Por: Ricardo Daniel Treis | 7 anos atrás

As palavras do colunista do AN, fazendo jus a esse trio guaramirense que tanto admiro:

Tivesse surgido nas imediações de Seattle (EUA), entre 1989 e 1992, o Fly-X poderia encaminhar as masters do disco Angry Bear pro Jack Endino. Tenho quase certeza que ele aceitaria de bom grado produzi-las, colocando o disco em sua bem fornida prateleira de trabalhos memoráveis (Nirvana, Mudhoney, Soundgarden, L7 etc). Verdade que o trio nasceu em outro país e em outro tempo, mas o espírito que o rege há 15 anos é o mesmo que Endino capturava em suas gravações e que se repete, com fidelidade e vigor de sobra, no quarto CD da banda de Guaramirim. O grande maestro do grunge ficaria orgulhoso se ouvisse o que os rapazes conseguiram se autoproduzindo num estúdio caseiro ao longo dos últimos meses, orientando-se apenas pela experiência, pelas referências sonoras e pelas próprias limitações, que fizeram do disco anterior, Despertar (2009), algo confuso.

Em Angry Bear, sobriedade e raiva se sobrepõe (já na capa) a tentativas de baladas e letras em português e rendem nove faixas focadas, intensas e de raízes escancaradas. Ao punk sujo de primeira hora, o grupo acopla o metal de Anthrax e Helmet e desfere pancadas eventualmente danosas ao sistema auditivo, como Alien Life, What do You Want from Me e a faixa-título. Losing Ground, a melhor do álbum, tem a mesma base que o Black Sabbath fornecia ao Nirvana em sua estreia. O TAD, outro expoente grunge, é emulado na pesada Motherfucker Disguise, antecedendo a imagem do caos na Cidade Maravilhosa descrita em War in Rio. Já Pain é a única que resiste à demolição, flutuando em dedilhados e melodias que explodem no refrão sombrio a la Alice in Chains. Como se vê, é um trabalho reverente, mas tão sólido que não consigo pensar em jeito melhor de uma banda underground comemorar 15 anos de labuta.

PS: Segundo a banda, um novo site oficial estará no ar em breve, oferecendo press kit, fotos, agenda e três faixas pra download.