Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

Galera que viu a performance e olhou as fotos não perdoou online: “Esses instrumentos estão ligados A NADA!”

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A banda, como não tinha nada a esconder ou envergonhar-se, respondeu com propriedade em carta publicada ontem em seu site oficial. Estava traduzindo ela para vocês, quando resolvi dar uma olhadinha antes e vi que o pessoal da Revista Cifras já havia feito um belo trabalho em cima. Segue o texto em português:

“Olá a todos,

Quando fomos convidados pela NFL e Bruno para tocar a nossa música “Give It Away” no Super Bowl, nos foi esclarecido que os vocais seriam ao vivo, mas o baixo, a bateria e a guitarra seriam pré-gravados. Eu entendo a posição da NFL sobre este assunto, dado que eles têm apenas alguns minutos para arrumar o palco, com um zilhão de coisas que poderiam dar errado e o som poderia chegar estragado para as pessoas no estádio e para os telespectadores. Não havia nenhum espaço para discussão sobre este assunto, a NFL não quer arriscar seu show para ter som ruim e ponto final.

A postura do Red Hot Chili Peppers em qualquer tipo de mímica é de não fazer. A última vez que fizemos (ou tentamos) foi no final dos anos 1980, em que fomos descartados do programa “The Top Of The Pops” do Reino Unido, durante os ensaios, porque nos recusamos a fazer mímicas. Toquei baixo com meu sapato, John tocou cifras de guitarra em cima dos ombros de Anthony, e nós basicamente fizemos uma luta no palco, fazendo uma paródia da ideia de que era realmente uma performance ao vivo.

Fizemos outras duas vezes em shows da MTV e foi horrível. Nós levamos a nossa música a sério, é algo sagrado para nós, e todos que já nos viram em concerto (como a noite antes do Super Bowl, no Barclays Center), sabe que tocamos de coração, improvisamos de forma espontânea, corremos riscos musicais e suamos sangue todo show. Fazemos isso há 31 anos.

Assim, quando este show do Super Bowl surgiu, houve confusão sobre o que deveríamos fazer. Mas decidimos em fazer e foi algo surreal, algo que faríamos uma vez na vida e apenas para nos divertirmos. Pensamos muito antes de aceitar e além disso conversei com muitos músicos sobre isso pelos quais tenho muito respeito, e todos disseram que fariam se fossem solicitados. Nós do RHCP gostamos de futebol e isso fez parte de nossa decisão. Com Anthony cantando ao vivo, achamos que ainda teríamos o espírito e a liberdade igor que temos geralmente em nossas performances, e obviamente tocamos cada nota na gravação especialmente para este show. Conversei com Bruno, que é um ótimo cara e um músico muito talentoso, e fizemos algo que nos pareceu divertido.

Nós gravamos uma faixa para o dia, algo que saiu para fora de nossos corações que era bem semelhante ao que estamos tocando com Josh nos últimos anos.

Para a performance, Josh, Chad e eu tocamos junto da faixa pré-gravada para que não fosse necessário plugar nossos instrumentos, assim como fizemos. Se plugássemos, evitaríamos as reclamações das pessoas que ficaram chateadas pelas bases terem sido pré-gravadas? Sem dúvidas seria mais fácil. Nós pensamos que seria melhor não fingir. Parecia a coisa mais real a ser feita na circunstância. Foi como fazer um cliipe na frente de um zilhão de pessoas, exceto pelos vocais ao vivo, e apenas uma chance de nos divertirmos. Só pensamos em trazer o espírito do que somos para as pessoas.

Sou grato à NFL por nos receber. E eu sou grato a Bruno, que é um jovem muito talentoso, por nos convidar para fazer parte de seu show. Eu faria tudo da mesma forma novamente.

Nós, como uma banda, aspiramos a crescer como músicos e compositores, e continuamos a tocar nossas entranhas nos palcos para qualquer um que queira uma explosão cerebral.

Atenciosamente,

Flea”

Pei!