Por: Ricardo Daniel Treis | 8 anos atrás

Schopenhauer do alto de seu mau humor e pessimismo falou certa vez que, na sucessão das gerações, a experiência não ensina que as línguas se aperfeiçoam do ponto de vista gramatical, e sim justamente o oposto, se tornam cada vez piores e mais simples. Arre, só não concorda quem não quer.

A preguiça, a falta de leitura, o professor incompetente e o aluno imbecil são o que me condenam a esperança na humanidade em redações encontradas por aí (e por redações, digo até do cardápio da pastelaria). Foi-se o tempo das crases mal aplicadas, o que dói o cérebro é ler coisas como: “oii mim acc, nuam lhe conheço mais acc….bjos”. Não exagero, esse garrancho é verídico.

Eu entendí porque já tenho sola grossa nesse terreno de Internéts, mas aos demais confusos, explico: isso foi um convite recebido via Orkut, que legivelmente ficaria algo como “Oi, não te conheço mas quero ser sua amiga, me adicione. Beijos.” Antes que xinguem as crianças da sala, saibam que foi uma pessoa de cinquenta e tantos anos que escreveu. Bobear, na escola passou mais tempo ajoelhada no milho de castigo do que aprendendo a lição devida.

Como dá pra ver, arruinar a gramática não é exclusividade dessa geração – Schopenhauer já reclamava disso lá pelos anos 1800. Nosso ponto é que a Internet potencializa essas exposições, e pior que isso, ela está transformando o relaxamento em lugar-comum. “Todu mundo fas, entaum voh ecreever assimm tb!!1!” Fechando pessimista, digo: corram todos, daqui duas gerações estaremos de volta aos hieróglifos. Um pato desenhado sempre será um pato, e é isso que fará nossos bisnetos se entenderem


Toda vez que alguém escreve “forão” ao invés de “foram” ou “corrão” ao invés de “corram” morre um filhote de coala na Austrália. Sério.


Claro, pequenos erros são perdoáveis. Mas forçar a ignorância por relaxamento arruína qualquer um.

E não confundam: licença poética é uma coisa, avacalhação é outra.