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Esquecida pelo governo federal na primeira fase do Plano Nacional de Banda Larga, Santa Catarina poderá ter seu próprio plano de internet rápida. A meta da “internet da família” é oferecer entre 500 mil e 1 milhão de novas conexões para as classes C e D do Estado com, no mínimo, um mega por segundo (Mbps) de velocidade.

A iniciativa é da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), que pretende levar, em setembro, ao governo do Estado, o anteprojeto do plano. A conexão mínima oferecida será mais rápida do que a do plano nacional, que tem 512 kilobit por segundo (kbps).

Conforme as propostas de subsídio, como redução de ICMS, as velocidades podem subir para dois ou três Mbps, diz o diretor de telecomunicações da Acate, Norberto Dias. Ele acredita no papel indutor do Estado, articulado com a iniciativa privada, para viabilizar o projeto.

— O projeto não pode ser só privado, esse modelo não deu certo. Temos em Santa Catarina empresas que podem oferecer infraestrutura, serviços e equipamentos. Temos o governo do Estado, com Ciasc, Fapesc e Celesc, com uma rede de fibras que pode ser interligada. Em vez de ficarmos esperando, vamos fazer proposições — destaca.

O plano custará entre R$ 18 e R$ 20 por mês para um Mbps, subindo à medida em que demandar mais banda. O foco do projeto é ampliar a rede de internet para fora dos grandes centros. Dias aponta mais de cem cidades prejudicadas no acesso à telefonia celular e também à banda larga.

O projeto está sendo desenvolvido por 25 empresas de Santa Catarina. Dias afirma que o plano estadual será interligado ao nacional e vê resultados positivos para todos os setores.

— A população terá acesso mais barato, o governo estadual vai arrecadar mais imposto, o federal terá capilarizado mais a banda larga no país e os provedores terão mercado. Quanto mais envolvidos no processo, maior o êxito — avalia.

Caso o plano estadual catarinense tenha êxito, será possível até triplicar o número de acessos à banda larga no Estado. Em 2009, Santa Catarina tinha 460 mil acessos.

O Paraná também apresentou este mês seu plano estadual de banda larga, mas, diferente do modelo catarinense de articulação, está atrelado ao governo estadual, via Copel, estatal paranaense de energia.

Seleção nacional ignorou Região Sul

Boa infraestrutura e cobertura de internet, pequena extensão territorial, baixa concentração populacional e falta de articulação política. Estas são algumas das razões apontadas por especialistas para a exclusão de Santa Catarina do Plano Nacional de Banda Larga, nesta primeira fase de implantação. O governo selecionou cem cidades, mas nenhuma está no Sul do país.

O presidente da Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu) de Santa Catarina, Carlos Eduardo Nascimento, entende que para o chamado “Sul maravilha”, uma rede de 512 kbps não é significativo, mas para as regiões Norte e Nordeste é um salto de qualidade. Mas reconhece que há pequenas cidades do Extremo-Oeste catarinense, por exemplo, que ficariam contentes com 512 kbps, mas não têm por não ser viável comercialmente para empresas.

— Pode ter havido problemas políticos, com resistência grande à entrada do governo estadual nos programas federais — observa Nascimento.

Norberto Dias, da Acate, afirma que não houve articulação para a implantação da banda larga no Estado.

O diretor do Sindicato das Empresas de Informática da Grande Florianópolis, Geraldo Otto, reconhece a importância do papel do governo.

— As empresas querem trabalhar com o filé. Se governo não fizer a parte dele, exigindo que vão para outras regiões, a disparidade aumenta. Mas não pode deixar que isso norteie as decisões do governo — avalia.

Via DC. Dica do Leitor Dario Zanella.