Por: Deivis Chiodini | 4 anos atrás

Terceiro melhor lutador peso por peso do UFC,o brasileiro Renan Barão volta a defender seu cinturão contra TJ Dillashaw nesse sábado em Las Vegas. Além disso, Daniel Cormier lutará pelo seu title shot nos meio pesados contra a lenda Dan Henderson, e Robbie Lawler e Jake Ellenberger lutam para se posicionar próximos ao cinturão nos meio médios.

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Nas preliminares, vale dar uma olhada no nosso carismático Francisco Massaranduba, o homem que “nasceu pra bater…pra bater em outra pessoa entendeu?” contra o campeão do TUF 15 americano, o porradeiro Michael Chiesa. Vamos a análise do card principal.

Jamie Varner x James Krause (categoria dos leves): O veterano Jamie Varner chegou a ser campeão do WEC, mas após perder o cinturão em janeiro de 2010, nunca mais se encontrou na carreira, sem conseguir deslanchar uma sequência de vitórias. Vindo de duas derrotas, seu pescoço pode estar em risco, apesar de sempre proporcionar lutas empolgantes. Já o ex campeão do Ressurection, James Krause também vem de derrota e não quer correr o risco de entrar na onda de cortes. Um fator que pode ser preponderante nessa luta é a diferença de tamanho, já que Krause é 17 cm maior que Varner. Caso consiga manter Varner longe ou force a tentar quedas telegrafadas (onde Krause pode usar sua boa guilhotina), ele terá vantagem. Varner deve tentar impor um ritmo com maior velocidade, usando golpes em linha e encurtando para tentar uma blitz de socos, como fez para surpreender Edson Barbosa.
Palpite: Luta que pode ser empolgante, mas vou de Krause por finalização no segundo round.

Takeya Mizugaki x Francisco Rivera (categoria dos galos): O japonês Takeya Mizugaki vem de 4 vitórias, todas por decisão, o que faz com que não ouçamos seu nome entre os cotados para o cinturão. Já Rivera vem de 2 bons nocautes e espera subir no ranking vencendo Mizugaki. Temos um duelo de strikers, mas mesmo assim com estilos diferentes. O japonês prima pela movimentação, com um boxe de bom padrão, mas sem muito poder de nocaute, “cozinhando” seu adversários de pé e pontuando. Já Rivera é mais o porradeiro clássico, que na primeira brecha busca as sequências, algumas vezes combinando com chutes altos. Mizugaki tem um preparo físico invejável e também trabalha bem no dirty boxing, clinchado, o que pode ser uma arma para evitar a potência de Rivera.
Palpite: O bom trabalho de controlar a luta do japonês fará a diferença novamente, com mais uma vitória de Mizugaki por decisão.

Robbie Lawler x Jake Ellenberger (categoria dos meio médios): Uou! Dois caras que gostam de trocar porrada numa luta que pode definir uma chance ao cinturão ou deixar muito próximo dela? Espero uma grande luta. Após desperdiçar grande parte da carreira na categoria dos médios, Lawler voltou ao UFC em 2013 e baixou para os meio médios, onde conseguiu 3 expressivas vitórias e uma chance pelo cinturão contra Johnny Hendricks. Numa luta empolgante e apertada acabou perdendo, mas uma boa vitória contra Ellenberger pode lhe dar a revanche, Já Jake, vinha numa boa sequência até fazer uma luta morna, sem agressividade, onde foi derrotado por Rory McDonald. O caminho para buscar o title shot passa por uma boa vitória sobre Lawler. Esses caras tem um passado de wrestler, mas gostam mesmo é de trocação. Robbie é um lutador duro,com queixo de pedra, daqueles que caminha pra frente mesmo quando atingido e tem uma esquerda cavalar, além de elementos como chutes altos e joelhadas voadoras. Lawler tem sua maior fragilidade no chão, onde não costuma se sentir a vontade e expõe o pescoço, além de que com o passar dos rounds, costuma ceder as quedas. Ellenberger abusa de boa movimentação, bons chutes e cotoveladas e algumas quedas, onde trabalha bem no ground and pound. Pode ser um caminho seguro, buscando abrir uma brecha para uma possível finalização, sem se expor em pé. Caso Ellenberger aceite a trocação, um golpe pode definir a luta, que promete reviravoltas.
Palpite: Jake Ellenberger é um grande lutador, mas Lawler é um osso duro. Vou de Lawler por nocaute no terceiro round.

Daniel Cormier x Dan Henderson (categoria dos meio pesados): Ex-campeão dos pesados do Strikeforce e ainda invicto no MMA, Cormier esta a um passo da disputa de cinturão. Desafeto de Jon Jones, wrestler de nível olímpico (bronze no mundial de 2007), mão pesada, ele é considerado por muitos a maior ameaça a JJ. Mas amigos ele terá pela frente o maior casca grossa da história do MMA. Na minha humilde opinião, não tem luta mais “cabra macho” que Hendo na história. Cinturões do GP do UFC, Pride, Strikeforce, vitórias sobre Minotauro, Wanderlei, Shogun, Fedor, preciso dizer mais? Queixo de aço e dona da direita mais poderosa do MMA, conhecida por “H-Bomb”, Hendo também é um wrestler que disputou Olímpiadas, mas vem abandonando nos últimos a sua modalidade de origem e investindo quase que totalmente na trocação. O seu jogo é simples: Andar pra frente, encurtando e a primeira brecha…boom, H-Bomb e fim de luta. Já Cormier é mais técnico, tem boa movimentação e jogo de esquivas e deve aproveitar cada encurtada de Hendo para o colocar de costas no chão e trabalhar o controle posicional, com ground and pound e quem sabe uma finalização. Cormier é atlético suficiente para trocar controlando a distância contra Hendo, mas um erro nesse quesito vai ser fatal e duvido que ele assumirá esse risco.
Palpite: DC derrubando e controlando no chão, por decisão.

Renan Barão x TJ Dillashaw (cinturão dos galos): Lá vem a Team Alpha Male, com TJ Dillashaw mais uma vez tentando o cinturão dos galos. Wrestler de bom nível, tem evoluído na trocação, e mostrado bom poder de nocaute, ainda mais depois de ter começado a treinar com Duane Ludwig, gás em dia, jiu jitsu justinho afiado por Fábio Pateta. Um bom lutador, com predicados para ser um campeão. Mas ai é que está o problema. Do outro lado não está um bom lutador, e sim uma máquina de lutar chamada Renan Barão. Barão perdeu em sua estréia no MMA em 2005 e de lá pra cá são 32 vitórias. Ele dinamitou a categoria dos galos, com vitórias sobre todos os postulantes ao cinturão de forma incontestável, inclusive o companheiro de Dillashaw, Urijah Faber duas vezes. Se TJ tem boa trocação, Barão segue a eficiente formula da Nova União, com guarda alta, chutes nas pernas, boxes em sequências rápidas, combinadas com boas joelhadas e giratórios no corpo. Barão é aquele cara que sente o cheiro de sangue e costuma não dar duas chances aos seus adversários. Dillashaw costuma querer usar seu wrestling, mas Barão defende 96% das quedas, sendo que a ultima queda que levou foi em 2010, na sua estreia no WEC contra Anthony Leone, em 2010, no terceiro round. Ahh, Leone acabou finalizado nesse mesmo round com um armlock. Barão tem um jogo justo de jiu jitsu, faixa preta da Nova União, ele tem bons ataques as costas e um jogo com muito giro. Ou seja, onde a luta transcorrer, Barão é um lutador melhor que TJ.
Palpite: Quando a porta do cage fecha, tudo pode acontecer. Mas seria a maior surpresa dos últimos anos uma derrota de Barão, que no meu palpite vencerá por nocaute no 2° round.