Por: Marcelo Lamas | 28/12/2016

Recentemente fui questionado: Qual será o tema da crônica retrospectiva deste ano? Em anos anteriores, costumava fazer anotações quando algo relevante acontecia, assim tinha uma linha a seguir. Desta feita, nem precisou. Mal o ano começou e já sabia que o título seria esse sobrescrito.

Foi um ano tenso. Não foi fácil preencher minha lista geladeira, onde anoto só as coisas boas que vão acontecendo. Como somos seres comparativos, se fizermos um paralelo com 2015, dá vontade de chorar. Eu enchia a boca para falar que morava numa cidade com um homicídio + um latrocínio no ano todo e agora…

O nosso Jaraguá Futsal, tetracampeão da Liga Nacional chegou ao final do ano prestes a fechar as portas. O Juventus ficou no quase, de novo, de novo, de novo; enquanto o SC Jaraguá só levava pancada.

A nova administração municipal vai ter que cuidar de um edital da cultura que novamente desagradou a maioria e, se tivesse que apostar, jogaria minhas fichas no possível cancelamento. A sangria é sempre na cultura. A própria população não apareceu para prestigiar os lançamentos dos autores regionais, mesmo sendo os livros distribuídos gratuitamente. Lembrando que muitos dizem não ler porque não têm dinheiro. Imagino que nas outras manifestações culturais tenha ocorrido da mesma forma.

No campo pessoal, não sei qual foi meu maior furo: desejar boa “segunda” para a namorada colorada, no dia seguinte ao rebaixamento do Internacional, ou ter convidado o primo adventista para assar uma costelinha de porco.

Se antes, os jaraguaenses tinham aquela mania engraçada de sair de casa com crachá de firma pendurado ou, ir às compras, pós expediente, devidamente identificados, agora, andar por aí com credencial no peito pode parecer ostentação, igual comprar carro importado e não colocar película, para ser percebido dentro, mesmo pagando o mico de parecer estar dentro de um aquário ambulante.

Quando a época é boa, vale a pena olhar para trás, mas quando for um ano como este, o melhor é esquecê-lo. Como disse Luis Fernando Veríssimo: Só há o agora. Tempo passado é lembrança e tempo futuro é adivinhação. Só o presente é tempo legítimo.

Marcelo Lamas, autor de “Indesmentíveis”.
marcelolamas@globo.com