Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

Ei, você aí, o indivíduo que sendo uma mera presença física conseguiu se tornar inconveniente.

E chegamos à segunda década do século sem nem sequer olharmos na cara um do outro. Se antes dos smartphone uma mesa de bar já poderia criar círculos paralelos de conversa graças à telefonia móvel, com a internet à mão reuniões, encontros e refeições são celebrações de um individualismo autista, em que os presentes fingem presença mas fogem momentaneamente para a porta de entrada de seu umbigo, na palma de sua mão. Fingimos checar as horas e responder um SMS quando, na verdade, estamos vendo reações ao que fizemos nas redes sociais.

Smartphones possibilitaram o desenvolvimento de um comportamento ansioso e viciado. É doença – não tem palavra melhor pra isso -, mas por hora ainda há quem ache divertido “fulano ser assim mesmo”, com aquele vácuo de pessoa na roda, presente em dez lugares ao mesmo tempo mas fazendo porralguma que seja relevante neles.

Isso que Einstein não previa os smartphones.


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