Por: Ricardo Daniel Treis | 8 anos atrás

– Alou, lancheria X, boua noite.
– Oi, entrega um lanche assim-assado aqui no endereço?
– Anotado, são R$12,30.
– Obrigado, diz pro boy trazer troco pra R$50.
*tic-tac / beeeeeeeeep
– Oie, entrega de lanche.
– Vou descer.
*desce escada, abre porta
– Opa, taqui o dinheiro.
– Não tem trocado?
– ‘Xover… Tenho R$12.
– Não… Deu R$12,30, não dá.
– Tá, então vai a nota de R$50 que a telefonista de vocês sabe que eu tenho.
*dois punhados de moedas depois:
– Aqui moço. Ó, faltou, ainda fico te devendo R$0,20, tá bom? Boa noite.

Desaforo tem qualquer preço. Esse aí foi por menos de um pila.

Eu, o cliente cujo endereço está lá registrado num sis-tema não posso ficar devendo trinta centavos, mas o entregador que nunca mais vou ver na vida pode sair me levando vinte.

Pontos de incompetência: o boy que faz uma corrida sem troco; a telefonista possivelmente desinteressada em passar recados; o proprietário que nunca discutiu política de desconto com seus funcionários.

Já eu, o cara que ajuda eles a pagarem as contas, tenho que optar: sair como o otário que tem que obedecer à regra só porque é mais conveniente para os outros ou como o completo babaca que obriga um motoqueiro a fazer uma corrida extra de 5km por causa de uma ninharia.

Tá tudo errado.


E que conta é essa onde um lanche dá doze reais e TRINTA centavos? Arredonda, que parte do problema se resolve.