Por: Deivis Chiodini | 4 anos atrás

Na talvez mais disputada das categorias do UFC, os leves, o carioca Rafael dos Anjos terá neste sábado a chance de buscar o cinturão ainda inédito para o Brasil contra o campeão Anthony Pettis.

UFC-1851

O UFC ainda guarda grandes confrontos para este sábado no Texas, como a primeira defesa de cinturão de Carla Esparza na categoria palha feminina e o embate entre os porradeiros Matt Brown e Johnny Hendricks nos meio médios.

O evento tem transmissão do Canal Combate a partir das 19 horas.

Alistair Overeem x Roy Nelson (categoria dos pesados): O gigante holandês contra o gordo mais adorado do MMA. Overeem vem de vitória contra Stefan Struve, enquanto Roy Nelson vem de derrota para Mark Hunt. Nelson é dono de luta agarrada de qualidade, faixa preta de Renzo Gracie, além de ser ter uma base karatê kung fu. Mas eu vou pular isso, porque quando ele entra no cage a sua receita é simples: queixo de pedra, boxe alinhado, com golpes retos e uma direita do capeta, capaz de derrubar concreto. Que pese contra ele a fraca movimentação e o pouco gás. Overeem, apesar de ser um striker de nível K-1, com kickboxing e muay thai de alto nível, já mostrou não ter o queixo dos mais confiáveis. Ele deverá usar sua maior envergadura (18cm) para circular Nelson, golpeando e cansando o mesmo. Quando Roy conseguir encurtar, Overeem tende a partir pro clinche e usar seu subestimado wrestling para derrubar e tentar controlar no ground and pound. Caso resolva aceitar a trocação na curta com Nelson, a chance do holandês acordar com a lanterninha no olho cresce muito.
Palpite: Overeem sendo inteligente e levando por decisão.

Johnny Hendricks x Matt Brown (categoria dos meio médios): O ex-campeão Johnny Hendricks retorna após perder o cinturão para Robbie Lawler e terá pela frente a pedreira Matt Brown, que vem de uma derrota para o mesmo Lawler.

Johny-Hendricks-UFC-141_8165-478x270

Se antes Brown sofria com a deficiência no jiu-jitsu, hoje ele evoluiu evitando que seus adversários o coloquem no solo, utilizando um wrestling defensivo de grande nível. O queixo demoníaco tende a ter grande absorção de golpes, o que o deixa livre para se lançar na trocação, abusando das cotoveladas e do trabalho de clinche. Já Hendricks é um wrestler que foi campeão da NCAA e mantém isso como carro chefe. Dono de um single leg infernal, Johnny busca as quedas com facilidade absurda. Dono também de um queixo de granito, Hendricks tem uma bomba na mão esquerda (John Fitch que o diga) e aliou ao seu jogo movimentação constante e alguns bons chutes que podem surprender Brown, já que demonstrou menor absorção de golpes no corpo. Que pese contra Hendricks a diminuição do gás conforme a luta transcorre, muita em parte devido ao seu brutal corte de peso.
Palpite: Numa pancadaria insana, as quedas pontuais farão a diferença. Hendricks por pontos.

Carla Esparza x Joanna Jedrzejczy (cinturão dos palha feminino): Primeira coisa: O sobrenome dessa polonesa ferra qualquer narrador. Joanna venceu a brasileira Claudinha Gadelha e ganhou o direito a ser a primeira desafiante ao cinturão de Carla Esparza, que conseguiu o mesmo ao vencer o TUF 20 em dezembro. Aqui teremos um duelo clássico de estilos. Joanna é uma striker condecorada, com muay thai de alto volume e jogo de clinche efetivo. Já Esparza, apesar de ter um boxe razoável, tem um wrestling muito forte, com ataques no double leg e bodylocks efetivos para as quedas. No chão,é boa estabilizando posições usando ground and pound, aproveitando qualquer brecha para finalizar.
Palpite: Esparza impondo seu jogo de grappling e finalizando no terceiro round.

Anthony Pettis x Rafael dos Anjos (cinturão dos leves): Anthony “Showtime” Pettis é sem dúvida um dos mais dinâmicos e imprevisíveis lutadores em atividade. Após um ano lesionado, ele retornou ao cage no final do ano passado e conseguiu uma finalização sobre Gilbert Melendez.

Anthony Pettis vs Donald Cerrone

Já Rafael dos Anjos, antes apenas um grappler, depois que se juntou a Kings MMA do mestre Rafael Cordeiro se tornou um lutador completo, vindo de oito vitórias nas suas últimas no nove lutas, inclusive sobre nomes como Cowboy Cerrone e Ben Henderson. Pettis é capaz de transformar um movimento plástico e complexo em uma coisa simples e extremamente eficaz. Sua mistura de taekwondo com muay thai e pitadas de kickboxing transformando seu jogo de chutes em um dos mais letais e diversificados da história do MMA. O jogo de chão se destaca com uma guarda ativa e grande senso de finalização (as duas ultimas vitórias vieram assim com armlock da guarda e guilhotina), contrapondo a defesa de quedas, ainda o ponto mais vulnerável. Outro jogo que incomoda Pettis é ser preso a grade, tendo que trabalhar o clinche ou o dirty boxing. Caso ele consiga evitar isso e possa tomar conta do cage, costuma ser mortal. Já Rafael se tornou também uma máquina de muay thai. Sua movimentação é grande e ele costuma trabalhar belas sequências de que começam com socos e terminam em chutes no corpo ou nas pernas. Seu jogo de boxe é justo e o gás é muito acima da média dos brasileiros, bem como sua defesa de quedas (vazada apenas pelo monstruoso Khabib Nurmagomedov). Rafael gosta de trabalhar o clinche com joelhadas no corpo e dirty boxing, abrindo brecha para as quedas, principalmente no double leg contra a grade. Seu jogo de chão é de alto nível e contra Nate Diaz ele mostrou um ground and pound avassalador contra uma das melhores guardas do UFC. Dificilmente o brasileiro cometerá no chão os erros de Bendo e Melendez. Essa são as chaves para o brasileiro: clinche e chão, com controle por cima.
Palpite: Pettis é um dos mais criativos lutadores e não me surpreenderia com um nocaute dele a qualquer momento. Mas Rafael tem o jogo que causa o contraponto principal ao jogo do campeão. Longe de patriotada aqui, vou com Rafael dos Anjos fazendo o jogo de amassar e levando por pontos.