Por: Ricardo Daniel Treis | 2 anos atrás

Matéria por Gabriela Bubniak, para O Correio do Povo:

Grupo de haitianos vive em apartamentos alugados e recebe apoio do casal de pastores de Jaraguá do Sul (Foto: Piero Ragazzi)

Grupo de haitianos vive em apartamentos alugados e recebe apoio do casal de pastores de Jaraguá do Sul (Foto: Piero Ragazzi)

Haitianos são cercados por cuidados e atenção para conquistar vida nova
Acolher e ajudar ao próximo é o que movimenta a vida do casal de pastores evangélicos, Adausi e José Coelho, que há mais de um ano atua em prol dos imigrantes haitianos. Cerca de 40 haitianos são beneficiados pela comunidade montada pelo casal, e recebem auxílios como a doação de roupas e comidas.

“Eles são queridos e educados, e só querem trabalhar para oferecer uma vida melhor às famílias” comenta José.

O trabalho comunitário começou quando se disponibilizaram a ajudar na alfabetização de pessoas da cidade, mas foram os haitianos que procuraram as aulas, direcionadas à Língua Portuguesa. “Foi aí que começamos a descobrir as dificuldades deles, principalmente, na busca pela documentação brasileira, por moradia e alimentação”, explica Adausi. Neste mês foram distribuídos 30 cobertores, roupas, agasalhos e mantimentos arrecadados pela comunidade.

Contudo, o foco do trabalho continua na busca de emprego. Com o português fluente, Wilguerre Jean Jacques e Wiltieve Jean Tilhomme estão na cidade há dois meses. “Estou há três meses sem trabalhar”, conta Wiltieve. Já Wilguerre é encanador, mas já trabalhou na construção civil e como servente. “Aceitamos qualquer coisa, porque precisamos”, acrescenta.

Cerca de 70 haitianos estão na mesma situação, segundo José Coelho. “Muitas pessoas ainda têm preconceitos e dos mais diversos tipos”, diz. Os interessados em ajudar podem entrar em contato nos telefones: 9136-2020 ou 3371-3780.

Oportunidade no ensino
Foi através do casal que o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) viabilizou o curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Estrangeiros. De acordo com o assessor do IFSC, Josué Cruz, o curso nasceu pela demanda dos haitianos. “A primeira barreira que encontram é o idioma. Estudar no IFSC será uma referência na busca por um emprego”, salienta.

As aulas iniciarão em julho para 40 alunos, duas vezes por semana, por cinco meses, com foco na pronúncia do idioma. As matrículas para os selecionados, através de sorteio público, seguem até amanhã.

O haitiano Adelson Jean, de 42 anos, garantiu ontem a matrícula. Em Jaraguá do Sul há 20 meses, vê no curso uma oportunidade de aprimorar o domínio do quinto idioma, além do crioulo, espanhol, inglês e francês. “Tenho certeza de que vou me comunicar melhor e ficará mais fácil conseguir emprego”, diz. A intenção é mandar dinheiro à esposa e filhos que ficaram no país de origem.