanha falta de educação. Até pode ser. Em parte. É um relaxamento geral. Os mal-educados são, na realidade, uns acomodados sociais. Não precisa ser gênio para perceber que desagrada pelo modo de se comportar. Firmeza de postura e falta de educação são coisas diferentes e todos percebem.

Ou seja, a culpa é principalmente do próprio mal-educado, que abusa da paciência alheia e não faz a mínima questão de se aprimorar como ser humano. O que não pode é este tipo de comportamento contaminar os demais, sob séria pena de daqui pouco tempo estarmos todos jogando papel pela janela do carro.