Por: João Marcos | 5 anos atrás

Minha mãe fez aniversário nesta segunda-feira. Comemoramos com um almoço no domingo. E eu não sou das pessoas mais criativas para presentear. Então surgiu a inevitável dúvida: o que dar de presente de aniversário? Pensa daqui, pensa de lá, ouvindo filha e namorada, chegamos a uma possibilidade arriscada: um cãozinho.

Veio a segunda etapa do projeto “presente da mãe”. Para quem não entende nada de cachorro, como eu, é uma etapa difícil e complicada. Olha daqui, olha de lá, procura aqui, procura lá, chegamos a algumas possibilidades. No final das contas optamos por um pequeno lhasa apso preto com patas brancas. Animado, serelepe, contagiante.

Li no Larousse dos Cães da minha filha que essa raça tem origem no Tibete, sendo bastante prestigiada pelos monges, cheio de significados, ficando, assim, com uma aura de cão sagrado.

No caso desse, não sei se é sagrado ou não. O fato é que divagamos vários nomes (engraçados, curtos, sem sentido, diferentes, comuns) e não escolhemos nenhum porque o cão era para Dona Marilene; logo, nada mais justo que ela o escolhesse. Passamos, então, a chamá-lo de “sem nome”.

Como o almoço seria no domingo e estávamos com ele desde sábado, convivemos praticamente um dia com o bicho. Repito o que já disse: animado, serelepe, contagiante. E cativante. Esse pouco tempo, porém, já me trouxe algumas reflexões. Principalmente na madrugada. Explico.

Moro num apartamento. Não gosto – ou pelo menos sempre defendi que não gosto – de animais em apartamentos, principalmente cães e gatos. Entretanto, o “sem nome” teve que dormir aqui em casa. Deixamos o “sem nome”, na hora de dormir (como uma criança que é, “capotou” após ficar pulando pela casa e correndo atrás de sua bola), na área de serviço para evitar surpresas desagradáveis escatológicas pelos demais cômodos.
Tudo foi muito bem até lá pelas duas horas da madrugada, quando acordamos com o “sem nome” latindo. E o que eu menos queria era incomodar os vizinhos com um filhote ganindo e chorando no meio da madrugada, atrapalhando o sagrado sono alheio. Fui, eu, então, ver se o animalzinho se acalmava. Depois de pular desesperadamente, sentou do meu lado (eu já estava sentado, encostado na parede) e sossegou. Quando dormiu, saí pé ante pé. O episódio se repetiu às três e meia e às cinco e meia.

Enquanto eu não entrava no estágio zumbi, ficava pensando. E demorei pra perceber que não estava pensando em trabalho, o que mais comumente acontece.

O pequeno “sem nome”, sem qualquer intenção, demonstrou como as coisas realmente simples da vida podem efetivamente ser boas. E por mais que estas boas e simples coisas da vida estejam nos rodeando todos os dias, costumamos acionar o “automático” da vida e não perceber o quanto pequenos gestos e pequenos atos fazem grandes diferenças.

Diferenças para os outros, para o mundo e, principalmente, para nós mesmos. A felicidade está por perto. Você já reconheceu a sua hoje?

Em tempo: o “sem nome” já foi batizado por sua dona.