Por: Ariston Sal Junior | 16/07/2014
Pessoas como a aposentada Cecília Krüger, de 85 anos, acreditam na eficácia dos chás e medicamentos naturais. Na busca de uma vida mais saudável, jovens voltam a procurar os conhecimentos milenares (Fotos: Eduardo Montecino)

Pessoas como a aposentada Cecília Krüger, de 85 anos, acreditam na eficácia dos chás e medicamentos naturais. Na busca de uma vida mais saudável, jovens voltam a procurar os conhecimentos milenares (Fotos: Eduardo Montecino)

Camomila para acalmar os nervos, boldo ou arruda para ajudar na digestão e amenizar o mal-estar e mel com limão para combater a gripe. Essas são algumas das famosas indicações naturais feitas pelos antigos, através de um conhecimento milenar que passa de geração a geração. A prática continua presente na vida das pessoas, principalmente para quem opta por um estilo de vida mais saudável.

É o caso da aposentada Cecília Tietz Krüger, de 85 anos, que atribui seu bem-estar e saúde ao costume de beber chás e cuidar da alimentação, prática que herdou dos pais. “Sempre que precisei resolver algum problema de saúde escolhi as plantas certas e elas sempre me ajudaram na recuperação”, diz. Ela conta que além do medicamento que toma para o tratamento de um câncer de mama, diagnosticado há três anos, não deixa de lado o chá feito das folhas de graviola, duas vezes por semana, indicado por uma amiga de São Francisco do Sul.

Hortelã é o chá preferido de Cecília, planta que não pode faltar na pequena horta que cultiva ao lado de casa. Apesar de ser famoso para ajudar a emagrecer, também pode ser um bom calmante e auxiliar no combate contra resfriados.

DOSAGEM – O farmacêutico Narlon Tomczak explica que mesmo os chás precisam ser consumidos com orientação profissional

DOSAGEM – O farmacêutico Narlon Tomczak explica que mesmo os chás precisam ser consumidos com orientação profissional

Conhecimentos milenares também têm contraindicação

Apesar da busca por práticas mais saudáveis, quem faz uso de produtos naturais deve tomar certos cuidados. É o que explica a naturóloga Monique Ortiz: “As plantas têm princípios ativos químicos, e podem fazer mal se forem utilizadas de maneira incorreta. O modo de preparo, quantidade e a frequência de consumo, são fatores que devem ser analisados e indicados por especialistas”, afirma. Segundo ela, a naturologia não age sozinha e a eficiência das outras práticas medicinais não deve ser desconsiderada.

Além dos naturólogos, os farmacêuticos são profissionais preparados para atender e solucionar dúvidas em relação ao melhor recurso natural a ser utilizado. Segundo o farmacêutico Narlon Tomczak, o ideal é que antes do uso de qualquer medicamento, seja ele natural ou industrializado, as pessoas busquem informações sobre o produto e a dose correta. “Os conhecimentos milenares são muito importantes, grande parte dos produtos são feitos a base de plantas, mas a quantidade correta para cada caso deve ser estudada”, orienta. A farmacêutica manipuladora de medicamentos Nadia Tomczak explica que existem também os fitoterápicos, produzidos a partir de plantas, eles são testados, fabricados e vendidos sob autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Ainda assim os cuidados devem ser grandes. Não é porque é fitoterápico que não faz mal”, alerta.

Todos os medicamentos à base de plantas e os manipulados devem estar de acordo com a Farmacopeia Brasileira, livro oficial que contém as normas e informações essenciais.

Regulamentação da Anvisa 

Em maio deste ano, a Anvisa aprovou uma norma que libera o registro dos Produtos Tradicionais Fitoterápicos. Eles deverão estar pelo menos 30 anos presentes na literatura, para serem vendidos com fins terapêuticos. A entidade ainda atualizou o registro dos medicamentos fitoterápicos, que devem passar por testes clínicos padronizados para avaliação de segurança e eficácia.

Produtos tradicionais fitoterápicos

Pomadas, cápsulas ou xaropes feitos de plantas que já têm efeito terapêutico reconhecido. Exemplos: Maracujá (para ansiedade), boldo (digestão), calêndula (ação cicatrizante).

Medicamentos fitoterápicos

Produzidos em indústria farmacêutica, a partir de plantas, mas comercializados somente sob registro da Anvisa. Exemplos: Gengibre (previne náuseas causadas pelo movimento do corpo), alcachofra (as folhas podem tratar dificuldades de digestão).

Via OCP