Por: Gabrielle Figueiredo | 1 ano atrás

Neste dia 27 de julho é comemorado Dia do Motociclista, data que também inclui os motoboys, pessoas que utilizam a motocicleta como instrumento de trabalho.

Nós sabemos que, assim como em muitas cidades, o trânsito jaraguaense precisa melhorar muito, e aproveitando o gancho da data, ouvimos cinco motoboys que trabalham em Jaraguá do Sul para saber o que eles têm a dizer sobre o assunto.

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Conversamos com Francisco de Assis Camargo da Rosa, 55, Jonas Ricardo Jardel, 29, Alex Bernardino de Oliveira, 24, Alexandre da Silva Corrêa, 26, e Adão Oliveira Habi, 32. De dia ou à noite, eles trabalham em diferentes horários e rotas, e possivelmente já podem ter encontrado você, motorista, cometendo um erro que não percebeu… Confira essas perspectivas.

Motos e carros

A regra de convivência no trânsito é simples, ela dita que todo veículo maior deveria dar preferência ao menor. Caminhão para carro, carro para moto, moto para a bicicleta e a bicicleta para o pedestre. O maior protege o menor.

Foto: Ricardo Daniel Treis

Foto: Ricardo Daniel Treis

Mas não é assim na prática… O primeiro problema apontado é um reflexo: “Muitos motoristas não respeitam a velocidade máxima indicada nas ruas. Então eles ficam te empurrando, dando sinal e fechadas”, relata Francisco, que trabalha como motoboy há oito anos. Aparentemente, o motorista que “empurra” um motociclista não está se dando conta da consequência desastrosa que pode ter esse ato.

setaPara Jonas, a sinalização é um dos principais problemas percebidos. “Em Jaraguá não existe sinal de pisca”, brinca. Jonas diz que muitas vezes é preciso adivinhar o próximo movimento do carro, e isso os deixa em alerta constante. “Não sabemos se ele vai cruzar, seguir adiante ou o que vai fazer”, conta.

Segundo dados do 14º Batalhão da Polícia Militar de Jaraguá do Sul, a maioria dos acidentes de trânsito no município ocorre por falta de atenção, sendo esta a causa de mais de 2,7 mil ocorrências por ano, em média, no período de 2012 a 2014. Até o fim do primeiro semestre de 2015 também foram registrados mais de 1,3 mil acidentes por esse motivo.

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A estatística é uma confirmação do que o motoboy Adão sente na rua. Trabalhando há cinco anos na profissão, ele declara: “Os motoristas estão muito desligados no trânsito, estão com a cabeça no trabalho, por exemplo, e deixam de focar no que está acontecendo na rua. Assim, acabam cortando a frente das motos e até colidem o carro”.

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Um dos fatores mais comuns de desatenção tem sido o uso do celular ao volante, um mau hábito incorporado pela maioria dos motoristas e que, segundo estudos, aumenta em 400% o risco de acidentes.

Aliado à falta de atenção, há também um obstáculo físico que deixa todos motociclistas alertas: o ponto cego dos automóveis. Alexandre adverte: “Muitos motoristas não percebem (o ponto cego). É uma situação que vejo acontecer com frequência.” Pelo porte das motocicletas, os motoristas precisam ter atenção redobrada a esse detalhe importante antes de qualquer manobra.

Em vermelho, áreas de risco como pontos cegos dos automóveis

Em vermelho, áreas de risco como pontos cegos dos automóveis

Por fim, a gentileza

Que tal promovermos o convívio amigável? Não só as ultrapassagens das motos podem ser viabilizadas, dando-se ao motociclista espaço à esquerda para tal, mas parados os automóveis também podem auxiliar sua mobilidade com a formação dos corredores. Andar de moto no corredor é permitido no Brasil e um hábito não só em grandes cidades do país, como em lugares da Europa e da Ásia, onde o espaço é visto como uma necessidade para o trânsito fluir.

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Sem corredor, sem mobilidade. Foto: Ricardo Daniel Treis

Lembre-se da gentileza, você pode fazer a diferença no dia de uma pessoa. “Muitos motoristas não estão preocupados se estamos trabalhando, se temos família em casa ou qualquer outra coisa”, encerra Alex, ressaltando um aspecto que nunca podemos esquecer: dentro de cada automóvel há sempre uma vida.