Por: Deivis Chiodini | 3 anos atrás

O UFC vai a Estocolmo na Suécia nesse sábado e o seu main event pode definir novos rumos na categoria dos meio pesados. A luta principal terá o herói local Alexander Gustafsson em busca de sua revanche contra Jon Jones contra um renascido Anthony “Rumble” Johnson, que se firmou nos meio pesados, com duas vitórias expressivas sobre Phil Davis e Minotouro Nogueira. Com o recente caso de doping de Jones, caso o campeão demore a retornar, o UFC pode criar um cinturão interino e a escolha natural para essa disputa seria o vencedor dessa luta contra Daniel Cormier. Temos também a volta de Dan Henderson aos médios, e uma luta que pode transformar Phil Davis ou Ryan Bader finalmente em um contender.

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O evento tem transmissão do Canal Combate a partir das 19 horas. Vamos as análises:

Phil Davis x Ryan Bader (categoria dos meio pesados): Vindo de 3 vitórias incontestáveis, Ryan Bader precisa vencer Phil Davis para finalmente se tornar um dos tops da categoria, após ter tentado e ter sido derrotado pro Lyoto e Glover. Dono de uma mão direita pesada, Bader apresenta brechas em pé, se saindo melhor quando usa o boxe para fazer a transição para o wrestling, essa sim sua especialidade. All American duas vezes, Bader trabalha fortemente no clinche e nas quedas, sendo dono de bom controle posicional e ground and pound agressivo. Seu jiu jitsu não é dos primorosos, principalmente por baixo e contra Phil Davis isso pode ser perigoso. Já Phil esteve perto algumas vezes da disputa do cinturão, mas faltou um algo a mais. A trocação não é das mais fluidas, mas ele usa bem sua envergadura para controlar a distância. E ela deve ser fator fundamental para usar também seu carro chefe: o wrestling. Se Bader foi All American duas vezes, Davis foi quatro, sendo inclusive campeão nacional. Seu trabalho de clinche é fenomenal, usando o corpo avantajado para controlar o oponente e grudar como carrapato. Uma vez no chão, o controle posicional é excelente e qualquer brecha pode ser fatal, pois ele tem um instinto finalizador, com destaque para o bom triângulo de mão.
Palpite: Numa batalha de wrestling, Phil Davis vai desgastar Bader e finalizar no final do terceiro round.

Dan Henderson x Gegard Mousasi (categoria dos médios): Após a passada de carro de Jacaré, Gegard Mousasi precisa de uma boa vitória sobre o futuro Hall of Fame, Dan Henderson, que também não vem em boa fase e decidiu voltar aos médios. Mousasi é um trocador de alto nível, com muay thai bem alinhado desenvolvido na Golden Glory e boxe de boas combinações. O jogo de chão é bom, com alto índice de finalizações e a base de judô ajuda nas quedas. A defesa de quedas, antes uma peneira, evoluiu e hoje já se mostra de nível aceitável. Já Hendo não tem mais a mesma mobilidade de antigamente, que fazia que seu wrestling de nível olímpico fosse dominante, mas ele nunca pode ser descartado. De pé, aquela receita de sempre: Queixo duro, esquerda preparando e achando a distância e a H-Bomb de direita sempre engatilhada, pronta para derrubar até um elefante.
Palpite: Hendo nunca pode ser subestimado, é um perigo constante. Mas Mousasi deve se movimentar, evitar a direita e levar por decisão.

Alexander Gustafsson x Anthony Johnson (categoria dos meio pesados): Demitido após não bater o peso e ser derrotado por Vitor Belfort, Anthony Johnson se reinventou como peso meio pesado, venceu seis lutas fora do evento, e retornou atropelando Phil Davis e Rogério Minotouro, para entrar definitivamente na briga por um title shot. Dono de defesa de quedas sólida (a ponto de renega-las a Phil Davis), bom trabalho de clinche e um kickboxing afiado, com destaque para os chutes altos e a direita potente, que pode levar qualquer um a nocaute. Já Gustafsson foi até hoje a maior ameaça ao campeão Jon Jones. Dono de grande controle da distância, ele tem um footwork impecável e um dos melhores boxes do MMA, com volume absurdo de jabs, combinações rápidas que minam rosto e corpo. O wrestling é bom, a ponto de colocar JJ no chão e a defesa de quedas é boa também. O jiu jitsu mostra evolução, mas ainda não foi colocado a prova e não deverá ser nessa luta. Um choque entre dois dos maiores postulantes ao cinturão e promessa de grande luta.
Palpite: O maior volume de boxe de Gustafsson numa luta de cinco rounds fará a diferença e levará por decisão, sem não antes tomar alguns sustos.