Por: Raphael Rocha Lopes | 5 anos atrás

Novamente vemos na televisão a religião fervorosa. Por conta de um filme, mulçumanos de boa parte do mundo resolveram se vingar de todos de novo. Na realidade, nem se sabe ao certo se o tal filme existe, já que o que foi veiculado na internet é um pedaço ridículo de um filme ridículo com produção ridícula e falas mais ridículas ainda.

Fico me perguntando quem pode dar atenção àquele besteirol que não acrescenta nada. Não que besteiróis não vendam; temos diversos filmes de besteirol no Brasil e principalmente nos Estados Unidos que arrecadam mais do que muito filme sério. O que me espanta é alguém levar este em específico a sério.

O vídeo de aproximadamente 14 minutos, que inclusive está no portal Youtube, é supostamente o trailer de um filme mais longo chamado Innocence of Muslims (que, em tradução livre, pode ser entendido como Inocência de Muçulmanos), que retrata o islã como uma religião violenta, baseada no ódio, e Maomé como um homem abobado e com sede de poder.

Não vou entrar no mérito de todas as ofensas que este vídeo faz à religião islâmica ou ao profeta Maomé, que parecem não ser poucas, principalmente se considerarmos que apenas a representação do profeta já é motivo para encrencas. Quem lembra, por exemplo, do que ocorreu com a publicação de charges de Maomé em jornais dinamarqueses em 2005 e republicados em 2008?

O que irrita, em verdade, é essa mania das religiões acharem que estão acima de tudo e de todos e quererem impor pela força e violência seus preceitos e dogmas.

Neste caso específico, se os muçulmanos querem dizer que a religião não prega o ódio e a violência, então por que estão bufando ódio e praticando violência, destruindo tudo e matando pessoas que nada têm a ver com aquela patética produção pseudo-cinematográfica?

Como dissociar esta religião do ódio e da violência se a reação ao vídeo é de puro ódio e grande violência, com ameaças expressas do líder do grupo radical libanês Hizbollah, Hassan Nasrallah, corajoso de meia pataca, registre-se, pois raramente fala em público por medo de ataques contra sua vida.

Não seria mais “religioso” manifestar sua indignação pacificamente ou rezar pedindo a Alá perdão para os pecadores?

Mas esta histeria religiosa não é privilégio dos mulçumanos. O que os judeus sofreram antes e durante a última guerra mundial, praticam de forma disfarçada agora contra os árabes, e especialmente os palestinos, desde 1948. Como disse Stéphane Hessel, no seu breve livro Indignai-vos, citando o relatório do juiz judeu sul-africano Richard Goldstone sobre a Faixa de Gaza, o exército israelense cometeu “atos comparáveis a crimes de guerra e, em certas circunstâncias, a crimes contra a humanidade”.

Por fim, a igreja católica, ao longo dos séculos, é provavelmente a campeã no quesito violência e arbitrariedade em nome da fé e da religião. Nas diversas cruzadas em nome de deus e na santa inquisição centenas de milhares de pessoas, talvez milhões, foram mortas.

Nesse diapasão parece que a religião tem sido instrumento de dominação dos crentes incautos, não sentido nenhum remorso, seus líderes, ao longo da história, em praticar os atos mais absurdos e escabrosos para defender suas convicções, querendo tolher a liberdade alheia no rumo de suas escolhas.