Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Fotos: Rogério de Souza/ND

Fotos: Rogério de Souza/ND

Quem circula pelos arredores do Centro de Joinville certamente já ouviu um som trompeteando em algum lugar. Jonatan Lopes, 30 anos, é o responsável pelas canções tocadas em pontos de ônibus, praças e outros lugares públicos da cidade. Foram vários os motivos que o levaram a tocar na rua, mas duas razões serviram como notas principais para compor a decisão do jovem. A primeira é a falta de intervenções artísticas em locais públicos. “A cidade vai crescendo, se transformando, mas a cultura está ficando de lado”, afirma. A segunda, e a mais importante, é que da música depende toda a sua autoestima.

Lopes sofreu um acidente de moto, em 1999, que prejudicou a fala, a coordenação motora e as pernas. Desde então a sua vida não foi mais a mesma. Não consegue mais trabalhar, nem falar, e nem andar normalmente. A única coisa que lhe dá mais ritmo à vida é tocar sua trombeta, numa forma de agradecer a Deus por não ter morrido. Promover seu som nas ruas lhe dá forças para superar a vida difícil.  “A música sempre me levantou”, proclama.

Jonatan é evangélico desde 1996, época em que começou a aprender tocar trompete, e desde a sua conversão não parou de entoar seus cânticos. Para ele, tocar seu instrumento é uma forma de extravasar as emoções. “Se estou triste eu toco, se estou alegre eu toco e se estou bravo com alguma coisa, eu quase arrebento o trompete de tanto tocar”, expressa. No repertório, apenas músicas evangélicas, todo e qualquer sopro de sua boca é destinado a Deus, como ele mesmo diz. “Não toco nenhum outro estilo de música, só os hinos da harpa cristã”, entoa.

Quanto a sua habilidade no instrumento, ele reconhece que não é um profissional, muito pelo contrário, se coloca no lugar de “aprendiz de aprendiz”, mas o que importa para o rapaz é levar uma mensagem que torne a vida das pessoas mais sonora. “Alguns sabem muito mais do que eu, estudaram em boas escolas de música, mas não fazem nada, não compartilham com as pessoas”, trombeteia. Alguns passam por ele e o incentivam, outros o chamam de louco e até o impedem de tocar.

Ele conta que começou a tocar na Praça da Bandeira, ao lado do Terminal central, mas a melodia foi pouca, pois, segundo ele, a FUNDEMA (Fundação do Meio Ambiente) o notificou por poluição sonora. “Eles pegaram meu instrumento e me disseram que eu não poderia mais tocar lá, pois era poluição sonora o que eu estava fazendo”, lamenta.

A música se tornou também uma forma de sobrevivência para Jonatan. Ele mora sozinho no bairro Nova Brasília, paga aluguel de R$ 300 por mês e não recebe nenhum benefício do governo pelo acidente. O que o sustenta são as moedas, que são depositadas em sua caixa onde guarda o instrumento, enquanto toca. O rapaz consegue angariar, em média, R$ 25 por dia.  Ele guarda a maior parte do dinheiro que recebe para pagar o aluguel e tira o restante para uma refeição diária.

“A música é boa para quem tem vontade de escutar”, ensina. Para o rapaz dos acordes mais improváveis, a música é como a fome. “Se você estiver cheio, nenhuma comida será boa. Se você estiver com fome, qualquer alimento será maravilhoso”, afina.

Via ND