Por: Ricardo Daniel Treis | 7 anos atrás

Está nas mãos de um catarinense a garantia da qualidade do armamento utilizado pela fragata União, embarcação que comanda a frota naval da ONU no Líbano. Natural de Ituporanga, o marinheiro Theófilo Fernando Feldhaus, 22 anos, cresceu em Jaraguá do Sul e integra a tripulação da fragata União desde antes de a missão começar.

A bordo, Feldhaus tem como funções garantir a limpeza do armamento – a fragata está equipada com dois canhões 40 mm e metralhadoras – e auxiliar na manutenção geral do navio. O armamento só pode ser usado em caso de ataque contra a embarcação. A União patrulha as águas libanesas em busca de navios suspeitos de transportar armas ilegais. A cada sete dias no mar, permanece três atracada em Beirute.

“É um orgulho estar aqui representando o meu País. Quando chegamos, pegamos temperaturas de 4oC, que me lembravam o Sul. No verão, chega a 40oC, que lembra o Rio”, conta.

Os primeiros meses no Líbano, no final do ano passado, foram os de maior emoção. Quando a fragata atracava no Porto de Beirute, os militares aproveitavam para conhecer a capital libanesa.

“As pessoas nos paravam e queriam saber de onde éramos. Quando nos identificávamos como brasileiros, todos ficavam felizes”, diz o jovem.

Depois de passar no concurso para a Marinha, em 2010, Feldhaus estudou na Escola de Aprendizes-marinheiros, em Florianópolis. Em seguida, mudou-se para o Rio e escolheu trabalhar na fragata União. “Já escolhi porque gostava de viajar”.

Da missão, que se encerra nesta semana, o marinheiro conta que fica na lembrança a diversidade cultural libanesa: muçulmanos sunitas, xiitas e cristãos dividindo a mesma cidade.

O cotidiano no navio exige preparação e cuidado com o confinamento. Para driblar a saudade de casa, academia (há uma área com esteiras e equipamento para musculação a bordo) e telefonemas três vezes por semana para o pai, que mora em Jaraguá do Sul. “É como se a gente estivesse em uma caixa”, compara ele, sobre a vida a bordo.

A viagem de volta ao Brasil começa nesta semana, quando a fragata União será substituída por outra embarcação do mesmo tipo, a Liberal. Feldhaus e os companheiros devem chegar em casa dentro de um mês. E com a experiência em sua primeira missão de paz, já há novos planos. “Ano que vem, quero virar cabo.”


Matéria via AN