Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

Fomos conduzidos a uma cultura projetada para nos deixar cansados, famintos por indulgência, dispostos a pagar muito por conveniência e entretenimento e, mais importante, vagamente insatisfeitos com as nossas vidas, a ponto de continuar querendo coisas que não temos. Nós compramos tanto porque sempre parece que tem alguma coisa faltando na nossa vida.

Precisamos trabalhar oito horas por dia? David Cain jogou o tema na mesa num texto onde o devorado é o leitor. Consumimos porque “merecemos”, afinal, ralamos pacas. Mas e se vivêssemos mais, precisaríamos nos recompensar com bens materiais ou desejos de consumo exagerados?

Essa meditação quanto ao estilo de vida foi-me meio que forçada essa semana, e sinais ou não, vou compartilhar – esbarrei um artigo atrás do outro sobre o tema. Na segunda-feira já comecei com Carpinejar com “Tempo é ternura“, e em “Abraço de Judas” também grifei:

Quem é livre age com culpa. Encarna-se na profissão como um condenado(…) Sempre encontra tempo para adiantar uma tarefa, mesmo que seja necessário abdicar do almoço, mas nunca abre frestas para se sentir no mundo.

Ontem, além do artigo de David Cain, lendo “Parerga e Paralipomena” teve essa outra:

Os prazeres mais elevados, aqueles do espírito, lhes são inacessíveis e em vão tentam substituí-los pelos fugidios prazeres dos sentidos, aos quais se entregam ocasionalmente com pouco gasto de tempo, mas muito de dinheiro.

Diz-se que dinheiro não traz felicidade, porém isso não é absoluto. O dinheiro traz felicidade, mas quando você tem personalidade suficiente para saber aproveitá-lo. O investimento no consumo é que não traz felicidade.

Dinheiro, na verdade, é tempo. E é de tempo vivendo o que precisamos.

Felicidade é aproveitar-se.