Por: Raphael Rocha Lopes | 6 anos atrás

Entre 1997 e 2002 havia um seriado chamado “Ally Mcbeal”, que tratava da vida de uma advogada. Ally Mcbeal (Calista Flockhart) trabalhava em um escritório cujos proprietários eram um advogado dinheirista (Greg Germann como Richard Fish) e outro lunático (Peter MacNicol na pele de John Cage), que encontrava as soluções refletindo andando de meias após o expediente, quando todos já tinham ido embora.

Era um seriado bem divertido, com ótima trilha sonora embalando os episódios ao som, principalmente, de Vonda Shepard e Barry White. O mote do programa eram os dilemas pessoais da protagonista Ally. Contudo, ainda mais divertidas eram as catarses dos sócios tão diferentes e tão complementares.

Digo tudo isso apenas para situar meus nobres leitores sobre o que um dos sócios proprietários certa vez falou (adivinhem qual). Discorrendo sobre as razões do trabalho e dedicação, ele disse que nós devemos ser movidos por 4 D’s: Dinheiro, Diversão, Dinheiro e Dinheiro.

No contexto foi engraçado. Na vida real, não acredito que seja assim. Penso diferente. Só um pouco; uma questão de ordem dos fatores. Eu acredito nos mesmos 4 D’s, apenas de modo inverso: Diversão, Dinheiro, Diversão e Diversão.

Tudo o que fazemos tem que ser divertido. Não consigo conceber nada sem diversão. Claro, há os momentos sérios e até mesmo sisudos, mas se não nos divertirmos com o que fizermos, envelheceremos muito rápido, ficaremos ranzinzas muito rápido e deixaremos de aproveitar o mais importante: a vida.

O trabalho deve ser divertido. Por mais sério e compenetrado que venha a ser o ambiente, temos que estar contentes com o que escolhemos para fazer. É o nosso dia-a-dia. Claro que não dá para soltar gargalhadas todos os dias e muito menos em todas as situações, contudo elas devem aparecer de vez em quando.

Temos que sorrir muito. Óbvio que não quero dizer que devemos rir de tudo, porque senão os palhaços seremos nós. Há momentos sérios que nos exigem seriedade sem brincadeiras, e há casos em que saímos do sério para o lado ruim (como aqueles provocados pelos “seres” comentados no artigo da semana passada). Porém, é importante que saibamos lidar com as adversidades de uma forma que saiamos com lições e não percamos a razão.

Podemos salvar o mundo, podemos conquistar o mundo, podemos apenas viver o mundo. Tudo ficará mais fácil com bom humor. Não precisamos ser politicamente corretos – uma das coisas mais chatas que inventaram nos últimos tempos – mas, sim, simplesmente corretos. Devemos nos empenhar, tentar fazer o melhor, perder algumas horas de sono, correr um pouco mais hora ou outra, pisar no freio em outras. Curtir os filhos, os pais, as namoradas, os amigos, plantar uma ou muitas árvores, escrever uma poesia ou um livro. Tentar cozinhar, pensar em praticar um esporte, nem que seja no vídeo-game, criar algum drinque, dançar com música alta em casa sem ninguém ver, cantar no chuveiro, respeitar (simples assim), ler, pegar uns bons filmes velhos na locadora, ir ao cinema. Melhorar a postura, os modos e a cidade. Mas tem que ser divertido!

Quem quiser conhecer ou relembrar da Ally Mcbeal, no www.bacafa.blogspot.com tem uma ligação para um clipe do seriado, com participação especial do Robert Downey Jr. (hoje mais conhecido como Homem de Ferro) e do Sting.

Por Raphael Rocha Lopes