Por: Sistema Por Acaso | 4 anos atrás

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A desnutrição é um problema que assola o nosso planeta e, infelizmente, não é simples de ser resolvido. Não se trata apenas de dar para as pessoas o que comer, mas sim garantir que elas recebam todos os nutrientes de que necessitam. Nos países em desenvolvimento, encontramos pessoas que vivem com uma dieta bastante limitada, o que pode resultar na deficiência de vitaminas vitais para o organismo.

Mesmo com esse panorama preocupante, tudo indica que uma solução para o problema pode estar a caminho. Através de seu instituto, Bill Gates está financiando o desenvolvimento das “superbananas” geneticamente modificadas. O diferencial dessas frutas está na introdução de betacaroteno, que é uma substância fundamental para que o nosso organismo possa produzir vitamina A.

Falando assim, pode até não parecer que essas bananas serão revolucionárias no combate à desnutrição, mas precisamos nos lembrar de que a deficiência de vitamina A é preocupante nos países em desenvolvimento. Especialistas apontam que a falta da substância é responsável pela morte de 650 mil a 700 mil crianças anualmente. Outras 300 mil conseguem driblar o fim trágico, mas acabam perdendo a visão.

A criação de um superalimento

Ao aperfeiçoar alguns genes das bananas, os cientistas conseguiram criar uma fruta que pode ajudar a combater todos esses problemas. Talvez você já saiba que o betacaroteno é uma substância de cor alaranjada, o que explica a coloração que encontramos em cenouras, laranjas, abóboras e outras frutas e vegetais. Algumas bananas são ricas em betacaroteno, mas essas variedades não são cultivadas para consumo humano. Mesmo assim, elas serviram como fonte de material genético para que os cientistas da Queensland University of Technology pudessem criar as superbananas.

Para isso, os especialistas isolaram os genes responsáveis pela síntese de betacaroteno presentes nas variedades não comestíveis de banana e introduziram nas frutas que todos nós conhecemos. Com mais um toque de engenharia genética os cientistas conseguiram desenvolver uma fruta que produz grandes quantidades de betacaroteno. A única diferença é no visual – por baixo da casca, as superbananas são mais douradas do que as bananas tradicionais.

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Uma possível solução

Você pode estar se perguntando por que se dar ao trabalho de modificar geneticamente uma banana quando parece tão mais simples enviar certas quantidades de cenouras para os países em desenvolvimento. Os especialistas revelam que já perceberam há muito tempo que é logisticamente complicado enviar alimentos constantemente para combater a desnutrição. Por outro lado, cultivar os alimentos localmente é uma maneira muito mais viável. Produtos agrícolas básicos – como a banana em regiões tropicais – são ideais para a subsistência de fazendeiros que já sabem como cultivá-los.

A superbanana está programada para ser testada em humanos nos Estados Unidos nas próximas semanas. Os pesquisadores pretendem monitorar os níveis de vitamina A para verificar se a ingestão das bananas realmente surte efeito. Sabemos que sempre que tratamos de alimentos geneticamente modificados surgem controvérsias. Nesse caso, precisamos levar os testes e os fatores de risco em consideração. Se as bananas realmente servirem para prevenir milhares de mortes, existe um lado mais do que positivo na introdução desse alimento.

O custo de 10 milhões de dólares será pago pela Gates Foundation e se os resultados forem aprovados, as bananas geneticamente modificadas devem começar a ser cultivadas na África em 2020.

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