Por: João Marcos | 3 anos atrás

O prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Janssen (PP), encerrou os primeiros dois anos de governo reforçando a mensagem “Respeito por Jaraguá”, que estampou a capa do seu plano de governo, distribuído durante a campanha eleitoral em 2012.

Em entrevista ao ND Online, o pepista reafirmou a marca que pretende deixar na sua gestão: “Minha principal preocupação é deixar uma marca de respeito e de governo sério.”

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O prefeito diz acreditar que uma boa gestão passa pelo modelo empresarial e por privatizações. Para ele, há má gestão no País. “A iniciativa privada mostra que é mais eficiente do que a pública”, disse ele, citando exemplos de terceirizações dos serviços em saneamento básico e rodovias.

Defensor de uma equipe técnica, Janssen disse que desagradou partidos políticos no começo de seu governo, mas que a agora resultados já são reconhecidos por aliados. “Apenas um terço do meu secretariado é ligado a partido político. Um terço também é formado por pessoal efetivo e outro é técnico.”

Sensível ao setor da saúde, o prefeito ampliou o investimento de 19% do orçamento para 25%. Aumentou os salários dos médicos, construiu e reformou postos. Insatisfeito com a pequena margem para investimentos, contou que alargou a capacidade de investimentos. “Peguei a Prefeitura com 3% de capacidade em investimento. Hoje estamos com 6% e quero chegar a 12%.”

Como foi o ano para a Prefeitura?
Foi um ano de bastante trabalho. Conseguimos colocar vários projetos importantes na rua. Hoje, temos um plano de investimentos que se chama Jaraguá em Ação [Plano Já], que envolve R$ 200 milhões. Isso envolve investimento em todas as áreas. Temos investimento no saneamento, para tratamento de mil litros de água por segundo. Estamos finalizando a Estação de Tratamento de Esgoto no bairro São Luiz, o que vai fazer com que a cidade chegue a 82% de esgoto tratado.

Esse plano lembra o Pacto por SC. Tem algo a ver com a iniciativa do governo do Estado?
Não. Jaraguá passa por um momento muito forte. São vários investimentos que estão na rua, com valores altos. Estamos trabalhando a questão de uma cidade sustentável, do esgoto tratado. Vamos chegar a 95% do esgoto tratado. O lixo reciclado era de 3%, hoje está quase com 12% e queremos chegar a 20%. Queremos chegar a 85 quilômetros de ciclofaixas. Vamos ter uma ciclovia que vai ligar a cidade de ponta a ponta, do bairro Nereu Ramos até o bairro Centenário. Será chamada de Ciclovia do Trabalhador. [Também] estamos implantando corredores de ônibus em diversas ruas centrais. Estamos trocando 272 pontos de ônibus.

Como o sr. avalia a aceitação dos corredores pela população?
Foram aprovados porque vêm para dar pontualidade nos ônibus. As pessoas não precisam mais ficar aguardando no ônibus, trancadas, em meio ao trânsito. Faz com que tenha pontualidade. As pessoas vão acabar optando pelo ônibus porque vai ter mais pontualidade do que o automóvel.

Logo no começo do seu mandato, o sr. barrou o reajuste da tarifa…
Seguramos durante um ano. Ou seja, ganhamos com um ano sem reajuste. Estamos caminhando para uma cidade saudável, que anda de bicicleta, que anda de ônibus, que pratica esporte.

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Por falar em esporte, quais têm sido os investimentos nessa área?
Inauguramos o Ginásio Arthur Muller. Estamos entregando em abril uma nova pista [de atletismo] sintética, com quase R$ 4 milhões. Estamos repaginando a Arena para grandes eventos. Teremos UFC em 2015. Queremos ter em Jaraguá um grande evento por mês.

O senhor considera a reforma e reativação do Ginásio Arthur Muller como o grande feito do governo até agora?
Não. O avanço na saúde. Viemos para a Prefeitura focado em fazer um governo com muita transparência. Na nossa segunda fase do governo queremos fazer mais projetos para uma administração transparente, eficiente. E viemos para cá para fazer uma administração muito correta, com transparência e objetividade. Dentro disso, tínhamos a informação que a saúde era que precisava de mais atenção. A pesquisa mostrava isso. Pegamos o município com 19% do orçamento sendo investido na saúde. Elevamos para 25%. Isso tudo começa a dar resultado. Esse é o foco. Aumentos em 30% o salário dos médicos. Hoje tenho médico presente no posto de saúde praticamente o dia todo. Ampliamos horários dos Pamas, ajeitamos as filas, fizemos mutirões. Então acho que esse é o foco.

A Arena Jaraguá pode ser privatizada?
Estamos tentando. No momento, estamos em contato com uma empresa grande no Brasil para dar sobrenome à Arena.

No final de 2012, Jaraguá teve a confirmação do governo federal para construção de UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) 24 horas. Em que pé está o projeto?
Compramos um terreno com 3.200 metros quadrados, no bairro Água Verde, de frente para a BR-280. A previsão é de 18 meses até o cidadão poder usar a UPA. Também construímos sete novos postos de saúde. Estamos ampliando alguns. Reajustamos os salários dos médicos para ter mais profissionais presentes nos postos. Estamos fazendo uma nova chamada de mais médicos. Tivemos um cadastro com mais de 80 médicos querendo trabalhar conosco. Estamos trazendo curso de medicina para Jaraguá e estamos comprando 85 mil consultas de especialidades e exames por um custo de R$ 4,5 para agilizar as filas.

Na educação, um dos compromissos era instalar ar-condicionado em todas as unidades de ensino da rede municipal. Como está isso?
Estamos investindo R$ 2 milhões na compra de equipamentos. São 325 novos aparelhos. Algumas escolas, que já tinham a rede elétrica preparada, estão recebendo o aparelho nesse verão. Algumas escolas que não tinham a parte elétrica ficarão para o ao que vem, mas os aparelhos já estão comprados. Estamos elevando as escolas de ensino integral para 12 unidades. Nosso objetivo é ter o aluno mais presente em sala de aula.

No ensino infantil, o Ministério Público acionou a Prefeitura para a abertura de mais vagas em CEIs (centros de educação infantil). Como isso foi resolvido?
Nós mostramos [ao MP] nosso plano de investimentos para ampliação das [1.000 novas] vagas. E também construímos novas creches.

Jaraguá conseguiu se recuperar das enchentes?
Em uma semana limpamos a cidade toda. Na semana seguinte, limpados a boca de lobo. Depois disso, fizemos recuperação de pontos críticos, como ruas prejudicadas. Ganhamos R$ 280 mil da Defesa Civil do Estado para ajudar nesse processo. Agora, temos que desassoreamento dos rios e morros de contenção. Estamos concluindo 14 muros em barracos [obras das enchentes de 2008 com recurso federal]. E estamos preparando mais 19 muros.

O que população pode esperar dos próximos dois anos de governo?
Peguei a Prefeitura com 3% de capacidade em investimento. Hoje, estamos com 6% e quero chegar a 12%. E outro foco é a transparência. Estou incentivando a comunidade a criar o Observatório Social. Todos nossos atos estão na internet, no site da Prefeitura. Estou instigando a comunidade a criar ações junto com a agente para me ajudar a dar transparência a todos os nossos atos. O Observatório poderá nos ajudar nas licitações. A nossa Controladoria é considerada um exemplo no Estado porque tem uma equipe forte. Coloquei um gestor. Ele é um técnico e não político. Passou a vida toda dedicada a empresa WEG, no financeiro. Não é só ele que tem esse perfil no meu quadro. Apenas um terço do meu secretariado é ligado a partido político. Um terço também é formado por pessoal efetivo e outro é técnico. Exemplo, Ademar Possamai (Saúde), um gestor que também veio da WEG. Sergio Kuchenbecker (Fazenda) que também dedicou a vida toda à empresa de Jaraguá. Transparência, objetividade, eficiência da máquina pública. E esse será o foco da segunda fase do nosso governo.

Como está a relação do Executivo com a Câmara?
Estamos aumentando a base de apoio para a segunda fase do governo, coversando com o PSDB e se aproximando do PV.

Como o sr. se avalia como prefeito?
De muita conversa. De ouvir as pessoas, de respeitar a comunidade. De fazer uma gestão que ouve as associações de moradores, que valoriza os conselhos. Está dando resultado porque estamos conseguindo ser compreendidos. Os próprios partidos políticos tinham dificuldade de entender no inicio do governo quando quis implantar uma gestão mais técnica. E agora tem boa aceitação.

Tem algo que mudou na sua vida depois que virou prefeito?
Não. Continuo chegando cedo. Na quarta, é sempre voltado para a população. Nos demais dias acompanho a gestão das secretariais, faço visitas a obras. Estou muito próximo da população. O fato de ir e vir de ônibus me deixa de fácil acesso.

E qual será o seu futuro político? Candidato à reeleição em 2016?
Ainda não trabalhamos nessa linha. Minha principal preocupação é deixar uma marca de respeito e de governo sério.

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