Por: Deivis Chiodini | 4 anos atrás

O UFC chega a Austrália na noite dessa sexta feira (fiquem ligados galera, é na sexta a partir das 21:30), com os 4 lutadores que fazem as o main e o co main event vindo de derrotas. Situação especialmente crítica entre os quatro, do ex campeão dos meio pesados, Mauricio Shogun, que além de sofrer com as derrotas, vem sendo muito criticado pro sua condição física e técnica nos últimos anos. No card preliminar a estréia do bom brasileiro Bruno Santos e a luta do outro brasuca Caio Magalhães merecem uma olhada.

Alistair Overeem vs Antonio Silva

Vamos ao card principal:

Julie Kedzie x Bethe Correia (categoria dos galos feminina): E agora parece que o UFC se sente na obrigação de colocar uma luta feminina em todo card principal, mesmo quando ela não tem nem uma top 10 envolvida. Julie Kedzie vem de 3 derrotas consecutivas (duas no Strikeforce e uma no UFC) e tenta se recuperar contra a estreante brasileira Bethe Correa, que esta invicta no MMA. O negócio aqui é trocação. Kedzie é uma eximia lutadora de taekwondo, que gosta de trabalha os chutes no corpo do adversário, enquanto busca mais o jogo de boxe (afinado na pelos irmãos Pitbull, que lutam no Bellator). A brasileira também gosta de derrubar e usar o ground and pound, pontuando, apesar do pouco poder de nocaute.
Palpite: Bethe controlando a distância e com algumas quedas, leva esse por pontos.

Dylan Andrews x Clint Hester (categoria dos médios): Essa é aquela luta que quando você vê os nomes envolvidos pensa: “ah, dois desconhecidos, luta chata”. Mas nessa podemos nos enganar, pois aqui a potencial para uma grande luta. Dois strikers, que partem pra cima e não gostam de deixar suas lutas nas mãos dos jurados. Andrews é um lutador que apesar de também ter um bom wrestling, gosta da trocação e tem grande coração. Na sua última luta deslocou o ombro no primeiro round, mas continuou e venceu Papa Abedy por nocaute no terceiro. Já Hester é um ex boxeador profissional, que aposta nas combinações de socos para surpreender e busca o nocaute. Aposto numa boa luta.
Palpite: Acho Andrews mais determinado e aposto num nocaute seu no 2° round.

Pat Barry x Soa Palelei (categoria dos pesados): O irregular Pat Barry tenta se recuperar do nocaute sofrido pra Shawn Jordan, contra o lutador da casa Soa Palelei, que vem de uma vitória por nocaute contra o russo Nikita Krylov (juro, no terceiro round eles estavam tão cansados que tava pior que briga de bêbado em festa de igreja). Barry é um conhecido kickboxer, mas ele tem um problema que é grave para qualquer lutador, principalmente na categoria dos pesados, que é o queixo não tão duro. Ele terá pela frente Palelei, um cara duro, com um jogo de chão melhor que Barry, mas com problemas de gás e velocidade, e com pouca variação em seu jogo de striker. Barry mostra mais dinamismo, com melhor movimentação no cage e melhor inteligência na colocação de golpes.
Palpite: Barry por nocaute no 2° round

Ryan Bader x Anthony Perosh (categoria dos meio pesados): Perosh é um lutador de lutas rápidas! Somadas suas duas ultimas lutas, ele ficou no octógono 21 segundos (derrota para Ryan Jimmo e vitória sobre Vinny Magalhães). Brincadeiras a parte, ele é um ótimo grappler, com bom jiu jitsu, finalizador e com bom poder de nocaute, apesar de queixo não tão duro. Já Ryan Bader, esta de volta ao ponto em que sua carreira insiste em permanecer: O meio da categoria. O vencedor do TUF 8 sempre vence lutadores medianos (Brilz, Matyushenko) ou veteranos em declínio (Rampage) e perde pros tops (Machida, Glover). A verdade é que Bader deu um susto em Glover na trocação em sua última luta e merece ser respeitado na luta de pé. No chão, ele é um wrestler muito competente e costuma pontuar muito no ground and pound, sufocando bons lutadores de jiu jitsu como Perosh. Além disso, Bader tem um potencial atlético melhor e dificilmente cansa.
Palpite: Bader, trabalhando o ground and pound por nocaute no 1° round

Mauricio Shogun x James Te-Huna (categoria dos meio pesados): O que falar sobre Shogun? Talento não lhe falta, mas parece que falta explosão e vontade para vencer. Não vemos mais Shogun motivado, com aquele sangue no olho, e isso lhe traz situações difíceis, como ser finalizado numa guilhotina por Chael Sonnen. Ele pode ter sua última chance contra James Te-Huna, um lutador agressivo, que só perdeu pra Glover e Gustaffson desde que chegou no UFC. Te-Huna é um boxeador nato, que gosta da luta na curta distância, absorve bem golpes e tem as mãos pesadas. Shogun também é um striker de alto calibre, dono de um muay thai (que apesar de adormecido) faz frente a qualquer lutador do mundo. O curitibano, apesar de ter sido finalizado, sempre teve um bom jogo de chão e é ai que reside o calcanhar de aquiles de Te-Huna. Shogun fez seu treinamento todo com Demian Maia para aprimorar isso e deve com certeza tentar as quedas em Te-Huna.
Palpite: Shogun é sempre imprevisível, pode fazer um lutão ou uma vergonheira. Mas vou dar mais um voto de confiança pro curitibano. Shogun por nocaute no 1° round

Mark Hunt x Antônio Pezão Silva (categoria dos pesados): Mark Hunt é um ídolo na Austrália. Ex Campeão do K-1, sua carreira no MMA nunca decolou, mas seu jeitão barrigudo, dono de uma pedrada na mão e queixo duríssimo o mantém em evidência. Ele vem de uma derrota para Junior Cigano, mas em muitos momentos deu um “calor” no brasileiro na trocação. Já Pezão, que vem de derrota para Cain Velasquez, tem uma boa trocação, mas um queixo não tão confiável. Ele deve apostar nessa luta no seu jiu jitsu, quedando Hunt (que até que mostrou bons momentos no solo contra Struve), para trabalhar seu brutal ground and pound (quando Pezão consegue a montada, só com guincho pra tirar ele de cima). Em pé, Hunt mostra grande variação e muita potência, e Pezão se aceitar a trocação franca, sem sair do raio de ação, vai se complicar. Se essa luta passar do 3° round veremos cair de qualidade, pois ambos não mostram muito gás.
Palpite: Pezão vai quedar, trabalhar o ground and pound e achar uma brecha para uma finalização no 2° round;