Por: João Marcos | 5 anos atrás

Lendo essa matéria hoje pela manhã n‘O Correio do Povo feita pelo Henrique Porto, pude entender um pouco melhor o que está acontecendo com o time do Juve, é interessante, olhaí:

O Juventus deu um grito de socorro na última sexta-feira. Em uma rede social, o diretor de patrimônio Claudemir Ruediger, o popular Foguinho, fez um desabafo que pegou muita gente de surpresa. Falando e assinando em nome de toda a diretoria juventina, afirmou que o clube poderia abandonar o Campeonato Catarinense, caso o tricolor não angariasse o apoio financeiro necessário para encerrar a competição.

Hoje, o clube tem um gasto mensal de R$ 200 mil, mas só arrecada R$ 13 mil, entre patrocínio, sócios e rendas. Antes do início do Campeonato Catarinense, a diretoria do clube havia orçado em R$ 1,2 milhão a participação do Moleque Travesso no certame estadual. Pretendia amenizar parte deste custo com a cota de televisionamento – R$ 125 mil – e o prêmio de R$ 100 mil pago pela Federação Catarinense de Futebol pelo acesso. O restante teria que ser captado.
A expectativa do clube era receber parte deste dinheiro através da administração municipal. E uma negativa do Poder Público na sexta-feira foi o estopim da ação. Polêmica feita, veio a repercussão e, no sábado, o discurso no clube já era outro, mais comedido.

No domingo, após a vitória de 1 a 0 sobre o Guarani, a situação já se desenhava bem melhor.

Após a partida, o presidente Jerri Luft concedeu entrevista onde afirmava que sair do campeonato seria um prejuízo muito maior ao clube, que além do risco de ser acionado judicialmente, ficaria dois anos fora de qualquer competição. “Não vamos fazer isso. Tem muita coisa envolvida e estamos mais calmos. As coisas vão fluir e nós vamos conseguir superar essa situação”, disse Luft.

Legislação impede repasse

A falta de auxílio financeiro da Prefeitura de Jaraguá do Sul, citada pelos dirigentes do Juventus como um dos motivos para crise no clube, está amparada na legislação brasileira. Além das dívidas trabalhistas, previdenciárias e outras pendências que inviabilizariam qualquer parceria, por lei nenhum órgão público pode destinar dinheiro a um time profissional, considerado como entidade privada, como é o caso do Moleque Travesso. Diversas decisões do Ministério Público Federal condenam a prática, inclusive quando o apoio financeiro à categoria principal é maquiado com repasses ‘gordos’ para as escolinhas dos clubes.

Segundo o prefeito Dieter Janssen, a Prefeitura trabalha para fortalecer o esporte de base e também deve incentivar equipes consideradas amadoras, tudo, porém, seguindo critérios e com a transparência necessária. “Nenhuma das últimas administrações fez repasse. Sou torcedor do Juventus, mas não posso ignorar a questão legal. Hoje mesmo (ontem) liguei para o presidente e passei uma lista de empresas que podem ajudar. O que estiver ao meu alcance e contar com amparo legal vou fazer, sem dúvida”, disse Dieter.

No ano de 2010, chegou a ser avaliada a possibilidade de a Prefeitura municipalizar o Estádio João Marcatto, assumindo as dívidas do clube, que na época estavam estimadas em mais de R$ 2 milhões. Porém, não foi encontrada uma alternativa para que o projeto fosse concretizado legalmente. A ideia era que, com a municipalização, a Prefeitura pudesse auxiliar o time cedendo o campo para realização dos jogos, como acontece em Joinville, com a Arena.

Mas será que uma cidade com uma economia tão estável como a nossa não consegue manter um time profissional para representá-la, sei que muitos irão manter aquele discurso de que “isso é dinheiro jogado fora”, “tem que priorizar a educação a saúde”. Concordo, mas aí isso já é com a prefeitura e não com os órgãos privados – antes de criticar percebam que o apelo é para eles.