Por: Deivis Chiodini | 5 anos atrás

O UFC continua com seu plano de expandir seus eventos pelo Brasil. Após chegar ao sul do Brasil, com a edição de sucesso em Jaraguá do Sul, o UFC desembarca em Fortaleza, no Ceará, dando suas caras no nordeste do país, uma região conhecida por formar bons lutadores no Brasil.

Essa edição terá a final da segunda edição do The Ultimate Fighter Brasil, que não empolgou tanto quanto a primeira, mostrando boas lutas apenas na reta final. Teremos também a luta entre os treinadores das equipes, Fabricio Werdum e Minotauro Nogueira, numa luta que pode definir novos rumos na carreira dos dois.
Como sempre em eventos no Brasil, o card preliminar esta recheado de nativos. Destaque para estréia entre os meio médios de Ildemar Marajó e a luta do top 10 dos galos Raphael Assunção contra o bom Vaughan Lee.
Já diria Bruce Buffer, sobre a nossa análise do card principal: Itttssss timmmmeee (quem quiser pode mandar meu contato pro Carlos Alberto de Nóbrega depois dessa piada):

Rony “Jason” Mariano x Mike Wilkinson (categoria dos penas): O vencedor da primeira edição do TUF Brasil, Rony Jason e sua indefectível máscara do personagem do filme “Sexta Feira 13” que lhe dá apelido, volta ao octógono em sua cidade natal, contra o até agora invicto Mike Wilkinson. O inglês aposta na velha fórmula do boxe e controle da luta na curta distância, onde tentará manter o jogo de grade e clinche, evitando que o brasileiro o coloque com as costas no chão e tenha tempo para estabilizar as posições e usar seu bom jiu jitsu. Rony mostra grande evolução também em seu boxe e usando muito os chutes nas pernas e pisões frontais. Jason é sem dúvida um dos lutadores mais agressivos da categoria e costuma abafar seus oponentes, e pode não dar tempo para Wilkinson trabalhar seu jogo.
Palpite: Jason vem em grande evolução e tem muito potencial. Aposto em um nocaute no 2° round.

Erick Silva x Jason High (categoria dos meio médios): A promessa dos brasileiros entre os meios médios, Erick Silva, retorna ao octógono mais famoso do mundo, após um período lesionado. Erick tentará se recuperar da derrota sofrida para Jon Fitch (numa das melhores lutas do ano passado) contra o veterano ex Strikeforce e Dream, o americano Jason High. Dono de um bom wrestling, High tem paciência no jogo de chão, encaixa boas finalizações e consegue controlar a luta. Em pé, tem um boxe razoável, mas sofre com a falta de poder de nocaute. Ele terá pela frente a promessa brasileira Erick Silva, que visa atingir a regularidade na categoria e alçar seu caminho ao top 10. Erick é um lutador extremamente agressivo tanto em pé quanto no chão, onde consegue surpreender com boas posições e inversões, principalmente conseguindo “escalar” as costas do oponente. Em pé, o capixaba chega a me lembrar Vitor Belfort no inicio da carreira, sempre andando pra frente, e quando sente o minimo de hesitação no oponente, entrando com uma saraivada de golpes.
Palpite: Erick Silva mostrará que não era exagero quando dizia que pode chegar ao cinturão no futuro e vencerá por nocaute no 1° round

Daniel Sarafian x Eddie Mendez (categoria dos médios): Queridinho do público do TUF 1, o paulista Daniel Sarafian volta ao octógono contra o estreante no UFC Eddie Mendez. Sinceramente não entendo por que essa luta faz parte do card principal, afinal nenhum dos lutadores mostrou nada ainda que merecesse isso. Mendez é um bom prospecto, com uma boa luta de pé e uma mão pesada, as vezes utilizadas pra nocautear,as vezes para controlar seu oponente e pontuar no ground and pound. Sarafian fez boa luta contra CB Dollaway, mas se desconcentrou em alguns minutos e perdeu na decisão dividida. Sarafian tem boas mãos, mas as vezes mantém a guarda muito baixa, então acredita que seria uma boa para ele colocar essa luta no chão, onde seu background é infinitamente superior e tentar a finalização.
Palpite: Sarafian não vai dar bobeira e leva a luta por finalização no 2° round.

Willian “Patolino” Macário x Leonardo Santos (final do TUF 2, categoria dos meio médios): Chegando a final do morno TUF Brasil 2, temos de uma lado a jovem promessa de apenas 21 Willian Patolino, com seu jeito extrovertido e mão extremamente pesada. Patolino se mostrou muito contundente durante o TUF todo, sempre muito confiante, exercendo um grande poder de controle sobre seus oponentes. Na luta de chão não mostrou grandes qualidades, porém se mostrou muito dificil de ser colocado no chão. Em pé, bom muay thai, movimentação constante e um boxe afiado, com a mão muito pesada. Ele enfrentará Leo Santos, um lutador muito mais experiente, com lutas no Japão e que protagonizou uma verdadeira batalha contra Santiago Ponzinibbio na semifinal e foi derrotado. Santiago acabou fraturando a mão e Léo herdou sua vaga. Para ele, o jogo de chão será a chave e tenho certeza que para la que tentará levar a luta pro solo, onde já mostrou grande desenvoltura.
Palpite: Willian Patolino tem um controle muito bom do octógono e levará por nocaute no 3° round

Thiago Silva x Rafael “Feijão” Cavalcante (categoria dos meio pesados): Thiago Silva precisa reerguer sua carreira com urgência. Após chegar a ser postulante ao cinturão, ele tem nas suas últimas 4 lutas, duas derrotas e duas vitórias que viraram No contest (luta sem resultado) por uso de doping. No outro lado, Feijão, cria de Minotauro, chega após ter sido campeão do Strikeforce, mas também com a mancha de sua ultima vitória ter se tornado um No contest pelo mesmo fator que Thiago. Feijão mostra uma boa desenvoltura no jogo de pé, mas peca pela lentidão em recompor a guarda, e contra um lutador que tem o muay thai e a potência de Thiago Silva isso pode ser fatal. No chão, Feijão mostra algumas brechas também, e acho que Silva poderá tirar vantagem disso. O problema dos 2 reside no gás, onde cansam com muita facilidade e essa luta se chegar ao 3° round tem tudo pra cair muito de nível. Os dois se estranharam na imprensa e o trash talk esta comendo solto. Parece que vai sair faísca do octógono.
Palpite: Acho que Feijão tem muito hype por ser um membro da Team Nogueira. Aposto em Thiago Silva por nocaute no 1° round, com direito a sua tradicional comemoração com o a mão na garganta, como se estivesse decepando o adversário.

Rodrigo “Minotauro” Nogueira x Fabricio Werdum (categoria dos pesados): Os treinadores do TUF 2 se encontram pela segunda vez. Na primeira vez, em 2006. Minotauro venceu na decisão por pontos no Pride.

Fabricio Werdum evoluiu muito de lá pra cá. Antes apenas um monstro do jiu jitsu (são muitos títulos mundias e de ADCC), ele começou a treinar com Rafael Cordeiro e mostrou um excelente muay thai nos últimos, como visto na luta contra Roy Nelson. O chão dispensa comentários, e apesar de todo background de Minotauro no jiu jitsu, não acredito que ele levará a luta pro solo. Essa pode ser a chance que Werdum espera, de com uma vitória, alcançar um tittle shot. Minotauro passou por bons e maus momentos nos últimos anos, com inúmeras lesões, mas tem aquele coração de leão que sempre o caracterizou, além de uma grande evolução no seu boxe, com o treinador Luis Dórea. Quando a luta parece perdida, ele costuma dar a volta por cima e tirar uma vitória do nada e isso o que lhe faz ser tão respeitado no mundo da luta. Minotauro também costuma ser conhecido por ter um queixo de pedra,aguentar muita pancada e dar a volta por cima na luta. Isso pode minar o jogo de Werdum, que costumeiramente cansa do 3° round em diante. Será uma luta muito estudada e sem favoritos, em que qualquer detalhe definirá a mesma.
Palpite: Werdum me parece num melhor momento na carreira, mas Minotauro costuma vencer justamente quando acham que não. Vou apostar dessa vez com um pressentimento e não tanto com a razão. Nogueira no 4° round por nocaute.