Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

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Sou um cara que fala demais. Quando começou o boato de que o UFC poderia ser na nossa latitude, passei a ser indagado pelos meus amigos: “É sério esse negócio do UFC?”.
Informalmente, eu respondia: “É claro que não! Aqui não tem aeroporto”. Outra característica minha: Sou lógico demais. Faria sentido que o evento fosse numa capital. Eu ouvira boatos de que Porto Alegre queria o evento na Arena do Grêmio, não saiu. Curitiba, que éa base brasileira de vários lutadores não teve.

Cheguei a pensar em escrever (falar) publicamente sobre esta utopia que entorpecia os amantes do esporte. Eu tinha certeza de que não ia acontecer. Só não escrevi porque a Fernanda, minha namorada, pratica artes marciais desde criança, junto com o irmão, o Mestre Xitão. Logo, por questão de respeito, eu só manifestava o meu ceticismo conversando com eles.

Você já ouviu falar na cidade de Melo, no Uruguai? Não, né? Na década de 80, o Papa João Paulo II visitou acidade. Até hoje, ninguém sabe o porquê!

Ainda quando não acreditava, falei pra namorada: “Quem trabalha com isso tem que ficar com o nariz colado no octagon!”. Me ferrei. Meses depois tive que comprar um ingresso deste, para acompanhá-la. E o destino me faria trabalhar de fotógrafo a noite toda, fazendo fotos dela com as celebridades das lutas.

Quando entrei na Arena, e vi a estrutura montada, entendi tudo. Realmente, o nosso cartão postal tinha mesmo uma caraterística diferenciada do que se vê pelo país. E foi projetada pelo pessoal daqui, hein!

Onde o “multiuso” ficou escondido nos últimos cinco anos?

Pois bem, se a Arena Jaraguá foi o atrativo inicial para este evento, agora temos a comprovada capacidade que a nossa população tem de superar-se. Só ouvi elogios dos forasteiros.

Nunca imaginaria que poderia chegar num restaurante de Jaraguá do Sul, às 2h da madrugada e pedir um jantar. Ainda bem que eu não escrevi sobre isso também, teria que me retratar duas vezes.

Marcelo Lamas, engenheiro e escritor.
marcelolamas@globo.com