Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

Na semana passada eu tinha uma confraternização com o pessoal do trabalho. Resolvi levar meu sobrinho junto, só pra tirar o moleque de casa.

Quando o encontrei, o sobrinho questionou:
– Ô tio, tu vais com essa camisa de futebol?

– Vou sim. Como o churrasco é no prédio do meu colega, não preciso ir muito formal e eu não gosto de deixar a minha coleção muito parada no guarda-roupa.

– É que lá na minha escola o pessoal vaia quem vai com camisa de time, então não dá pra usar.

– Na minha época do colégio também tinha isso, mas com os adultos isso não acontece. Depois que o pessoal cresce aprende a respeitar a escolha de cada um.

O sobrinho fez cara de quem tinha entendido e, depois, saímos pro jantar.

Chegando lá, encontramos o porteiro:
– Boa noite, nós vamos ao salão de festas.

E o porteiro largou a clássica:
– Certo, só que lá não pode entrar sem camisa. Ha!Ha!Ha!

O sobrinho me olhou e fez cara de deboche. E eu com cara de bobo e fingindo que era a primeira vez que ouvia a piadinha criativa.

Entramos no elevador e um morador estava lá dentro com o seu shih-tzu. Perguntei se o cãozinho era sempre quieto e o homem respondeu:
– É bem tranquilo, ele só não gosta de gremista. Ha! Ha! Ha!

Foi descer do elevador e o sobrinho começou a me zoar:
– Adulto né tio? Tudo igual adulto e criança.

Mas lá no evento teve outra situação curiosa. Num grupinho falávamos sobre as diferenças de idade entre as partes de um casal. Eu falei da minha teoria de que a diferença não significa muita coisa, pois quando nascemos, seis meses a mais caracteriza muita coisa, mas num casal com 20 e 25 anos de idade, me parece tudo igual.

Quando entramos no carro, eu comecei a falar com o sobrinho sobre um futebol que eu iria jogar. E eu estava empolgado, pois voltaria a jogar depois de três semanas parado e nós tínhamos comprado uma bola nova e… o sobrinho, de 11 anos, me interrompeu abruptamente:
– Ô tio, aquela engenheira Elaine já tem namorado?

A minha leitura foi a seguinte: as menininhas com a idade dele devem se fazer de difíceis quando os garotos fazem aproximações. Lá no jantar a minha colega conversou com ele naturalmente, não economizou sorrisos e é bem posicionada no ranking de atributos.

“Facinho”, o sobrinho apaixonou-se. Ainda bem que na idade dele as paixões são descartáveis.

Marcelo Lamas autor de “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora”.
marcelolamas@globo.com