Por: Gabriela Bubniak | 29/07/2016

Matéria publicada pelo Diário Catarinense.

Aquela velha história de estar em dois lugares ao mesmo tempo, está geralmente ligada a limites, divisas e fronteiras. Ok, isso nem é tão incomum, mas tem uma rua, em uma cidade catarinense, que separa três cidades, três Estados e dois países! :O

Até parece piada, mas não é. A cidade se chama Dionísio Cerqueira, no extremo Oeste do Estado, a 700 quilômetros de Florianópolis. O município faz divisa com Barracão, no Paraná, e fronteira com Bernardo de Irigoyen, no Estado de Missiones, na Argentina. Os 15 mil habitantes têm uma rotina dividida com os paranaenses e argentinos.

Ao circular pela região, somente quem mora por lá sabe onde realmente está. A dica para os visitantes está nos postes de energia elétrica. Os redondos, vermelhos e verdes são catarinenses, enquanto os quadrados, verdes, azuis e brancos sinalizam a cidade paranaense.

Neste mês o Governo Federal reconheceu oficialmente um título que os moradores locais já usam há muito tempo: as cidades de Dionísio Cerqueira e Barracão estão na lista dos 33 municípios brasileiros considerados cidades-gêmeas. O ato do Ministério da Integração Nacional leva em consideração o crescimento da demanda por políticas específicas para as regiões de fronteira e a importância delas para a integração sul-americana, mas não aponta benefícios claros a curto prazo.

Na foto acima, à direita fica a Argentina, à esquerda o Paraná e à frente, no prédio, Santa Catarina Foto: Emerson Souza / Agencia RBS

Na foto acima, à direita fica a Argentina, à esquerda o Paraná e à frente, no prédio, Santa Catarina
Foto: Emerson Souza / Agencia RBS

Cruzar do Brasil para a Argentina a pé não precisa de autorização ou fiscalização, basta atravessar a rua. No lado argentino, as lojas com produtos alimentícios são as mais procuradas. A travessia com carro, porém, precisa ser feita pela aduana. E é por isso que a todo instante turistas estacionam o carro do lado brasileiro e caminham até a Argentina para comprar vinho, doce de leite, azeite de oliva e outras coisas. Assim como são comuns as histórias de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra.

O aposentado Setembrino Nunes de Proença, 67 anos, é gaúcho, assim como grande parte dos moradores da região. Mas reside em Barracão há 40 anos. Suas cinco filhas se casaram com argentinos e todas moram no país vizinho. Mesmo assim, Proença diz que não fala espanhol, mas elogia o lugar onde vive. Apesar de ser uma fronteira, região normalmente conhecida por insegurança, ele diz que nas cidades-gêmeas a situação é diferente:

Setembrino é morador de Barracão, mas as cinco filhas dele residem na Argetnina Foto: Emerson Souza / Agencia RBS

Setembrino é morador de Barracão, mas as cinco filhas dele residem na Argetnina
Foto: Emerson Souza / Agencia RBS

Outro ponto de travessia entre os dois países é o Parque Turístico Ambiental de Integração, construído em parceria entre as três cidades da região. Desde 2009, os municípios, incluindo também Bom Jesus do Sul (PR), distante oito quilômetros de Barracão, criaram o Consórcio Intermunicipal da Fronteira, que desenvolve ações e constrói obras na região. O responsável por fiscalizar o lado brasileiro do parque é um morador de Dionísio Cerqueira. Com um chapéu de palha para escapar do sol, Claudi Valentim dos Passos é responsável por manter a área limpa e organizada. Sob os olhos dele, os visitantes passam de um lado ao outro carregando sacolas.

Fonte: Diário Catarinense