Por: Sistema Por Acaso | 3 anos atrás

Produtos mais baratos e frete grátis costumam ser atrativos para brasileiros que compram em sites no exterior. O que muita gente não sabe, no entanto, é que a conta pode aumentar com a incidência de tributos.

Muitos dos compradores são atraídos pela suposta isenção de impostos para produtos que custem até US$ 50. A condição, porém, só é válida para remessas de pessoa física para pessoa física.

Quando o envio é realizado por uma loja hospedada em um site estrangeiro, essa isenção cai por terra.

Mas esses consumidores só descobrem isso quando o item chega ao Brasil e fica retido nos Correios ou em outro serviço de entrega. Para liberar o produto, precisam pagar o II (Imposto de Importação), de 60% sobre o valor da fatura, e até ICMS, cuja alíquota varia por Estado.

Segundo o advogado especializado em direito tributário, Eduardo Sabbag, o ICMS também incide na importação de um bem e não apenas na compra e venda de mercadorias no Brasil.

REGRAS

A maioria dos produtos comprados em sites estrangeiros está sujeita a tributação. Pessoas físicas que recebam encomendas no valor até US$ 500 são obrigadas a pagar II de 60%, além de ICMS e uma taxa que os Correios chamam de despacho postal, de R$ 12.

Se o valor estiver acima de US$ 500 e até US$ 3.000, Imposto de Importação e ICMS permanecem os mesmos. O que muda é a taxa de despacho aduaneiro, que sobe para R$ 150 nos Correios. Livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão contam com a chamada imunidade tributária, ou seja, não podem sofrer cobrança de tributos. Medicamentos têm alíquota zero de II, desde que cumpram as exigências da Anvisa (agência de vigilância sanitária).

FISCALIZAÇÃO

Apesar de isentas do II, as remessas de pessoa física para física até US$ 50 são sujeitas a fiscalização pelo fisco, diz Ana Cláudia Utumi, sócia responsável pela área tributária do escritório TozziniFreire Advogados.

“Toda importação é sujeita a inspeção, inclusive física. Se um amigo que mora fora enviar livros e CDs, mas só colocar na descrição da remessa ‘livros’ e a Receita pegar, a pessoa pode até perder a mercadoria. Pode ser encarado como contrabando.”

Geralmente essa fiscalização é feita por amostragem, ou seja, a Receita seleciona as encomendas dentro de uma amostra. Mas o cerco tende a se fechar no segundo semestre. Isso porque a Receita e os Correios estão trabalhando em dois sistemas – um do fisco e outro do serviço postal– que se comunicam entre si, para aumentar a fiscalização das remessas que chegam do exterior.

No ano passado, o número de remessas postais vindas do exterior cresceu 3,7%, para 21,6 milhões, segundo a Receita. De 2012 a 2013, a expansão havia sido de 44%.

Confira as principais cobranças para quem usa sites estrangeiros de compras:

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Com informações da Folha.