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Parecia que o Stark seria um daqueles veículos que exibem muitos protótipos, mas que jamais chegam às ruas. A saga do jipinho começou em 2004, quando foi criada a TAC – Tecnologia Automotiva Catarinense –, com a proposta de produzir em baixa escala na cidade de Joinville um veículo off-road de chassi tubular. No mesmo ano foi apresentado o primeiro protótipo, chamado de Projeto A4, ainda com carroceria aberta. O aspecto mais definitivo do produto foi exibido em outubro de 2006, no Salão de São Paulo, na época com um motor 1.6 TotalFlex da Volkswagen sob o capô. O lançamento comercial ocorreu na edição de 2008 do mesmo evento, onde surgiu um novo protótipo equipado com motor 2.3 litros turbo diesel, da FPT. Lá foi vendido um lote inicial com 25 unidades do Stark. No ano passado, os derradeiros pré-série foram submetidos a mais testes. Mas os modelos da versão definitiva começaram a sair da linha de montagem apenas em dezembro de 2009. As vendas são direto com a fábrica, mas a primeira concessionária TAC foi aberta semana passada na capital paulista. A marca ambiciona se consolidar nacionalmente até 2012, quando espera estar produzindo 250 unidades mensais – em janeiro, 14 Starks foram montados.

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O 4X4 catarinense chega ao mercado com um concorrente direto: o T4, da montadora cearense Troller, atualmente controlada pela Ford. Como o T4, que vende em média 120 unidades mensais, o Stark é um projeto nacional, que utiliza um chassi de estrutura tubular, do tipo “ gaiola ”, e carroceria em resina reforçada com fibra de vidro. No caso do jipinho sulista, o estilo ficou por conta da paulistana Questto Design e já rendeu ao modelo prêmios de design no Brasil e no exterior. Com 4,04 m de comprimento, 1,88 m de largura – com os retrovisores abertos – e 1,86 m de altura, o aspecto robusto começa pelo capô com vincos pronunciados e grandes ressaltos, que evocam uma “ musculatura ”. Os faróis principais e auxiliares redondos quebram um pouco o ar sizudo e conferem um aspecto jovial à frente. De perfil, os avantajados para-lamas em termoplástico preto de alto impacto e os estribos reforçam a disposição utilitária, enquanto os piscas integrados aos espelhos emprestam modernidade. Já na traseira, o maior destaque são os dois pares de lanternas redondinhas de aspecto retrô-futurista.

Mas uma carroceria moderninha e simpática não bastam para quem pretende se arriscar com autoridade nos buracos, barrancos e lamaçais desse Brasil afora. Para dar suporte à proposta off-road era preciso ter também fornecedores de confiabilidade já testada e aprovada. Assim, a transmissão conta com uma caixa Eaton de cinco marchas sincronizadas, tração nas quatro rodas com reduzida da BorgWarner e diferenciais da Dana, com bloqueio na traseira. Os pneus são Pirelli Scorpion ATR 255/70 R16 e os amortecedores vêm da Monroe.

Já sob o capô, a opção foi pelo motor 2.3 turbo diesel intercooler eletrônico common rail, produzido pela FTP na cidade mineira de Sete Lagoas. Trata-se do mesmo propulsor que move os utilitários Fiat Ducato e Iveco Daily, com 127 cv de potência máxima aos 3.600 giros e torque de 32 kgfm disponíveis já em 1.800 rpm. Além do propulsor, vários componentes do interior do Stark são “ emprestados ” de Ducato e Daily. Em conjunto com os diversos parafusos aparentes e algumas rebarbas, ajudam a conferir um aspecto bastante rústico.

Tal despojamento interno chama ainda mais a atenção pelo fato de que, apesar de o Stark ter uma aparência um tanto lúdica, o preço anunciado não está para brincadeiras: R$ 98.780. Cerca de R$ 14 mil acima da versão básica do concorrente T4. Ou seja, para atingir seus objetivos de vendas, o Stark vai ter de usar suas proclamadas habilidades off-road para transpor obstáculos árduos. Como o profundo desconhecimento da marca, num segmento onde confiabilidade é de vital importância.

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