Por: Sistema Por Acaso | 4 anos atrás

De longe, é o método mais eficaz para prevenir doenças transmitidas durante o sexo. A camisinha funciona em até 95% dos casos e ainda é a maior arma contra a propagação da Aids. Só que está longe de cair nas graças dos homens. “Cerca de 95% relutam em usá-la. Se a transformarmos em objeto do desejo, estimularíamos a adesão”, diz Stephen Ward, da Fundação Bill e Melinda Gates. É com esse objetivo que a fundação entregará em maio um prêmio de US$ 1 milhão ao vencedor de um concurso para reinventar a camisinha.

De 812 equipes inscritas, restam 11 finalistas, que já ganharam uma bolsa no valor de US$ 100 mil. Todos miram as principais reclamações sobre os preservativos: são difíceis de colocar, reduzem o prazer sexual ou podem provocar perda de ereção. Por trás dessas justificativas (ou desculpas), apenas 43% dos brasileiros declaram ter o hábito de usar camisinha, por exemplo. Para mudar esse cenário, cientistas propõem preservativos ultrarresistentes, com tamanho único, que podem ser colocados em apenas um segundo e com substâncias que imitam as mucosas. Entenda a seguir quais são as estratégias dos finalistas.

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Usado nos projetos de dois dos finalistas, o grafeno é cem vezes mais forte do que o aço e tão fino que um fio de cabelo tem 100 mil vezes a sua espessura. “O látex funciona como isolante, já o grafeno conduz mais calor que o cobre”, diz o pesquisador Lakshmi Narayanan Ragupathy, da HLL Lifecare. Seu grupo pretende incorporar o material ao látex e reduzir a espessura das camisinhas de 0,07 mm para 0,04 mm, permitindo uma sensação mais próxima à do sexo sem preservativo. O problema é o valor alto do grafeno. “O custo tende a cair quando a demanda aumentar”, diz AravindVijayaraghavan, integrante do outro grupo finalista, de Manchester.

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Três segundos. Este é o tempo médio de colocação do Rapidom, um aplicador automático de camisinha criado pelo sul-africano Willem van Rensburg. Os mais habilidosos, diz, conseguirão “vesti-la” com um único movimento em um segundo, o que acabaria com o argumento de perda da ereção pela espera. Outro grupo de finalistas, da Austrália, busca o mesmo objetivo com uma versão que agiliza a colocação do preservativo. Batizada de CondomApplicator Pack (CAP), ela quer eliminar o risco de rasgar a camisinha ou aplicá-la de maneira errada.

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O pesquisador Mark McGlothlin pretende usar colágeno do boi para fabricar camisinhas mais fortes, elásticas e resistentes. Segundo ele, a proteína que fica nos tecidos conjuntivos do animal, como ossos, tendões e cartilagens, oferece uma textura umedecida e pouco áspera, semelhante à da pele humana. Isso facilitaria a transferência de calor — ponto importante para aumentar o prazer, já que o látex tradicional é considerado um material isolante, dando uma sensação mais artificial.

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O protótipo do pesquisador Ron Frezieres ainda não foi aprovado, mas já ganhou um apelido curioso: “camisinha wrap”. O conceito lembra um sanduíche: o objetivo é embrulhar o pênis com uma fina camada de polietileno, material resistente e ultrafino, como se fosse a massa do pão que enrola os ingredientes. Ao contrário do látex, que causa desconforto em 1% das pessoas, o polietileno é hipoalergênico.

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O pesquisador Benjamin Strutt desenvolve um modelo com ajuste universal que se adapta a qualquer pênis. O preservativo deve apertar suavemente durante a relação e aumentar a sensação de prazer. Outro finalista, da Universidade do Oregon, persegue o tamanho único com um tipo de poliuretano que reage ao calor do corpo e se adapta. “A camisinha encolhe até chegar ao tamanho ideal”, explica o professor Richard Chartoff.

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“Alguns se queixam da sensação de corpo estranho. Por isso, criei um modelo que reduz o atrito entre pele e camisinha”, afirma Karen Buch. A pesquisadora tenta criar uma camisinha durável e resistente com revestimento de nanopartículas que se transformam numa espécie de lubrificante em contato com a água. Além de reduzir o atrito, elas evitariam o rompimento do preservativo e, ainda, impediriam a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e Aids.

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O professor Patrick Kiser tenta sintetizar um novo material polimérico idêntico ou, pelo menos, similar ao tecido da mucosa, membrana que reveste vários órgãos do corpo humano, como boca, pênis e vagina, e que só se mantém úmida graças à secreção viscosa (muco). Um dos objetivos é conferir maior sensibilidade ao usuário.

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Uma borracha que não rasga, fura ou deforma. O pesquisador Jimmy Mays desenvolve o conceito de superelastômero, um polímero que pode ser esticado mais do que qualquer outro material já usado em preservativos. Além de produzir camisinhas mais finas e resistentes, Mays pretende baratear o custo e, assim, torná-las acessíveis à população mais carente.

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