Por: Ricardo Daniel Treis | 02/08/2013

Com a mala repleta de tintas e arranhando poucas palavras de indonésio, o artista Paulo Govêa embarcou para a Indonésia para pintar muros em troca de cana, cerveja, comida e surf. Matéria da Revista Trip:

Os bonecos do artista Paulo Govêa são facilmente reconhecíveis pela cidade de São Paulo. Coloridos, quase sempre com a mesma expressão e de longos rostos triangulares, eles vêm sendo a marca registrada do artista pelos últimos anos. No começo de junho, Paulo embarcou para a Indonésia, onde começou a pintar muros das aldeias de Niang Niang, em Mentawai, e as ilhas de Nias, no norte de Sumatra.

Como sprays não são permitidos no avião, levou na bagagem apenas umas opções de tinta acrílica, suficientes para pintar umas dezenas de casas. “Um amigo estava com passagens compradas para a Indonésia e me convidou para ir junto. Achei a ideia perfeita, já que tenho um projeto de vídeo envolvendo diferentes lugares no mundo. Como peguei onda por muitos anos, sempre tive vontade de conhecer o lugar, a cultura”, disse à Trip direto de Uluwatu, um dos clássicos picos de Bali.

O artista passou alguns perrengues para conseguir se comunicar com os locais, mas diz ter ficado surpreso com a recepção, principalmente das crianças. Na companhia do surfista profissional Igor Moraes, fez os primeiros contatos para pintar um losmen (espécie de bangalô) de uma família em Nias. Recebeu cana, cerveja e comida em troca da pintura dos muros. Em Mentawai, estava a caminho de uma praia para surfar quando passou por uma vila. “As casas eram perfeitas para o trabalho, mas a comunicação foi foda. Sentei com um nativo e pedi para ele me ensinar algumas palavras, anotei em um papel e voltei no dia seguinte. Perguntei para uma mulher: ‘Saya cat dinding?’, que quer dizer ‘posso pintar sua parede?’. Ela me olhou com uma cara de quem não entendeu, abri minha mala com as tintas e ela fez sinal que podia. Comecei a pintar devagar, logo depois chegou o marido dela do meio do coqueiral com um facão gigante. Foi tenso! Pensei: ‘será que eu corro ou continuo?’. Logo percebi que ele também tinha aprovado e fiquei mais tranqüilo. A família era gente boa!”.


Caramba, que experiência invejável…

Aqui tem mais trabalhos do cara.