Por: Deivis Chiodini | 3 anos atrás

O público “não fanático” não se interessa por lutas que não tem brasileiros e isso nos faz perder boas oportunidades, como termos Urijah Faber x Frankie Edgar no RJ em março (O main event acabou sendo Demian Maia x Ryan LaFlare). Considerações a parte, o UFC aproveitou a popularidade que o UFC atingiu com o cinturão interino de Fabrício Werdum para chegar nesse domingo ao Rio Grande do Sul, no ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre.

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O main event deveria ter Glover x Rashad, mas ambos machucados deram lugar a Pezão x Mir, que precisam de uma vitória. Como já citado, card repleto de brasileiros, como Iuri Marajó, Jéssica Bate Estaca, Patolino e o preferido do nosso grão mestre Max Pires, Ivan Batman. O evento tem transmissão a partir das 18 horas no Canal Combate:

Rustam Khabilov x Adriano Martins (categoria dos leves): Após ser nocauteado por Donald Cerrone, o manaura Adriano Martins se recuperou bem e venceu Juan Puig com um belo nocaute no primeiro round. Com isso, ganhou a chance de enfrentar novamente um ranqueado, o 14° do ranking Rustam Khabilov, que vem de derrota para Benson Henderson. O brasileiro é um lutador versátil, com boa potência nos golpes, boas combinações e um jogo de chão fino, principalmente por cima. Mas ele ainda deixa brechas quando ataca e isso pode ser fatal contra Khabilov, que evolui a passos largos no muay thai, com boas combinações de chutes no corpo e diretos no rosto. Khabilov é campeão mundial de sambô e com certeza testará a defesa de quedas do brasileiro. Uma vez por cima no chão, Khabilov é dono de um ground and pound visceral e bons ataques ao braço.
Palpite: Numa luta dura, Khabilov conseguirá controlar por cima e levará na decisão.

Cezar Mutante x Sam Alvey (categoria dos médios): O campeão do TUF Brasil 1 está de volta, buscando estabelecer uma sequência de vitórias. Mutante é sem dúvida um lutador muito talentoso, com potência e golpes plásticos, como meia luas e rabos de arraia. O wrestling ofensivo demonstra crescimento, com quedas providencias e bom instinto finalizador. Contra um golpeador nato e com queixo duro como Alvey, o chão deverá ser o caminho mais seguro. Alvey tem potência e boxe afiados, já tendo mandado 15 adversários a vala e Mutante já demonstrou não ter queixo dos mais confiáveis. Já Alvey tem sua maior dificuldade de costas no chão, mesmo tendo sido finalizado apenas uma vez. Mutante tem a vantagem da envergadura, o que fará com que Alvey tenha que cortar e encurtar, dando brechas ao brasileiro para as quedas.
Palpite: Mutante, estratégico, controlando e levando por decisão.

Edson Barboza x Michael Johnson (categoria dos leves): Dois homens que almejam a o top 5 da categoria dos leves se enfrentam na luta que mais espero nessa noite. Finalista do TUF 12, após um começo trôpego no UFC, Michael Johnson deu a volta por cima e já acumula três vitórias consecutivas. Já Edson Barboza, após ter sua sequência interrompida por Donald Cerrone, se recuperou com duas boas vitórias, a última contra ao favorito Bobby Green, chegando a sexta posição do ranking. Johnson é dono de fluído jogo de pernas, e boxe de qualidade, com poder de nocaute, sempre ajustado por Pedro Diaz na Blackzillians. A transição para o wrestling é bem feita, o que gera quedas que muitas vezes lhe garantem rounds. Já Edson é uma máquina de muay thai. Chutes saem de todos os lados e para todos lugares. Os chutes nas pernas são o carro chefe, minando a resistência dos adversários, abrindo espaço para duros golpes no corpo e rosto. O boxe vem evoluindo, mas o queixo ainda deixa dúvidas, já tendo o deixado na mão contra Varner e Cerrone. A defesa de quedas melhorou bastante. Já o jogo de chão, é o suficiente para se manter vivo. Acredito que essa luta se desenvolva em pé, com momentos de pancadaria intensa.
Palpite: Lutaça. Edson mantendo as mãos altas e minado com os chutes, até encontrar o espaço pro nocaute no terceiro round.

Antônio Pezão x Frank Mir (categoria dos pesados): Dois lutadores com a corda no pescoço. O ex campeão Frank Mir vem de quatro derrotas e o brasileiro de duas derrotas e um empate. Mir, que sofre com o fim do TRT no UFC, vem demonstrando queda absurda de rendimento e cardio deplorável. Seu último grande momento foi a finalização por kimura em Minotauro, que quebrou o braço do brasileiro, no longínquo dezembro de 2011. Dono de um kickboxing de bom nível e wrestling subestimado, é no chão onde Mir se destaca, com belas raspagens e finalizações de todo tipo. Um erro contra Mir é fatal e Minotauro, Lesnar e Kongo são provas disso. O queixo não é dos mais resistentes, por isso Mir deve evitar a troca franca de golpes. Pezão, apesar de faixa preta de jiu jitsu também, não é tão letal no chão, exceto quando consegue aplicar o ground and pound, já que ele tem duas marretas no lugar das mãos. Em comum com Mir, ele também sofre com o fim do TRT e com queixo pouco confiável. Seu trabalho de clinche é duro, com boa potência no dirty boxing e nas joelhadas. No solo, por cima, causa muitos estragos. Em pé, se falta velocidade, sobra força. Pezão também é um pouco maior e poderá usar isso para evitar a aproximação de Mir, usando o jab e os chutes baixos.
Palpite: Se essa luta chegar ao final do terceiro round, teremos um festival de mata cobras e lutadores cambaleantes. Meu palpite que é Pezão ache um cruzado antes, levando Mir a nocaute no segundo round.