Por: Sistema Por Acaso | 02/07/2014

Carlos Burle é colunista para a revista Men’s Health. Ví hoje de manhã esse texto que ele escreveu sobre estilo de vida e comportamento e me senti na obrigação de compartilhar.

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Manhã pacata. Céu calmo e azulão. Mar na mesma. Não se vê ninguém por perto na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ). São 8h de 11 de novembro, segunda-feira. Ele chega sem camisa, de bermuda, chinelo, mochila nas costas, prancha de surfe debaixo do braço. E sorrisão no rosto. Pinta de brincalhão. A simpatia é incontestável. A humildade também. Carlos Burle cumprimenta cada um que está a postos na areia: o editor de arte da MH, o fotógrafo, dois assistentes e o maquiador, que de cara recebe uma missão bem diferente da do ofício dele. Desafio. “Tá a fim de perder umas calorias? Enche para mim esta mochila com a bomba. Ela é uma prancha de stand up paddle”, lança Burle. Descontração geral. O maquiador pega os pincéis, dá um tapa na fachada do surfista e vai, bravio, transformar a bolsa em SUP enquanto rolam os primeiros cliques. Mas, em minutos, todo mundo para. Um cara vindo do nada encosta na galera e analisa um por um. Quando mira Carlos Burle, diz, antes de seguir na caminhada: “Não tenho ídolo. Mas se eu tivesse um ídolo, seria você.”

Há 15 anos, Burle venceu o primeiro Campeonato Mundial de Ondas Grandes da história. E foi na remada, ou seja, sem tow-in (entrar na onda com a ajuda de jet ski). Há 12, o pernambucano de Recife estreou no Guinness Book: pegou a maior vaga já surfada no mundo até 2001. Na lendária praia de Mavericks, Califórnia (EUA), Burle, com 1,72 m e 68 kg, descera uma onda de 22,6 m – altura de um prédio com cerca de sete andares. Sim, quando falamos de ondas grandes, na verdade falamos de ondas gigantes que podem esmagar a vida humana num estalo. Há quatro anos, então com 42 de idade, ele se sagrou de novo campeão mundial de ondas grandes, também na remada. Mas a ideia que aquele pedestre da Barra tem de ídolo vai muito além da pessoa que acumula troféus. Exatamente 17 dias antes daquela manhã de maré mansa, Carlos Burle fizera mais. Muito mais.

Não espere sentado, corra atrás das melhores chances

Era 28 de outubro de 2013. Um swell (sequência de séries de ondas geradas a partir da energia de uma tempestade que aconteceu em algum lugar do oceano) monstruoso enfurecia as águas da Praia do Norte, em Nazaré (Portugal). Cerca de 20, 30, 35 m de altura… Paredões se erguiam no mar com imponência raramente vista. “Surfo há 33 anos. Tenho 28 temporadas no Havaí (EUA) e já viajei o mundo inteiro em busca de ondas. Mar como o daquele dia, vi só uns dez ”, vibra Burle. “Na Inglaterra, falam que foi a tempestade que fez as maiores ondas da última década.”

Não à toa, lendas vivas do surfe estavam em Nazaré naquele dia épico. Entre elas, o havaiano Garrett McNamara, o atual dono da marca do Guinness. Em 2011, desceu a maior onda já surfada: 23,77 m no mesmo mar lusitano. Burle, 46 anos, fora a Nazaré com os três pupilos que tutora: Maya Gabeira (26 anos, pentacampeã do Prêmio Internacional Billabong XXL de Ondas Grandes, categoria Melhor Performance Feminina); Pedro Vianna, o Scooby (25 anos e finalista, em 2011, do XXL nas categorias Drope do Ano e Tubo Versão Remada); e Felipe Cesarano, o Gordo (26, finalista no Billabong XXL de 2012). Todo mundo doido para se jogar no furacão. Burle queria que isso acontecesse sem que ninguém tirasse o pé do chão. Ainda bem.

Encare desafios domando sua adrenalina, e a do grupo

“Imagina ter o melhor carro de Fórmula 1 do mundo, o melhor equipamento, receber o melhor treinamento, o apoio da melhor equipe e não ter pista”, propõe Burle. “Surfistas de ondas gigantes nem sempre têm pista. Quando ela aparece – meu Deus do céu! – a gente quer cair na água de qualquer jeito.” Mas com domínio da situação, ok, no que diz respeito a manter a cabeça no lugar entre fortes emoções. E o cabeça do grupo precisa estar apto a, muitas vezes, manter a calma e a confiança da equipe inteira. “Quando vi um mar especialmente grande, pensei: se eu vacilar aqui, essa molecada vai ser contagiada pela adrenalina e a gente não vai render. Não posso deixar o excesso de adrenalina mandar na parada”, diz Burle.

Em dois jet skis, ele, Maya, Scooby e Gordo entraram nas águas de Nazaré. A vida de um na mão do outro. “Presta atenção que o mar tá grande e muito bom, galera! Não percam o foco. Ó, sou mais vocês, hein! Gordo, pula na água e agarra a corda [amarrada ao jet]”, grita o veterano. Em menos de um minuto, entrou uma série de ondas. Burle acelerou o jet, colocou Gordo numa vaga gigante e… “Ele abriu o mar com muita classe! Ninguém tinha surfado ainda!”, comemora. O time brasileiro ganhou confiança. E mais adrenalina que, dessa vez, foi apaziguada pela natureza.

Ouse com respeito. O mar sempre é mais forte que você – não importa o tamanho dele. “Depois que o Gordo largou a corda, achei que estava saindo da onda num lugar tranquilo”, confessa Burle. “Só que o jet ganhou muita projeção, quase caí para um lado e o rádio caiu do outro.” Sem transmissor, e ainda mais cauteloso, ele acelerou para buscar o Gordo extasiado – surfara a maior onda da vida! De volta ao outside (lugar do mar mais distante da praia onde as ondas se erguem): “E aí, Maya, vamos surfar?”, diz Burle.

Ela foi para a corda. “Quando olhei, Maya estava fazendo exercícios de respiração para se acalmar.” E não soltou a corda para encarar a primeira onda que Burle propôs. Nem a segunda. Pediu uma vaga menor. “Hoje, não tem onda menor. E se tivesse, você iria se expor tanto quanto numa onda maior”, responde Burle. Maya viajou por um instante. Lembrou de Teahupo’o, no Taiti (Polinésia Francesa), dois anos atrás. “Rolava a quinta etapa do mundial de ondas grandes e ela quis pegar uma menor para dar uma esquentada.” Caiu. Tomou cinco vagas na cabeça e saiu do mar vermelha de sangue. Trauma vencido. A surfista passou a treinar apneia estática na piscina e mergulho livre no mar. Desenvolveu-se mais. Ganhou, por exemplo, a capacidade de ficar quatro minutos debaixo d’água sem respirar.

De volta a Nazaré, Maya fez sinal de vamos lá, quando Burle viu que McNamara e Andrew Cotton, surfista inglês, estavam sendo puxados para entrar numa onda. “Gritei: vou puxar você ao lado deles!”, diz Burle. Maya deu um ok tranquilo, achava que um dos caras ia surfar a vaga e ela teria de sair. Mas eles não largaram a corda. “Maya, sobrou a onda da sua vida!”, gritou Burle. Ela puxou a corda amarrada ao jet para ganhar velocidade e, bem do pico da onda, foi descendo numa linha praticamente reta. “Ali, a onda é onda mesmo, fica gigante. Se você for para o rabo [lado mais aberto, contrário à espuma], ela fica menor”, explica Burle. “Essa menina é muito casca grossa, muito preparada. Escolheu uma linha agressiva. Poucos têm coragem.” Mas deu errado.

Ponha a mão no fogo por quem você confia

Maya quebrou o pé quando, de repente, a prancha quicou demais na parede da vaga. Ela caiu. E levantou do primeiro caldo. Tomou outra onda na cabeça. A terceira, levou enquanto ainda estava debaixo d’água. A porrada no peito arrancou o colete salva-vidas. “Quando ela tomou a segunda onda e sumiu, pensei: vou ter de entrar nesse beach break (ponto do mar com fundo de areia onde as ondas quebram)!”, conta Burle. “Ninguém queria ir, ninguém naquele dia foi naquele quebra coco! E na hora que perdi Maya de vista, não tive dúvida: eu devia ir.”

Burle pensou que ela estava bem quando chegou perto e jogou o sled (espécie de trenó preso ao jet para o surfista se apoiar com a prancha). Mas a filha de Fernando Gabeira, ex-candidato à presidência do Brasil, estava em choque, não tinha reação. “E as ondas não vinham só do horizonte. Chegavam das rochas, da beira do mar, de um lado, do outro…”, lembra o campeão. Uma delas passou por Maya e levou-a em direção às pedras. Burle não vacilou. “Eu não podia perder as esperanças que também eram dela.” Pulou na água. “Vou agarrar um cabelo, uma unha, qualquer coisa, e não vou largar mais. Se não, Maya já era.” Conseguiu agarrar a surfista já com a cabeça afundada e o corpo pesado, sem sinais vitais. “Fiquei chamando o salva-vidas que estava na praia.” Mas ele não foi – “me falou: ‘Ninguém entra nesse mar e estou sem pé de pato’”. Veio outra onda e empurrou Burle e Maya para a beira da praia. Aí, o salva-vidas foi.

Na areia, Burle mandou ver numa técnica de salvamento que aprendeu no Havaí. Tudo à base de massagem, nada de respiração boca a boca. Maya vomitou duas vezes e acordou. Imediatamente, colocaram-na na ambulância. “Já tinha ajudado a salvar vidas, mas nunca havia aplicado a massagem”, confessa o surfista. “Só que foi a capacidade de Maya de se manter viva que me fez conseguir salvá-la.”

Aproveite seus medos turbinando o autoconhecimento

Respire. “Três águas e três chopes, por favor”, pede Bruno, que fez esta reportagem comigo. Ele, eu e Burle passamos um fim de tarde num boteco da Vila Romana, em São Paulo (SP), 20 dias após a odisseia de Nazaré. Impossível saber quem está mais em alfa. O queixo do Bruno cai até a mesa, quiçá até bem abaixo dela. Burle e eu temos olhos marejados. “Cara, você não sente medo?”, pergunta Bruno. “Morro de medo! Só que uso os medos que sinto para me preparar para as próprias situações que me causam medo. Aí, ganho coragem”, responde o campeão. Seus temores podem ser seus camaradas. “Se você teme algo, precisa se perguntar por quê? Não seria mais importante enfrentar?”, provoca Burle. “A vitória pode demorar, mas vale. Medos são ingredientes essenciais para o bolo sair certo.”

“Como entrar em contato com os medos e ganhar força com eles?”, pergunto. “Apostando nas ideias de liberdade, experiência e equilíbrio. Trabalhando o corpo e a mente com elas, você ganha autoconhecimento e pode conseguir o que quiser”, ensina o surfista. “Se você fala para sua mente ‘não posso fazer isso’, vai excitá-la a fazer. Se você diz ‘posso, mas não quero’, domina a parada. É melhor pensar que pode tudo. A vida é um laboratório, experimente.” Não deixe ninguém limitar seus sonhos, nem você mesmo. “Não há verdade absoluta. A maconha é ilícita no Brasil. Em outro país, não é. Dentro das leis, claro, você é quem deve construir sua verdade. Mas, nesse processo, é importante ter atitude positiva com a vida e se permitir errar, não ser perfeito.”

Burle lembra da dona Susana. “Quando comecei a surfar, minha mãe falou: ‘Você sabe o que é droga, filho? Droga é o que domina você – uma atitude, um cafezinho, qualquer coisa. Se algo mandar em você, pule fora’. Penso nisso todo dia.” Sábia dona Susana, sábio Burle. “Para não ser dominado [pelo medo, por exemplo], você também deve trabalhar para manter seu corpo sempre pronto para o que der e vier – uma balada, uma competição, uma viagem.”

Hoje, Burle treina surfe e SUP duas ou três horas, de quatro a cinco vezes por semana. Também faz uma hora e meia de musculação, três vezes por semana. Todo dia, pratica ioga, reza e medita. De três a quatro meses por ano, fica no Havaí treinando surfe – claro! – musculação, ioga, pedal em subida de morro. “Mas, duas vezes na semana, não faço nada. Às vezes, fujo da regra: descanso mais e treino menos.”

Respeite seu shape. “Aprendi bastante com minhas contusões – já tive fissuras em vértebras, no fêmur, no pé… Meu corpo não era forte para segurar porradas de ondas grandes”, confessa. “Quando me machuquei pela primeira vez, o médico falou que eu precisava respirar melhor, aprender a sentar.” Então, em muitos períodos, Burle investiu em treino funcional, pilates… E foi aprimorando o conhecimento sobre o shape. E o domínio sobre os medos.

“Por que a gente estava em Nazaré naquele dia? Porque a gente queria pegar ondas gigantes. E as maiores ondas gigantes. Então, falei para a moçada: quem travar vai para o canal [trecho do mar com correnteza e sem onda]. Travou, canal”, diz Burle. “A batata está assando mesmo, é risco de vida e quem não travar vai surfar a onda da vida!”, brada o líder. Maya, até cair, surfou. Scooby também. Gordo também. Especula-se que eles dois também bateram o recorde de McNamara. A confirmação só virá no Billabong XXL, em maio de 2014, quando o Oscar da maior vaga surfada no mundo deve passar mesmo é para as mãos de… Carlos Burle!

Ouça os mais experientes

“Depois do resgate, quis muito voltar ao mar. Scooby e Gordo estavam lá, precisava ver o que acontecia”, diz Burle. Mas os locais não quiseram pôr, imediatamente, o jet do campeão na água. Falaram que, naquelas condições de mar, não era para entrar pela arrebentação. Burle parou, pensou e concordou – “se entrar ali, vou expor mais gente, e é irresponsabilidade”. Os locais ajudaram Burle a levar o jet ao carro, do carro ao porto, do porto ao mar, onde é mais seguro.

“Umas duas horas depois do salvamento da Maya, cheguei ao outside de novo. A água já estava bagunçada, mexida. A capitania dos portos pediu para fechar o mar, me avisaram os meninos”, diz Burle. Mas ele tinha certeza de que a direção do vento ia mudar. “O vento não vira de uma vez! Quando vai passar de um quadrante para outro, dá uma parada. O mar ia ficar liso por minutos”, explica. “Eu mentalizava: me dá uma onda, só uma onda. Não queria sair daquele mar sem saber qual era a sensação…”

Burle pediu para Scooby puxá-lo e eles discutiram.  “Foca, porque você vai pegar esses mares para o resto da vida e você só tem 25 anos”, diz o veterano ao pupilo. “Vem você, Gordo, me puxa!”, pede Burle. “Scooby me interrompeu no grito: ‘Gordo o c@r@***! Quem vai puxar sou eu!’ Devolvi: então puxa que nem homem! O moleque ficou irado e me colocou muito bem na onda logo que o mar alisou.”

Hora de pôr à prova o treinamento de uma vida. “A sensação é de apreensão. Pensei: vai ser gigante, o que vou fazer? Meu coração disparou. Foquei na concentração”, diz Burle. “Comecei a checar tudo: estou bem posicionado?; o pé na alça está certo? Nas ondas de Nazaré, você pega muita velocidade, uns 70 km/h. De que forma vou surfar essa onda?” Ele resolveu seguir o conselho de outro veterano. “Garrett (o surfista que descobriu a onda de Nazaré junto com os portugueses e a fez conhecida no mundo) tinha me falado: ‘Se você conseguir pegar a onda e no final virar para a direita, você sai no canal da direita.” Aconselhado e feito.

Carlos Sanfelice, diretor do programa Desejar Profundo (Canal Off, TV paga) que Burle apresenta, estava em cima do penhasco, ao lado de um fotógrafo português que, por sua vez, também estava lá no ano em que McNamara desceu uma vaga de 30 m – e não levou o recorde mundial, porque ela não estourou. “Meu diretor disse que, logo depois que desci aquele monstro do mar, o fotógrafo fechou a lente e falou: ‘Essa onda foi igual à do Garrett, só que quebrou. Vou ter de distribuir a foto para o planeta todo’.” Estima-se que a vaga que o brasileiro surfou, em 28 de outubro, tenha entre 30 e 35 m – altura de um prédio de 10 a 12 andares. E ela quebrou. “Foi como surfar à frente de uma avalanche.”

Goste muito do que você faz

O que dá vida a você? O surfe dá vida a gente como Carlos Burle. “A onda grande, perfeita, é como uma mulher nua. Você vai cheio de tesão”, compara o campeão. “Aí, quando você começa a se relacionar, percebe que ela envolve muito mais que aquela primeira emoção. De repente, dá medo: ela quer que eu vá ali, mas é perigoso. Será que me entrego? É uma tentação apaixonante. A onda grande, perfeita, me envolve de uma maneira que eu fico… meu Deus do céu!”

“Tá com fome, Burle?”, pergunto. Já é hora de jantar. “Morrendo de fome”, ele responde. “O escondidinho deste bar é uma delícia”, sugiro. “Garçom, um escondidinho, por favor”, pede o campeão. “De que adianta você ter tudo e não ver o filho crescer, estar com a esposa, tomar um chopinho, comer um escondidinho?”, continua o pai de Iasmim, 15 anos, e Reno Kai, 3. “Quando seus filhos nasceram, você cogitou pegar mais leve no surfe?”, lanço. “Nada! Pensei: que bom, mais gente para remar comigo!” Para Carlos Burle, qualidade de vida é ter tempo para curtir as pessoas de quem você gosta e trabalhar no que você gosta.

“Você está numa onda que viajou o mundo para chegar ali – água salgada conectando você a mais partes do planeta. Você surfa em energia. Por isso, é um esporte tão único, alucinante, perigoso…” Razão pela qual muitos surfistas se acham superiores a outras pessoas.

“Só que ninguém é melhor que ninguém. Você pode ser um campeão em algo que não faço ideia de como se faz. Mas somos iguais: carne, razão e espírito. Sinto medo, você sente medo; estou envelhecendo, você está envelhecendo.” Todo mundo que busca ter corpo, alma e mente fortes pode alcançar o ápice. “Ah, para chegar à crista da onda, também é preciso paciência para caramba!”

Pondere o limite de críticas, coragem e responsabilidade

Após descer do topo da inédita vaga de Nazaré, ao chegar em casa o campeão foi questionado pela esposa. “Ligia me falou: ‘Pensei que você tinha mais controle da situação!’”, diz Burle. “Ela entendeu minha explicação: amor, se eu quisesse ter controle da situação, não ia escolher surfe de ondas grandes. Sou como um bombeiro. Ele treina, faz curso, se especializa, apaga vários incêndios pequenos até que chega o incêndio da vida. Ele entra no prédio gigante, em chamas. Você acha que ele tem controle da situação?”

Já o americano Laird Hamilton, surfista de ondas grandes, caiu matando. Afirmou que Burle não vai bater o recorde, pois não surfou como deveria. “Surfei na parte maior da onda e quando ela estava mais forte. Fui até perto do penhasco com a espuma já atrás de mim: completei a onda!”, reponde Burle. Quando ela o pegou, ele não quis saber e largou a prancha, que foi para perto da praia – onde Maya quase morreu. E o campeão saiu pelo canal da direita como Garrett indicou. “Hamilton é um de meus ídolos, mas ele não tem experiência naquele lugar. Em Nazaré, você tem de surfar de forma diferente. Ele nunca foi lá e você precisa de experiência para falar com mais conteúdo.”

Hamilton engrossou as críticas, afirmando que Maya não deveria estar ali por falta de experiência e que a responsabilidade era de Burle. “Sempre caem na minhas costas por causa dela, dizem que não tem tanta habilidade e tal. Cara, Maya ama o que faz, não vai enjaulada para a água. Larga a corda na onda que quer, no momento que quer… Sou uma ferramenta para ela conquistar sonhos”, diz Burle. “Quando cheguei ao hospital para visitar Maya, ela me disse: ‘Ainda bem que a gente foi naquela onda, hein!? Morri sem sofrer, porque estava fazendo o que amo. Só sentia saudade dos meus pais e meus amigos. Mas faria tudo de novo.” De novo, água nos olhos de todo mundo à mesa. “Garçom, a conta, por favor”, pedimos, já tarde da noite.

Via Men’s Health