Por: Ricardo Daniel Treis | 7 anos atrás

No filme de Steven Spielberg, ‘E.T’, por que o extraterrestre é marrom? Por razão nenhuma. Em ‘Love Story’, por que os protagonistas se apaixonam perdidamente? Razão nenhuma. Em ‘JFK’, de Oliver Stone, por que o presidente é assassinado de repente por um desconhecido? Nenhuma razão. No excelente ‘Massacre da Serra Elétrica’, de Tobe Hooper, por que nunca vemos os personagens irem ao banheiro, nem lavarem as mãos, com a gente faz na vida real? Por nenhuma razão em absoluto. Pior! Em ‘O Pianista’, de Polanski, como é que esse cara tem que se esconder e viver como um vagabundo se toca piano tão bem? Mais uma vez a resposta é ‘nenhuma razão’. Poderia seguir por horas com mais exemplos. A lista não tem fim. Provavelmente nunca haviam pensado, mas todos os grandes filmes, sem exceção, contêm um importante elemento de ‘nenhuma razão’. E sabem por quê? Porque a própria vida está cheia de ‘nenhuma razão’.

E assim, com esse monólogo de abertura, justifica-se “Rubber”, filme onde um pneu cria consciência, revolta-se contra a humanidade e sai por aí explodindo cabeças.

Ninguém da galera acreditou no filme (e muito menos queria assistir ele), mas depois que empurrei a introdução goela abaixo, não teve um que não continuou vendo até o final. Já assistí “Rubber” três vezes.

O trailer:

Quem quiser arriscar sessão, eis link para download dessa obra de Quentin Dupieux.


E fica a lição pra carregar junto à rotina: às vezes nem tudo precisa ter justificativa. Só acontecer já basta.