Por: Cláudio Costa | 27/11/2015

O câncer é uma doença que está presente em praticamente todas as faixas etárias e é a segunda que mais mata em Jaraguá do Sul. Segundo dados fornecidos pela Secretaria da Saúde, 142 pessoas morreram de câncer na cidade no ano de 2014. Desses óbitos, 57% eram homens e outros 43% eram compostos por mulheres. Até o mês de julho de 2015, foram registradas 101 mortes. No mesmo período em 2014, haviam sido registrados 75 óbitos por câncer, ou seja, um aumento de 34,6%. O tipo de câncer que mais mata é o de traqueia, brônquios e pulmão, com 17,61%; e o de estômago, com 9,15% dos casos.

A secretária da Saúde de Jaraguá do Sul, Emanuela Wolf, comenta que o câncer está diretamente atrelado ao estado físico e mental da pessoa. “O câncer tem diversos fatores de causa. O corpo reage de uma maneira estranha e acaba atacando a ele mesmo”, explica de maneira simples a secretária. “A gente entende também que a vida que se leva hoje, como a gente come e dorme, tem tudo a ver com o fato de ter ou não câncer”, completa. Ela também revela que campanhas como o Novembro Azul e o Outubro Rosa são muito importantes para dar conscientizar a população da presença da doença.

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Emanuela Wolff está no comando da Secretaria da Saúde há menos de um mês. Foto: Cláudio Costa 

De acordo com Emanuela, o foco das ações da Prefeitura de Jaraguá do Sul é na prevenção. “A gente sempre fala que a prevenção é o melhor remédio”, conta. Segundo ela, quando identificado no início, o câncer tem um tratamento mais fácil. “A chance de cura aumenta consideravelmente”, enfatiza, ao explicar que o câncer de próstata geralmente é diagnosticado tardiamente por causa da resistência que os homens têm ao exame de toque retal, por exemplo.  “Há uma questão de masculinidade envolvida nisso, mas que não tem nada a ver. Ninguém vai ser menos ou mais homem porque fez o exame”, reflete.

Há diversas maneiras de prevenir o câncer.  A principal delas é tendo uma melhor qualidade de vida. A pessoa deve ir pelo menos uma vez por ano ao médico e verificar se está exposta a fatores de risco, como andar no sol sem proteção ao sol, fumar e abusar da ingestão de álcool. O indivíduo também pode comer alimentos saudáveis (frutas e verduras), evitar alimentos industrializados e verificar se há casos de câncer na família. “O câncer tem uma ligação genética e isso é comprovado cientificamente”, comenta a secretária da Saúde.

Centro de referência em Jaraguá do Sul

Equipamento de radioterapia do Hospital e Maternidade São José. Foto: Divulgação

Equipamento de radioterapia do Hospital e Maternidade São José. Foto: Divulgação

Todo o tratamento é custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e está atrelado diretamente à saúde básica.  “O tratamento começa com o diagnóstico no ESF (Estratégia Saúde da Família) e o acompanhamento acontece até o tratamento feito na oncologia”, destaca. De janeiro a outubro, foram gastos R$ 1.400.000 em tratamento para o câncer em Jaraguá do Sul. Desse montante, R$ 500 mil saíram dos cofres do município para complementar o valor enviado pelo Estado e pela União.

O valor gasto em cada tratamento varia de acordo com diversos fatores. Além do tratamento, há diversos exames feitos nos pacientes de formar regular e diminuindo com o tempo, os chamados controles. “A quimioterapia e a radioterapia têm um peso estrondoso no orçamento do SUS. É um tratamento realmente caro”, conta Emanuela. Ela explica que um caso é diferente do outro e há muitas variáveis como o tipo de câncer, quantas sessões de radioterapia ou quimioterapia e também há gastos após o tratamento, com os chamados exames de controle. “O paciente faz o controle durante anos e depois vai diminuindo o espaço entre os exames”, destaca a secretária, ao afirmar que a grande maioria dos casos é tratada na cidade.

Setor de oncologia do Hospital e Maternidade São José é referência na região

Setor de oncologia do Hospital e Maternidade São José é referência na região. Foto: Divulgação

Em Jaraguá do Sul, o tratamento é feito no Centro de Oncologia do Hospital e Maternidade São José. A unidade é referência na região e recebe pacientes do Vale do Itapocu e do Planalto Norte de Santa Catarina. De acordo com Emanuela Wolff, a vinda de pacientes de outras cidades não sobrecarrega o hospital. “É errôneo pensar assim. Quando a unidade se torna referência, isso significa que tem condições de atender. Ninguém abre uma referência sem ter condições de atender uma região”, pondera. “Nós temos condições de atender e estamos atendendo muito bem”, complementa. Apenas alguns casos raros de câncer são tratados fora da cidade.

Idosos correm mais risco

Segundo os dados da Secretaria da Saúde, 51% dos casos de câncer aconteceram com pessoas com mais de 65 anos. Para Emanuela, o dado está ligado diretamente ao acesso que os jaraguaenses têm ao sistema de saúde. “Antigamente, não havia o costume de fazer prevenção. Hoje, as pessoas têm acesso e se cuidam muito mais”, relata. “Nossa população está cada vez mais idosa e a medicina também está evoluindo. Com isso, é evidente que haja mais casos de neoplasia (câncer)”, complementa.

Trabalho do Centro de Convivência dá mais qualidade de vida para os idosos. Foto: Divulgação/PMJS

Trabalho do Centro de Convivência dá mais qualidade de vida para os idosos. Foto: Divulgação/PMJS

Com o aumento da longevidade, é comum que aumentem o número de casos de câncer e, por conseguinte, o número de mortes pela doença. “É comprovado cientificamente que todo homem que viver até os 100 anos vai desenvolver o câncer de próstata”, exemplifica. “Isso não quer dizer que ele será maligno e a pessoa vai morrer de câncer, mas algum tipo de neoplasia e pessoa vai desenvolver”, aponta. Com o passar dos anos é certo que aumentem os casos de câncer.

Emanuela revela a importância dos centros de convivência da terceira idade na cidade. “Um idoso que convive com outras pessoas vai ter mais chances de cura do que um que vive trancado em casa”, dispara Wolff. Ela explica que a autoestima do idoso está ligada diretamente a uma melhor qualidade de vida. “A qualidade de vida está num todo. Está em como eu levo a minha vida espiritual, seja ela qual for, se eu estou bem comigo mesmo, se eu estou triste ou não”, descreve.