Por: Deivis Chiodini | 4 anos atrás

O UFC como sempre, promove um grande card pra seu último evento do ano. A atração principal é a revanche de Anderson Silva contra Chris Weidman, valendo o cinturão dos médios. Mas tem muito mais. A rivalidade que se estende pra fora do cage entre Ronda Rousey e Miesha Tate também estará sendo resolvida no octógono, valendo cinturão. No card preliminar, boas lutas, com destaque para a estréia do finalista do TUF Brasil 2, Willian Patolino contra Bobby Voelker e do recordista em participações no UFC, Gleison Tibau contra o bom Michael Johnson.

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Vamos a análise do card principal:

Dustin Poirier x Diego Brandão (categoria dos penas): dois lutadores que lutam pra frente e buscam a vitória o tempo todo se encontram na abertura do card principal. O primeiro brasileiro a vencer um TUF nos EUA, Diego “Ceará” Brandão, tenta manter a boa sequência de vitórias (3) e entrar no top 10 da categoria, contra o 6° colocado do ranking, o inconstante Dustin Poirier, que busca se consolidar na corrida por um title shot. Poirier é um lutador com bom nível na luta de chão, com boas inversões e ataques ao pescoço (principalmente no triângulo de mão), mas Brandão é um conhecido faixa preta de jiu jitsu, com um jogo sólido mesmo por baixo, com constantes ataques ao braço. Em pé, Brandão ainda mostra algumas limitações, mas um aboa evolução no boxe, com variação de golpes na linha de cintura e cabeça. Mas ele terá que enfrentar a diferença de 10 cm na envergadura a favor de Poirier, que se estiver com a movimentação em dia, usará os chutes baixos para controlar a distância e pontuar, evitando as quedas de Brandão.

Palpite: Luta dura, em que qualquer erro pode ser fatal. Mas vejo Poirier com uma leve vantagem. Poirier leva na decisão dos jurados.

Fabricio-Camoes

Jim Miller x Fabrício Camões (categoria dos leves): O 10° colocado do ranking dos leves Jim Miller tenta reencontrar o caminho das vitórias contra o brasileiro Fabricio “Morango” Camões, que vem de longa inatividade (não luta desde julho de 2012). Dois grapplers consolidados, prevejo aqui uma verdadeira batalha no chão. Miller é um faixa preta de JJ, mas em suas últimas 4 lutas, foi finalizado 2 vezes e um erro no chão pode ser fatal contra Morango, que é dono de um grande variedade de ataques, principalmente raspagens com ataques nos estrangulamentos. Miller é dono de um melhor wrestling, o que pode usar para controlar e manter Morango com as costas no chão, pontuando no ground and pound,e em pé, é mais sólido que o brasileiro, que costuma se perder nas variações dos adversários com boa movimentação. O caminho pro brasileiro é ele encurtar e colocar Miller com as costas no chão, mas isso não será tarefa fácil.

Palpite: Jim Miller é mais completo que Morango e vai controlar o brasileiro, levando por pontos.

Josh Barnett x Travis Browne (categoria dos pesados): Essa luta ganhou muito mais importância nas últimas semanas. Com o campeão dos pesados Cain Velasquez tendo que ser operado, Dana White avisou que o brasileiro Fabricio Werdum (que enfrentaria o campeão) enfrentará o vencedor desse embate e quem vencer, pega o campeão no retorno. Barnett estreou no evento com uma vitória arrasadora sobre Frank Mir, mas contra Browne, a tática deve ser outra. Browne é um striker da
mais alta qualidade, dono de 3 nocautes da noite, o último sobre Alistair Overeem. Dono de boa movimentação, o havaiano tentará controlar com chutes o veterano Barnett, que tentará usar seu jogo de chão para vencer. Colocando Browne com as costas no chão, Barnett terá boa vantagem, onde poderá trabalhar seu ground and pound e suas justas finalizações (destaques para seus katagatames e kimuras). Em pé, apesar da mão pesada e bom jogo de clinche de Barnett, Browne é superior, com maior velocidade, boas combinações no corpo e rosto e chutes frontais, que podem ser usados pra manter Barnett a distância. Não acredito num nocaute, mas Browne tem condições de controlar Barnett em pé.

Palpite: Luta de pesos pesados é aquela coisa, se uma mão entrar já era. Mas vou de Browne, evitando o jogo a curta distância e levando por pontos.

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Ronda Rousey x Miesha Tate (cinturão dos galos feminino): Não é só Anderson que terá direito a uma revanche. Miesha Tate perdeu seu cinturão do Strikeforce para Ronda Rousey e quer vingança. As duas foram as treinadoras da última edição do TUF e por muito pouco não saíram na mão dentro da casa (ronda se mostrou mimadinha ao extremo). Mas a verdade é clara. Miesha terá que evitar as habilidades de grappling de Ronda, sobreviver ao 1° round (ela venceu todas as lutas no 1°), controlar a distância, e frustar as tentativas de queda de Ronda. Uma boa arma que Miesha poderá usar são as joelhadas voadoras nas tentativas de queda. Caso isso não aconteça e a “bad girl” consiga encurtar e colocar a luta no chão, será questão de tempo a vitória por finalização. Ou seja, Tate tem que levar Ronda a um ponto onde ela nunca foi, que é lutar de pé e mais de 5 minutos. Caso contrário, será a vítima do 8° armlock da campeã.

Palpite: O filme se repete novamente. Rousey com um armlock no 1° round.

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Chris Weidman x Anderson Silva (cinturão dos médios): É muito estranho começar a escrever sobre uma luta de Anderson Silva e seu nome não ser o primeiro. É estranho e soa até incômodo ver o Spider como desafiante. Mas vamos a luta. Esqueça o que aconteceu na 1° luta. Anderson Silva simplesmente não lutou, Weidman aproveitou e é o campeão. Vamos analisar pela ótica que imagina Anderon Silva com o ego ferido (acreditem, ninguém tem o ego maior que o desse cara no MMA e nada deve ter sido mais dolorido pra ele que ser derrotado,coisa que ele não acreditava que pudesse acontecer), e que ele virá para lutar, sem firulas. Caso ele venha fazer graça, esqueça tudo que ler abaixo. Por mais que Weidman tenha nocauteado Anderson Silva, em pé, ele não é páreo para o melhor striker do MMA. Anderson tem o melhor índice de acerto de golpes da UFC, e consegue boas sequências de golpes, com combinações de socos e chutes. Mesmo no jogo a curta distância, ele tem domínio no clinche, graças a seu background no muay thai. Weidman tem um bom jogo de chão e Aanderson já mostrou que seu ponto fraco é a defesa de quedas. O americano tem boas finalizações e um jogo de chão insinuante solto, mas Silva já mostrou muita qualidade mesmo com as costas no chão, com uma defesa de finalizações excepcional. O americano se sairá melhor se tentar controlar no ground and pound, pontuando e levando por pontos. Essa é sua melhor oportunidade, amarrar Anderson Silva e levar a luta.

Palpite: Se Anderson Silva vier pra lutar, nocaute no 2° round. Se não, se for pra fazer circo, torço pra que se aposente.